{"id":64447,"date":"2025-05-21T07:30:00","date_gmt":"2025-05-21T10:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/?p=64447"},"modified":"2025-05-21T00:45:14","modified_gmt":"2025-05-21T03:45:14","slug":"autoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/autoria\/","title":{"rendered":"Autoria"},"content":{"rendered":"\n<p>Ap\u00f3s duas revis\u00f5es completas do livro Indie Brasilis, no qual foram elencados cerca de 60 jogos nacionais representativos da evolu\u00e7\u00e3o da nossa ind\u00fastria, pude constatar algumas coisas interessantes. A que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o, tratarei aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio de outros setores da produ\u00e7\u00e3o cultural brasileira, como m\u00fasica, literatura, artes c\u00eanicas, por exemplo, na \u00e1rea de games n\u00e3o \u00e9 comum creditar a autoria de um jogo a uma pessoa, especialmente na capa. Normalmente isto \u00e9 feito em nome de uma empresa, ainda que fict\u00edcia, em boa parte dos casos. Para entender esse fen\u00f4meno, precisamos retroceder aos anos 80 quando tudo isso come\u00e7ou.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes da produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica em larga escala e sua consequente venda em grandes magazines e lojas especializadas, os jogos produzidos iam parar nas revistas impressas, fasc\u00edculos colecion\u00e1veis ou nos livros de inform\u00e1tica, em especial naqueles focados na programa\u00e7\u00e3o, onde eram sempre creditados a um autor. Assim como em textos t\u00e9cnicos ou did\u00e1ticos, a autoria sempre foi de uma pessoa e nem sequer havia ainda o conceito de game designer.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, \u00e9 um equ\u00edvoco considerar a priori o game designer de hoje como &#8220;o&#8221; autor (e vice-versa). Um game designer s\u00f3 ser\u00e1 o autor do jogo se ele for contratado para criar o jogo, pois a fun\u00e7\u00e3o primordial dele \u00e9 a de &#8220;produzir&#8221; ou desenvolver as t\u00e9cnicas, opera\u00e7\u00f5es e etapas que compor\u00e3o o produto final. Mas isso \u00e9 outra discuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No come\u00e7o dos anos 1980 n\u00e3o existia ainda a figura da micro empresa, do simples nacional e muito menos do micro empreendedor individual de forma que um CNPJ, que na \u00e9poca era chamado de CGC (Cadastro Geral de Contribuintes) normalmente s\u00f3 era concedido a empresas de capital limitado, com contrato social em nome de pelo menos dois cotistas ou sociedade an\u00f4nima, com v\u00e1rios s\u00f3cios e que \u00e9 uma modalidade bem mais complexa de arranjo empresarial. Em ambos os casos, envolvia muito tempo e dinheiro para constitu\u00ed-las e mant\u00ea-las &#8220;em dia&#8221; com os v\u00e1rios fiscos.<\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed nasceu o uso corriqueiro de dar nomes fict\u00edcios, como se fossem empresas, a empreendimentos que se pretendiam mais s\u00e9rios do que simplesmente fazer jogo por curti\u00e7\u00e3o. No final das contas dava um ar profissional \u00e0s iniciativas e fortalecia os grupos iniciantes. Tal pr\u00e1tica n\u00e3o deixou de existir por completo, at\u00e9 porque ainda \u00e9 relativamente caro e complicado abrir e manter um CNPJ v\u00e1lido. Na grande maioria dos casos atuais, nem vale a pena o esfor\u00e7o para tal, j\u00e1 que a venda f\u00edsica e portanto a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias na ind\u00fastria de jogos (ICM) praticamente deixou de existir. Ainda hoje, vivemos num semilimbo no qual, em muitos casos, vale mais a pena andar nas sombras do que \u00e0 luz do dia<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez seja isso que tenha, de certa forma, inibido muito a assun\u00e7\u00e3o de autoria pessoa f\u00edsica, j\u00e1 que preservar o autor seria desej\u00e1vel, mas isso teve e ainda tem um pre\u00e7o razoavelmente elevado. Somos capazes de citar mais de meia d\u00fazia de autores estrangeiros, tidos como verdadeiros her\u00f3is do desenvolvimento de games e rar\u00edssimos nomes brasileiros. E isso mesmo quando trazemos ao debate t\u00edtulos de grande sucesso de p\u00fablico e de vendas.<\/p>\n\n\n\n<p>E por qual raz\u00e3o seria interessante termos mais autores? Por uma raz\u00e3o simples: n\u00e3o nos espelhamos em empresas mas em pessoas. A jornada de sucesso de um autor \u00e9 muito mais relevante do que a de uma empresa. Empresas podem ser transacionadas a qualquer momento, seu nome nos cr\u00e9ditos n\u00e3o. Ele estar\u00e1 l\u00e1 para todo o sempre, ainda que a palavra sempre indique um tempo bem curto, na velocidade das coisas no mundo informatizado. Por causa disso \u00e9 que as grandes empresas praticamente inviabilizam a exposi\u00e7\u00e3o dos autores em seus produtos.