{"id":12168,"date":"2016-03-31T19:11:46","date_gmt":"2016-03-31T22:11:46","guid":{"rendered":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/?p=12168"},"modified":"2023-12-30T15:56:48","modified_gmt":"2023-12-30T18:56:48","slug":"ponto-de-fuga-apropriacao-distorcida-da-feminilidade-e-a-sexualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/ponto-de-fuga-apropriacao-distorcida-da-feminilidade-e-a-sexualidade\/","title":{"rendered":"Ponto de Fuga: Apropria\u00e7\u00e3o distorcida da Feminilidade e a Sexualidade"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-12169\" src=\"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Z-Pontodefuga.jpg\" alt=\"Z-Pontodefuga\" width=\"1000\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Z-Pontodefuga.jpg 1000w, https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Z-Pontodefuga-300x120.jpg 300w, https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Z-Pontodefuga-500x200.jpg 500w, https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Z-Pontodefuga-624x250.jpg 624w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/p>\n<p>No come\u00e7o do <a href=\"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/ponto-de-fuga-01\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">texto anterior<\/a> foi feito um breve coment\u00e1rio sobre a prefer\u00eancia de g\u00eanero dos personagens que o autor criava em suas aventuras. Explicitou-se, ainda que brevemente, os motivos pela escolha rotineira e o efeito de estranheza que a invers\u00e3o da regra normativa causa dentro e fora dos quatro cantos da tela.<\/p>\n<p>De onde vem essa estranheza ent\u00e3o? A resposta pode ser bem simples e est\u00fapida, como: H\u00e1 uma mulher onde \u201cn\u00e3o deveria existir\u201d. Tamb\u00e9m pode ser complexa e problematizada ao passo que se estuda as motiva\u00e7\u00f5es, e motivadores, ideol\u00f3gicos que est\u00e3o intimamente ligadas \u00e0 quest\u00e3o da objetifica\u00e7\u00e3o feminina no \u00e2mbito social e virtual.<\/p>\n<figure id=\"attachment_12171\" aria-describedby=\"caption-attachment-12171\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12171\" src=\"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/quietmetalgearsolid.png\" alt=\"quietmetalgearsolid\" width=\"1000\" height=\"700\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12171\" class=\"wp-caption-text\">Quiet e sua avan\u00e7ada camuflagem natural. Uma simples racionaliza\u00e7\u00e3o da sexualidade?<\/figcaption><\/figure>\n<p>O extenso debate sobre o tema j\u00e1 \u00e9 conhecido. Talvez este artigo n\u00e3o seja sequer relevante, mas h\u00e1 a necessidade de se discursar sobre as aparentes conquistas do movimento feminista no \u00e2mbito do entretenimento e a lacera\u00e7\u00e3o mental que surge da reatividade de certos agrupamentos sociais contr\u00e1rios \u00e0 causa.<\/p>\n<p>Um dos pontos mais contundentes do discurso feminino atual foi o de poder sobre o corpo. \u00c9 importante fazer notar que o corpo n\u00e3o \u00e9 somente o inverso da mente, o elemento humano que sofre de priva\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e de desejos impensados. N\u00e3o \u00e9, portanto, somente uma massa palp\u00e1vel de carne vulner\u00e1vel \u00e0 montagem de um teatro para ser vis\u00edvel, ou invis\u00edvel, \u00e0 sociedade. O corpo transcende estes limites f\u00edsicos e torna-se um espa\u00e7o para a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o controle p\u00e9rfido da sociedade.<\/p>\n<p>Em seu livro \u201cG\u00eanero, Corpo, Conhecimento\u201d, Susan Bordo e Allis Jaggar discorrem sobre como o corpo humano torna-se um ambiente de modelagem e controle.