{"id":52932,"date":"2024-11-27T09:57:12","date_gmt":"2024-11-27T12:57:12","guid":{"rendered":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/?p=52932"},"modified":"2024-11-27T18:30:25","modified_gmt":"2024-11-27T21:30:25","slug":"por-um-punhado-de-bits-era-uma-vez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/por-um-punhado-de-bits-era-uma-vez\/","title":{"rendered":"Por Um Punhado De Bits: Era Uma Vez"},"content":{"rendered":"\n<p>Se aceitarmos que todo jogo &#8220;tem&#8221; uma hist\u00f3ria (narrativa embutida) precisamos aceitar tamb\u00e9m que &#8220;contar&#8221; essa hist\u00f3ria \u00e9 parte essencial desse jogo. Ser\u00e1 mesmo?<\/p>\n\n\n\n<p>Durante toda a minha vida digital joguei in\u00fameros games, por tempos prolongados at\u00e9 zerar os ditos cujos. Apenas como exemplo, zerei Duke Nukem, que foi um estrondoso sucesso de p\u00fablico nos prim\u00f3rdios da era 3D (anos 90). Jogar aqui implica n\u00e3o apenas single player como tamb\u00e9m montar campanhas multiplayers na rede do est\u00fadio, para combates online. Tudo antes mesmo da internet virar o que ela \u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o lembro de, em nenhum momento, me preocupar com a &#8220;hist\u00f3ria&#8221; do jogo. O barato era mesmo a porradaria em 3D. S\u00f3 pra constar e para quem, como eu, n\u00e3o se ligou na narrativa embutida, vai aqui um resumo:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Logo ap\u00f3s os acontecimentos de Duke Nukem 2, no s\u00e9culo XXI, Duke est\u00e1 em sua nave espacial voltando para Terra, para tirar f\u00e9rias. Assim que ele se aproxima de Los Angeles, a sua nave \u00e9 atingida e derrubada por hostis desconhecidos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ao enviar um sinal de socorro de sua nave, Duke descobre que Los Angeles foi atacada por Aliens, e que o departamento de pol\u00edcia (LAPD) foi totalmente transformado em mutantes. Com os seus planos arruinados de uma vez, Duke pressiona o bot\u00e3o &#8216;ejetar&#8217; e embarca na tentativa de parar a invas\u00e3o e salvar a terra.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Cl\u00e1ssico, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Eu nem me toquei que o cen\u00e1rio era Los Angeles. Fez alguma diferen\u00e7a n\u00e3o saber disso na \u00e9poca? Provavelmente, n\u00e3o. Ent\u00e3o, qual \u00e9 de fato a relev\u00e2ncia da narrativa embutida? A resposta mais perto do alvo seria algo como &#8220;depende do jogo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Me d\u00ea uma arma, me coloque num cen\u00e1rio e me aponte um alvo para matar ou destruir (n\u00e3o vale os tr\u00eas patetas). Libere a porradaria e, pronto, horas e mais horas de puro entretenimento. N\u00e3o importa se o personagem \u00e9 um macho branco, alfa, t\u00f3xico, loiro, hetero e pegador ou um menine foca de cabelos azuis e unhas esmaltadas, uma de cada cor. Isso s\u00e3o firulas, embora nos jogos atuais configurar o personagem seja parte da divers\u00e3o, por quest\u00f5es identit\u00e1rias ou mesmo por pura zoa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>P\u00e9ra, estamos perdendo o foco aqui. Voltando para a hist\u00f3ria\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Na minha adolesc\u00eancia (l\u00e1 nos anos 60), t\u00ednhamos duas &#8220;hist\u00f3rias&#8221; que eram usadas como pegadinha ou entretenimento. Uma delas era baseada numa famosa campanha publicit\u00e1ria antiga de um elixir para despertar o apetite das crian\u00e7as e que terminava a pe\u00e7a dizendo que aquele produto era o &#8220;segredo da vida&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Inventaram ent\u00e3o uma narrativa que come\u00e7ava invariavelmente com a pergunta: voc\u00ea conhece o segredo da vida? Pois ent\u00e3o, um cientista resolveu descobrir esse tal segredo da vida e disseram para ele que a resposta estava nas pir\u00e2mides do Egito. Ele pegou \u00f4nibus, navio, trem e avi\u00e3o at\u00e9 que chegou nas pir\u00e2mides e depois de alguns contratempos descobriu que a resposta estava na torre Eiffel, em Paris. Pegou \u00f4nibus, navio, trem e avi\u00e3o at\u00e9 que chegou na capital da Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A narrativa se desenrola nessa estrutura, sempre enfatizando &#8220;pegando \u00f4nibus, navio, trem e avi\u00e3o&#8221; mas indo aos locais mais inusitados, ao gosto do narrador, at\u00e9 que, percebendo a ansiedade do ouvinte, ele d\u00e1 o desfecho: o segredo \u00e9 o tal elixir.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda a hist\u00f3ria \u00e9 constru\u00edda para provocar essa necessidade, do ouvinte, de saber o segredo da vida. Esse \u00e9 o papel da narrativa: envolver o jogador a ponto dele se sentir apto a tomar o lugar do personagem e partir para o descobrimento, formando assim uma narrativa emergente, que ser\u00e1 sempre \u00fanica, ainda que o mesmo jogador se aventure novamente desde o come\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Daria ou n\u00e3o um tema para um &#8220;Duke Nukem like&#8221; sobre aventuras e descobrimentos, inclusive com fases distintas. E nem precisaria de porradaria, mas apenas situa\u00e7\u00f5es a serem resolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda pegadinha era sobre o desejo de uma crian\u00e7a possuir uma &#8220;bolinha vermelha&#8221;. Ela pede ao pai que lhe d\u00ea uma, no seu anivers\u00e1rio. O pai varre todas as lojas da cidade e n\u00e3o encontra o objeto. Isso acontece na medida que a crian\u00e7a cresce e todos os anos a mesma coisa se repete. At\u00e9 que o pai morre e, j\u00e1 adulto, essa miss\u00e3o passa para seu filho mais velho. J\u00e1 bem idoso, numa cama de hospital, em seu leito de morte, o pedido pela bolinha vermelha \u00e9 feito como o seu \u00faltimo desejo ao filho. Mais uma vez, nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Vendo que o fim se aproxima, o filho indaga ao pai o motivo de tal pedido e quando o personagem vai finalmente revelar, ele falece. O tempo decorrido da &#8220;hist\u00f3ria&#8221; e seus floreios existe para agu\u00e7ar a curiosidade do ouvinte e, claro, no cl\u00edmax ocorrer a frustra\u00e7\u00e3o de n\u00e3o saber os motivos que levavam aquela pessoa a querer a tal bolinha vermelha.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse modelo, a &#8220;quest&#8221; \u00e9 fartamente ilustrada ao gosto do narrador, buscando o envolvimento do ouvinte, o que nos leva a um modelo mais parecido com uma narrativa interativa, ou seja, com o foco na bolinha vermelha, o narrador daria ao ouvinte op\u00e7\u00f5es ou caminhos para seguir adiante.<\/p>\n\n\n\n<p>Em ambos os casos, a hist\u00f3ria e como ela \u00e9 contada tem total relev\u00e2ncia para despertar o interesse em jogar, bem como manter a imers\u00e3o funcionando o tempo todo. Podemos dizer que a narrativa embutida \u00e9 a &#8220;alma&#8221; do jogo e, portanto, deve ser feita com a maior compet\u00eancia poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer que Pacman n\u00e3o tenha uma hist\u00f3ria ou que ela seja irrelevante. O exposto aqui apenas mostra que a mec\u00e2nica do jogo (e seu visual) tem preced\u00eancia no despertar do interesse dos jogadores. A experi\u00eancia completa (narrativa + mec\u00e2nica) \u00e9 sempre mais recompensadora e colorida.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tempo: nunca me passou pela cabe\u00e7a que os quatro fantasmas do Pacman (os Galaxians), que escaparam de uma pris\u00e3o, tinham nomes: Blinky, Pinky, Inky e Clyde.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, se quiser criticar, elogiar, xingar, falar palavras de incentivo, mandar pix pra ajudar na aposentadoria, etc, o canal mais eficiente \u00e9 o velho e surrado e-mail: renato@tilt.net. Sinta-se livre pra descer o sarrafo porque nesta altura do campeonato, meu amigo, eu j\u00e1 sofri todas as cr\u00edticas positivas e negativas que um gamedev pode sofrer.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagem: Microsoft Creator<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo game tem uma hist\u00f3ria?<\/p>\n","protected":false},"author":78,"featured_media":52976,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[8,1582,6],"tags":[2951,2950,1393],"class_list":["post-52932","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-renato_degiovani","category-ultimas-noticias","tag-duke-nuken","tag-pacman","tag-renato-degiovani"],"wpmagazine_modules_lite_featured_media_urls":{"thumbnail":["https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Topo-Colunas-150x150.jpg",150,150,true],"cvmm-medium":["https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Topo-Colunas-300x300.jpg",300,300,true],"cvmm-medium-plus":["https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Topo-Colunas-305x207.jpg",305,207,true],"cvmm-portrait":["https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Topo-Colunas-400x600.jpg",400,600,true],"cvmm-medium-square":["https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Topo-Colunas-600x600.jpg",600,600,true],"cvmm-large":["https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Topo-Colunas-1024x720.jpg",1024,720,true],"cvmm-small":["https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Topo-Colunas-130x95.jpg",130,95,true],"full":["https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Topo-Colunas.jpg",1280,720,false]},"categories_names":{"8":{"name":"Not\u00edcias","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/category\/noticias\/"},"1582":{"name":"Renato Degiovani","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/category\/artigos\/renato_degiovani\/"},"6":{"name":"\u00daltimas not\u00edcias","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/category\/noticias\/ultimas-noticias\/"}},"tags_names":{"2951":{"name":"Duke Nuken","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/tag\/duke-nuken\/"},"2950":{"name":"Pacman","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/tag\/pacman\/"},"1393":{"name":"Renato Degiovani","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/tag\/renato-degiovani\/"}},"comments_number":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52932","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/78"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52932"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52932\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52976"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52932"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52932"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52932"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}