<\/p>\n\n\n\n<p>Resta ent\u00e3o uma \u00faltima quest\u00e3o a ser abordada: quem \u00e9 de fato o autor? Como dito anteriormente, o game designer \u00e9 o produtor do game, ainda que ele possa ser o autor tamb\u00e9m. O programador j\u00e1 foi considerado a figura mais relevante de uma produ\u00e7\u00e3o mas com o avan\u00e7o das linguagens e das ferramentas modernas de cria\u00e7\u00e3o, ele passou a ser mais um profissional que faz parte da equipe de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em linhas gerais podemos dizer que autor \u00e9 a pessoa que &#8220;cria&#8221; o conceito do jogo e o leva a um patamar mais alto do que a simples ideia. N\u00e3o se trata de estabelecer mais ou menos relev\u00e2ncia mas de identificar a assinatura do criador.<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais que um autor seja ecl\u00e9tico, seu estilo sempre estar\u00e1 presente nas suas obras e seu exemplo pode servir de inspira\u00e7\u00e3o ou modelo. Precisamos de mais her\u00f3is, e principalmente de hero\u00ednas \u2014 n\u00e3o apenas por conta desse exemplo, mas tamb\u00e9m para fortalecer a ideia de que &#8220;se algu\u00e9m pode, qualquer outro pode tamb\u00e9m&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto analisa a aus\u00eancia de reconhecimento individual na autoria de jogos brasileiros, destacando como, diferente de outras artes, os games costumam ser creditados a empresas, muitas vezes fict\u00edcias. Isso remonta aos anos 1980, quando formalizar uma empresa era complexo e caro. A reflex\u00e3o prop\u00f5e que reconhecer autores \u00e9 essencial para criar refer\u00eancias humanas e inspiradoras no setor de games nacional.<\/p>\n","protected":false},"author":78,"featured_media":64459,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[1582,6],"tags":[869,805,815,818,1393],"class_list":["post-64447","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-renato_degiovani","category-ultimas-noticias","tag-games-brasileiros","tag-indie-br","tag-indie-games","tag-jogos-digitais","tag-renato-degiovani"],"wpmagazine_modules_lite_featured_media_urls":{"thumbnail":["https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Topo-Colunas-8-150x150.png",150,150,true],"cvmm-medium":["https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Topo-Colunas-8-300x300.png",300,300,true],"cvmm-medium-plus":["https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Topo-Colunas-8-305x207.png",305,207,true],"cvmm-portrait":["https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Topo-Colunas-8-400x600.png",400,600,true],"cvmm-medium-square":["https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Topo-Colunas-8-600x600.png",600,600,true],"cvmm-large":["https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Topo-Colunas-8-1024x720.png",1024,720,true],"cvmm-small":["https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Topo-Colunas-8-130x95.png",130,95,true],"full":["https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Topo-Colunas-8.png",1280,720,false]},"categories_names":{"1582":{"name":"Renato Degiovani","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/category\/artigos\/renato_degiovani\/"},"6":{"name":"\u00daltimas not\u00edcias","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/category\/noticias\/ultimas-noticias\/"}},"tags_names":{"869":{"name":"Games Brasileiros","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/tag\/games-brasileiros\/"},"805":{"name":"Indie BR","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/tag\/indie-br\/"},"815":{"name":"Indie Games","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/tag\/indie-games\/"},"818":{"name":"Jogos Digitais","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/tag\/jogos-digitais\/"},"1393":{"name":"Renato Degiovani","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/tag\/renato-degiovani\/"}},"comments_number":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64447","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/78"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64447"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64447\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64459"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64447"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64447"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64447"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}