<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cDe forma banal, atrav\u00e9s das maneiras \u00e0 mesa e dos h\u00e1bitos de higiene, de rotinas, normas e pr\u00e1ticas aparentemente triviais, convertidas em atividades autom\u00e1ticas e habituais, a cultura &#8220;se faz corpo&#8221; como coloca Bourdieu.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(JAGGAR, Allis; BORDO, 1997, p. 19).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Trocando em mi\u00fados, o corpo \u00e9 constantemente submetido a regras, a doutrinas, a um controle ininterrupto no qual o indiv\u00edduo n\u00e3o tem consci\u00eancia de sua exist\u00eancia, ou n\u00e3o se quer questionar sobre, mas que se sujeita por press\u00f5es sociais e econ\u00f4micas. H\u00e1 pelo menos duas estruturas b\u00e1sicas e introdut\u00f3rias dessa submiss\u00e3o ininterrupta, que variam de escala e local. O in\u00edcio primordial d\u00e1-se em uma institui\u00e7\u00e3o que tende a fal\u00eancia, a fam\u00edlia, transveste-se logo ap\u00f3s em uma institui\u00e7\u00e3o que h\u00e1 muito vem sendo lapidada para a boa forma\u00e7\u00e3o social, a escola. Estes dois dispositivos prim\u00e1rios de coer\u00e7\u00e3o e controle dos corpos lan\u00e7am base para a perpetua\u00e7\u00e3o, ou inser\u00e7\u00e3o, de pol\u00edticas e ideologias em um corpo social deveras heterog\u00eaneo. Eles agem como dispositivos retro-alimentadores que desenvolvem e necessitam da normaliza\u00e7\u00e3o para coexistir em sintonia com as estruturas que os constroem. Ambiente de trabalho, acad\u00eamico, social, virtual, dentre outros, necessitam da normaliza\u00e7\u00e3o dos corpos presentes para o bom funcionamento dos mesmo.<\/p>\n<p>\u00c9 importante fazer-se notar o papel do poder sobre o corpo feminino. Michel Foucault abre para discuss\u00f5es o conceito de poder como uma teia de pr\u00e1ticas, institui\u00e7\u00f5es, ideologias e pol\u00edticas que gerem certos grupos sociais.<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cTemos primeiro que abandonar a ideia de que o poder \u00e9 algo possu\u00eddo por um grupo e dirigido contra outro e pensar, em vez disso, na rede de pr\u00e1ticas, institui\u00e7\u00f5es e tecnologias que sustentam posi\u00e7\u00f5es de domin\u00e2ncia e subordina\u00e7\u00e3o dentro de um \u00e2mbito particular. Em segundo lugar, necessitamos de uma an\u00e1lise adequada para descrever um poder cujos mecanismos centrais n\u00e3o s\u00e3o repressivos, mas constitutivos.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(JAGGAR, Allis; BORDO, 1997, p. 21).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ent\u00e3o, ao inv\u00e9s de manter o poder centrado em somente uma figura patriarcal &#8211; o monarca, o pai, o presidente \u2013 ele manifesta-se por um longo entrela\u00e7amento de rela\u00e7\u00f5es, expressas, por sua vez, de forma espont\u00e2nea ou elaborada, que ser\u00e1 nutrido\u00a0por este mesmo poder para fortalecer um comportamento desejado para o corpo feminino. Para exemplificar, uma mulher era tida como bela h\u00e1 alguns s\u00e9culos caso tivesse o corpo ideal para procriar. O conceito de beleza feminina, entretanto, transformou-se e em nossa sociedade o padr\u00e3o atende ao fisiculturismo, aos m\u00fasculos bem definidos e sempre \u00e0 mostra para os olhares incans\u00e1veis de todos os humanos. Esse padr\u00e3o em vez de remeter a fertilidade, remete ao poder f\u00edsico.<\/p>\n<p>Mas quem definiu esse conjunto de diretrizes comportamentais? Certamente n\u00e3o foi uma pessoa com poderes absolutos para tal, mas uma extensa rela\u00e7\u00e3o de domina\u00e7\u00e3o e sujei\u00e7\u00e3o, aparentemente ben\u00e9fica, das feminilidades.