{"id":51408,"date":"2024-08-14T17:49:28","date_gmt":"2024-08-14T20:49:28","guid":{"rendered":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/?p=51408"},"modified":"2024-08-14T17:49:33","modified_gmt":"2024-08-14T20:49:33","slug":"por-um-punhado-de-bits-jogue-antes-que-acabe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/por-um-punhado-de-bits-jogue-antes-que-acabe\/","title":{"rendered":"Por Um Punhado De Bits: Jogue Antes Que Acabe"},"content":{"rendered":"\n<p>Est\u00e1 rolando nas redes sociais um debate acalorado sobre a continuidade ou n\u00e3o de jogos, em especial os jogos online. Basicamente a treta \u00e9 a seguinte: o jogador compra a licen\u00e7a de um jogo e alguns anos depois o fabricante &#8220;desliga&#8221; o servidor. O jogador ent\u00e3o fica a ver navios. Aparentemente isto est\u00e1 valendo tamb\u00e9m para vers\u00f5es offline de alguns jogos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que tem todo tipo de situa\u00e7\u00e3o e\/ou reclama\u00e7\u00e3o. Parte das pessoas defendem que o fabricante &#8220;libere gratuitamente&#8221; o c\u00f3digo do servidor, parte defende que nesses casos a pirataria ocupe o papel do fabricante e outra parte entende que isso faz parte do jogo, ou seja, os jogos n\u00e3o duram para sempre. Nem na prateleira e nem nos nossos cora\u00e7\u00f5es e mentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se portanto de um paradoxo \u00e0 l\u00e1 Catch 22 (o filme) que n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o. Tomando por base a premissa de que toda produ\u00e7\u00e3o tem custo e receita, fica complicado sustentar tanto a gratuidade universal (de um lado) quanto as maracutaias (do outro lado) que visam na pr\u00e1tica a &#8220;recompra&#8221; de remakes, remaster ou vers\u00e3o x.y de jogos com baixo teor de ades\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O que ningu\u00e9m parece preocupado em debater \u00e9 uma vis\u00e3o mais ampla do jogo, n\u00e3o sendo ele apenas um item comercial qualquer. Visto por este \u00e2ngulo e tomando por base a premissa de que jogo \u00e9 cultura, fica dif\u00edcil n\u00e3o defender um tipo qualquer de preserva\u00e7\u00e3o. Ainda que encerrado o ciclo comercial e\/ou o baixo interesse de jogadores mais novos, a grande maioria dos jogos que viram alguma luz no mercado e tiveram alguma import\u00e2ncia, deveriam ser sim preservados por ter uma relev\u00e2ncia social.<\/p>\n\n\n\n<p>Definir quem far\u00e1 essa preserva\u00e7\u00e3o \u00e9 que torna o problema dif\u00edcil de resolver, pois querendo ou n\u00e3o ela imp\u00f5e custos de alguma monta. A exist\u00eancia de custos implica em arquitetar algum tipo de receita.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento retrogames \u00e9 um sinal claro dessa situa\u00e7\u00e3o: jogos e aparelhos que n\u00e3o est\u00e3o mais \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o no mercado e que carregam com eles lembran\u00e7as da inf\u00e2ncia ou adolesc\u00eancia, encontram um meio que atender a esse chamado saudosista. N\u00e3o \u00e9 um mercado gigantesco como o mercado de ponta, mas ainda assim tem l\u00e1 sua repercuss\u00e3o e resultados.<\/p>\n\n\n\n<p>E quem cria o jogo? Onde se posicionar nesta discuss\u00e3o, afinal os atores principais dela parecem ser jogadores x produtores. E eu com isso, afinal s\u00f3 fiz o jogo?<\/p>\n\n\n\n<p>Na era das stores, na qual todo o trabalho de produ\u00e7\u00e3o, divulga\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de um jogo foi terceirizado para essas lojas especializadas, a simples possibilidade de uma (ou todas) deixarem de existir da noite para o dia, j\u00e1 deveria ser suficiente para tirar o sono de muita gente. N\u00e3o acreditamos que isso v\u00e1 acontecer conosco, mas pode acreditar: acontece.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que os jogadores, que querem continuar jogando, ou os produtores, que querem continuar lucrando, o autor quer ver a sua cria \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para ser jogada. Afinal, foi pra isso que o jogo foi feito: para ser jogado.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixo aqui um adendo para incomodar aqueles que acompanharem este pensamento: e se no final das contas, ao encerrar a vida \u00fatil do jogo, o lance seja esse mesmo? O limbo das almas dos games, na forma de lembran\u00e7as? Entendendo aqui como vida \u00fatil n\u00e3o apenas o aspecto comercial mas um conceito mais amplo que envolve tamb\u00e9m a sua poss\u00edvel ou n\u00e3o operacionalidade nos equipamentos mais modernos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tempo: no filme Catch 22, um jovem piloto de avi\u00e3o bombardeiro, na Segunda Guerra Mundial, quer deixar o servi\u00e7o e ir para casa, por ser muito perigoso &#8211; s\u00f3 um louco aceitaria aquelas miss\u00f5es. Para isso ele precisa apenas colocar no pedido de baixa que ele \u00e9 louco e a baixa ser\u00e1 concedida imediatamente. Por\u00e9m, ao se declarar louco, os superiores entendem que ele est\u00e1 l\u00facido e portanto apto a cumprir as miss\u00f5es. Ou seja, n\u00e3o tem como escapar do problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, se quiser criticar, elogiar, xingar, falar palavras de incentivo, mandar pix pra ajudar na aposentadoria, etc, o canal mais eficiente \u00e9 o velho e surrado e-mail: renato@tilt.net. Sinta-se livre pra descer o sarrafo porque nesta altura do campeonato, meu amigo, eu j\u00e1 sofri todas as cr\u00edticas positivas e negativas que um gamedev pode sofrer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 rolando nas redes sociais um debate acalorado sobre a continuidade ou n\u00e3o de jogos, em especial os jogos online. Basicamente a treta \u00e9 a seguinte: o jogador compra a licen\u00e7a de um jogo e alguns anos depois o fabricante &#8220;desliga&#8221; o servidor. O jogador ent\u00e3o fica a ver navios. 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