<\/p>\n<p>Neste ponto entra o papel dos jogos, filmes, s\u00e9ries, brinquedos, ve\u00edculos impressos, a m\u00eddia televisiva e principalmente a crescente influ\u00eancia das redes sociais virtuais. O entretenimento \u00e9 um dos meios deveras eficazes para a difus\u00e3o de ideias e dos discursos presentes em certos extratos sociais. Perceba que para a cria\u00e7\u00e3o de uma pe\u00e7a visual lucrativa necessita-se agradar o p\u00fablico ao qual ela ir\u00e1 interagir. O cinema norte-americano e as m\u00eddias virtuais por sua vez foram eficazes ao difundir sua corrente pol\u00edtica pseudo-feminista nestes produtos enlatados, propagando seu of\u00edcio de motor de doutrina\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-ideol\u00f3gica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_12172\" aria-describedby=\"caption-attachment-12172\" style=\"width: 2220px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12172 size-full\" src=\"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Rey2-Fathead.png\" alt=\"Rey2-Fathead\" width=\"2220\" height=\"2748\" srcset=\"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Rey2-Fathead.png 2220w, https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Rey2-Fathead-242x300.png 242w, https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Rey2-Fathead-827x1024.png 827w, https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Rey2-Fathead-624x772.png 624w\" sizes=\"auto, (max-width: 2220px) 100vw, 2220px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12172\" class=\"wp-caption-text\">Rey da franquia Star Wars, o s\u00edmbolo criado pela ind\u00fastria de entretenimento da mulher forte. \u00c9 somente de s\u00edmbolos que precisamos?<\/figcaption><\/figure>\n<p>A prolifera\u00e7\u00e3o de personagens e s\u00edmbolos advindos do entretenimento \u00e9 not\u00e1vel. Dentre eles temos Rey, personagem principal do filme Star Wars. Rey tornou-se, em poucas semanas, s\u00edmbolo da \u201ccausa feminista\u201d para muitos militantes virtuais e expoente de uma ideologia que deturpa as potencialidades do poder e mascara seus interesses econ\u00f4micos e doutrin\u00e1rios nas jovens ao qual interpretam o filme como um grito pela liberdade. Dois momentos s\u00e3o necess\u00e1rios para analisar brevemente essa \u201cliberdade exemplar\u201d vista nos ve\u00edculos de entretenimento.<\/p>\n<p>A execu\u00e7\u00e3o de determinadas a\u00e7\u00f5es, provocadas pelos roteiristas, revela o desejo de ressaltar aspectos que s\u00e3o interessantes para a mulher p\u00f3s-moderna. Trata-se novamente do poder sobre os corpos. Ele se manifesta de forma sutil e perniciosa quando retira de seu discurso os \u201cn\u00e3os\u201d e insere somente os refor\u00e7os positivos \u2013 a mulher forte, feminina, n\u00e3o aceita a ajuda do homem, ela \u00e9 empoderada, igual e pode tanto quanto ele.<\/p>\n<p>Ora, esse discurso de igualdade \u00e9 um horizonte aberto para deturpa\u00e7\u00f5es advindas do pensamento neoliberal, que tenta for\u00e7ar a no\u00e7\u00e3o de que a mulher foi um dia inferior ao homem, mas que todos n\u00e3o s\u00f3 devem ser, mas como s\u00e3o iguais. Esse embuste aparenta ter um car\u00e1ter socialista, comunista, mas escancara a ideologia da meritocracia quando quer convencer a todos de que todos s\u00e3o iguais, cabe a cada um fazer seu caminho, tra\u00e7ar sua estrat\u00e9gia para ganhar o poder e enfim ser igual aos que se chamam \u201cbem-sucedidos\u201d. Felizmente ningu\u00e9m \u00e9 igual a ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as entre os g\u00eaneros existem, s\u00e3o diversas que se manifestam desde o espectro biol\u00f3gico at\u00e9 o comportamental. Essas diferentes caracter\u00edsticas em hip\u00f3tese alguma devem ser motor caracterizador de uma nega\u00e7\u00e3o da humilha\u00e7\u00e3o e abuso que as mulheres tiveram de &#8220;se acostumar&#8221; ao longo dos s\u00e9culos, mas que finalmente levantam sua voz e agem contra os absurdos imposto por uma\u00a0sociedade patriarcal. As diferen\u00e7as, ent\u00e3o, se caracterizam como elementos refor\u00e7adores do respeito m\u00fatuo, o respeito pelas diferen\u00e7as que n\u00e3o caracteriza n\u00edveis ou distin\u00e7\u00f5es de mentes ou corpos. N\u00e3o h\u00e1 ser humano igual, h\u00e1 diferen\u00e7as e elas s\u00e3o melhores que um ser homog\u00eaneo, que pensa em tons de cinza.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a de g\u00eaneros \u00e9 not\u00e1vel no modo de domina\u00e7\u00e3o dos corpos. \u00c9 interessante notar como o produto \u201cmulher poderosa\u201d vende e gera lucros para os produtores deste conte\u00fado. Para o p\u00fablico de g\u00eanero masculino a mulher estereotipada, sexualizada e que atende a seus desejos e prazeres ser\u00e1, talvez, suficiente para comprar o entretenimento. Abordam-se os g\u00eaneros de forma diferente e pregam serem todos iguais, h\u00e1 nesta locu\u00e7\u00e3o um tom de ironia e sarcasmo.<\/p>\n<p>O discurso insidioso de mulher fr\u00e1gil, reprimida e oprimida pelo seu pr\u00f3prio sexo aparenta ser heroicamente quebrado por um meio de divers\u00e3o que finalmente reconhece a mulher como ser humano. Foucault, em \u201cA hist\u00f3ria da sexualidade\u201d lan\u00e7a uma luz sobre o papel fundamental dessa locu\u00e7\u00e3o ao afirmar que:<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cEsse discurso sobre a repress\u00e3o moderna do sexo se sustenta. Sem d\u00favida porque \u00e9 f\u00e1cil de ser dominado. (&#8230;) Se o sexo \u00e9 reprimido, isto \u00e9, fadado \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o, \u00e0 inexist\u00eancia e ao mutismo, o simples fato de falar dele e de sua repress\u00e3o possui como que um ar de transgress\u00e3o deliberada. Quem emprega essa linguagem coloca-se, at\u00e9 certo ponto, fora do alcance do poder; desordena a lei; antecipa, por menos que seja, a liberdade futura. Da\u00ed essa solenidade com que se fala, hoje em dia, do sexo\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(FOUCAULT, 1998, p. 11-12).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00c9, portanto, conveniente aos produtores destes conte\u00fados vend\u00e1veis que se tome o papel de locutor desse discurso para que se alcem como her\u00f3is, s\u00edmbolos, exemplos a serem seguidos, ao passo que cerceiam a riqueza e a profundidade que o discurso feminista construiu ao longo das d\u00e9cadas recentes.<\/p>\n<p>O contraponto de Foucault a esse ponto fundamental da sexualidade que \u00e9 o discurso repressivo baseia-se, dentre v\u00e1rios pontos, na exist\u00eancia da confiss\u00e3o, na vontade de saber, mais que nunca refor\u00e7ada pelos meios digitais e pela m\u00eddia que a trata com total normalidade e pelo poder-saber-prazer.<\/p>\n<figure id=\"attachment_12170\" aria-describedby=\"caption-attachment-12170\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-12170 size-full\" src=\"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/01intropng-b6a5e3_ggjv.png\" alt=\"01intropng-b6a5e3_ggjv\" width=\"1920\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/01intropng-b6a5e3_ggjv.png 1920w, https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/01intropng-b6a5e3_ggjv-300x169.png 300w, https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/01intropng-b6a5e3_ggjv-1024x576.png 1024w, https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/01intropng-b6a5e3_ggjv-500x281.png 500w, https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/01intropng-b6a5e3_ggjv-624x351.png 624w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12170\" class=\"wp-caption-text\">Laura, um \u00edcone inverso ao de Rey. Ambos discursam sobre a mesma hermen\u00eautica.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A mulher sexualizada em um jogo ou filme trata justamente desse desejo de confessar a sexualidade de um indiv\u00edduo ou de um coletivo. Mesmo que n\u00e3o ocorra o discurso direto e pronunciado sobre a sexualidade por parte do jogador, a a\u00e7\u00e3o de concordar ou \u201cachar normal\u201d demonstra como o sexo, e os g\u00eaneros, est\u00e3o sempre ao alcance e presentes na rotina do ser humano. A repress\u00e3o generalizada, portanto n\u00e3o pode ser tomada como regra normativa, mas como uma medida que mascara um desejo de g\u00eaneros e de extratos que se pronunciavam no escuro da noite.<\/p>\n<p>Negar a exist\u00eancia da vontade da mulher e objetific\u00e1-la para o prazer exclusivo do homem aparenta ser uma leitura superficial do desejo de saber e do prazer feminino. N\u00e3o somente dela, como dos tidos pervertidos e\/ou libidinosos, ora erroneamente estigmatizados como homossexuais, ora como paraf\u00edlicos. O desejo, portanto de se confessar, de confessar sua sexualidade, de por palavras no discurso do seu sexo encontrou-se um dia restrito ao quase mutismo, mas que demonstra ser al\u00e7ado aos espa\u00e7os p\u00fablicos pela insist\u00eancia dos grupos que levantam esta bandeira.<\/p>\n<p>A express\u00e3o da sexualidade dos g\u00eaneros ou de suas parafilias, de seus desvios e seus poderes torna o discurso feminista odiado pelos reacion\u00e1rios que tentam negar o que o pr\u00f3prio viveu em toda sua vida. O lema \u201cMeu corpo, minhas regras\u201d causa o estranhamento e revolta por quem teme a perda do controle sobre o qual um dia talvez tenha sido sua posse. Essa subvers\u00e3o \u00e9 ben\u00e9fica para todo o corpo social, a ressalva, entretanto \u00e9 quando esse desejo de emancipa\u00e7\u00e3o \u00e9 moldado por rela\u00e7\u00f5es de poder de determinados grupos dominadores, por grupos que enxergam oportunidades de outras normaliza\u00e7\u00f5es dos corpos individuais.<\/p>\n<p>A sexualidade, portanto, se faz presente nas escolas, na fam\u00edlia, no trabalho, no ambiente de lazer, na natureza, nos gestos, na linguagem, nos discurso, na aus\u00eancia dos discursos; n\u00e3o h\u00e1, portanto, l\u00f3gica que se ponha contr\u00e1ria \u00e0s pr\u00e1ticas do ser humano. Fala-se de sexualidade sem falar-se de sexualidade.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/samuel.levi.5?fref=ts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11697 alignleft\" src=\"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/1496601_751219398236244_899150113_n.jpg\" alt=\"1496601_751219398236244_899150113_n\" width=\"75\" height=\"84\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Samuel Levi<\/strong><br \/>\nForma\u00e7\u00e3o em M\u00eddias Digitais, pesquisador, leitor e integrante da UCEG<br \/>\n<em>&#8220;Um carinha que l\u00ea umas coisas e escreve outras&#8221;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No come\u00e7o do texto anterior foi feito um breve coment\u00e1rio sobre a prefer\u00eancia de g\u00eanero dos personagens que o autor criava em suas aventuras. 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