{"id":66684,"date":"2025-12-30T12:00:00","date_gmt":"2025-12-30T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/?p=66684"},"modified":"2025-12-30T09:38:13","modified_gmt":"2025-12-30T12:38:13","slug":"encerramentos-de-ciclo-a-ultima-fase-antes-do-proximo-inicio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quebrandocontrole.com.br\/site\/encerramentos-de-ciclo-a-ultima-fase-antes-do-proximo-inicio\/","title":{"rendered":"Encerramentos de Ciclo: A \u00faltima fase antes do pr\u00f3ximo in\u00edcio"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Mais um ano vai se encerrando<\/strong><br>Semana passada n\u00e3o coloquei nenhum texto na coluna&#8230; falha minha que pe\u00e7o perd\u00e3o pelo fato de estarmos numa \u00e9poca de comemora\u00e7\u00f5es, reflex\u00f5es e planejamentos&#8230; mas mesmo assim, uma fase de muito trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais um ano vai se encerrando, mais um ciclo vai se fechando. Aqui n\u00e3o temos um checkpoint, temos uma linha de chegada, temos uma fase que termina para que outra se inicie. A linha de 2025 j\u00e1 est\u00e1 na nossa frente e \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o pensar no que ficou para tr\u00e1s ou no que se assoma. As vit\u00f3rias, os fracassos, as pausas, os &#8220;respawns&#8221; emocionais, os chef\u00f5es que enfrentamos e at\u00e9 aqueles que deixamos para o pr\u00f3ximo ano dando a volta em torno deles&#8230; fiz muito isso quando tentei me aventurar jogando algum &#8220;souls like&#8221; e falhei miseravelmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse movimento de fechar ciclos sempre me lembra uma sensa\u00e7\u00e3o muito espec\u00edfica da inf\u00e2ncia. A sensa\u00e7\u00e3o de fechar um jogo nos anos 90. Aquela conquista que n\u00e3o vinha f\u00e1cil, n\u00e3o vinha r\u00e1pida, n\u00e3o vinha com DLC, patch de corre\u00e7\u00e3o ou modos de acessibilidade. O jogo que voc\u00ea deveria &#8220;enfrentar&#8221; estava completo ali na sua frente, encarcerado dentro de um cartucho de poucos cent\u00edmetros mas com muito desafio pela frente. Naquela \u00e9poca n\u00f3s termin\u00e1vamos o jogo porque insist\u00edamos. Porque err\u00e1vamos, aprend\u00edamos e tent\u00e1vamos de novo. N\u00e3o consigo lembrar de nenhum jogo da inf\u00e2ncia que me perguntava se eu estava tendo muita dificuldade e sugeria uma redu\u00e7\u00e3o no n\u00edvel do desafio&#8230; era quase uma prepara\u00e7\u00e3o para a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Citando, &#8216;ipsi literis&#8217;, um dos melhores discursos da cultura pop: &#8220;O mundo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sol e arco-\u00edris, \u00e9 um lugar muito cruel e nojento e, n\u00e3o importa o qu\u00e3o dur\u00e3o voc\u00ea seja, ele vai te botar de joelhos e te manter l\u00e1 pra sempre se voc\u00ea deixar. Voc\u00ea, eu, ningu\u00e9m vai bater t\u00e3o forte quanto a vida! Mas n\u00e3o \u00e9 sobre o qu\u00e3o forte voc\u00ea consegue bater, \u00e9 sobre o qu\u00e3o forte voc\u00ea consegue apanhar e continuar seguindo em frente, o quanto voc\u00ea consegue aguentar&#8230; e continuar seguindo em frente. \u00c9 assim que se ganha!&#8221; Quem n\u00e3o conhece o discurso, assiste ao Rocky 6 (ou se voc\u00ea quer acelerar a recompensa, procura o v\u00eddeo no YouTube que tem l\u00e1 o trecho completo).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A dificuldade como parte da jornada<\/strong><br>Quem viveu essa \u00e9poca sabe o peso e a beleza de ver os cr\u00e9ditos rolarem. Era quase um ritual. Tivemos <em>Super Mario World (e as dezenas de teorias sobre o n\u00famero de fases), Mega Man X<\/em> <em>(e as diferentes formas de derrotar os chefes que voc\u00ea tinha que descobrir)<\/em>, <em>Super Metroid (com seu mapa gigantesco e v\u00e1rios pontos escondidos)<\/em>, <em>Donkey Kong Country (quem nunca passou raiva na fase do carrinho da mina?)<\/em>, <em>Kid Chameleon (e a ingrata descoberta de que voc\u00ea n\u00e3o nasceu preparado), Battletoads (o que \u00e9 aquela fase da moto?), Sonic (Daniel, eu achei f\u00e1cil, mas n\u00e3o poderia deixar este cl\u00e1ssico de fora)<\/em>. Cada jogo com sua l\u00f3gica pr\u00f3pria e seus castigos. Alguns tinham passwords gigantescos com caracteres que nunca t\u00ednhamos visto que anot\u00e1vamos num papel amassado e que tinha enorme probabilidade de desaparecer na pr\u00f3xima faxina. Outros s\u00f3 salvavam em pontos espec\u00edficos. Alguns n\u00e3o salvavam nada, obrigando a recome\u00e7ar tudo quando o console desligava. E a vida era assim&#8230; nem sempre as coisas eram mais f\u00e1ceis ou menos f\u00e1ceis&#8230; elas eram o que elas eram e n\u00f3s t\u00ednhamos que nos adaptar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas mesmo assim n\u00f3s insist\u00edamos. Porque havia algo profundamente humano naquela mec\u00e2nica de tentativa e erro. A sensa\u00e7\u00e3o de ultrapassar uma fase dif\u00edcil era proporcional \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o que ela nos causava. Nada era perdido. Tudo era aprendizado. A recompensa da vit\u00f3ria superava a frustra\u00e7\u00e3o da derrota.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os ciclos que fechamos e os ciclos que protelamos<\/strong><br>Na vida adulta o conceito de finaliza\u00e7\u00e3o ficou diferente. Hoje temos conte\u00fados infinitos, atualiza\u00e7\u00f5es constantes, tarefas que nunca acabam, responsabilidades que n\u00e3o d\u00e3o <em>Game Over<\/em> nem nos deixam pausar o jogo. E \u00e9 justamente a\u00ed que o encerramento de um ciclo se torna t\u00e3o importante. Ele nos permite refletir, calcular a rota, olhar para tr\u00e1s, para os lados e seguir em frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Encerrar um ciclo \u00e9 admitir que chegamos ao final de uma fase. \u00c9 reconhecer que aquela hist\u00f3ria teve um arco, um desafio, um aprendizado e um desfecho. N\u00e3o significa resolver tudo, mas aceitar que algo foi vivido por completo. E que agora \u00e9 hora de avan\u00e7ar para o pr\u00f3ximo cap\u00edtulo, mesmo que ainda n\u00e3o saibamos qual \u00e9 o chef\u00e3o da pr\u00f3xima fase. Pode ser que o chef\u00e3o anterior at\u00e9 tenha sido mais dif\u00edcil, mas n\u00e3o ser\u00e1 o mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando fechar o jogo era t\u00e3o prazeroso quanto jogar<\/strong><br>Nos anos 90, terminar um jogo era uma celebra\u00e7\u00e3o \u00edntima. Algo que s\u00f3 acontecia porque o jogador atravessou todos os obst\u00e1culos. Essa sensa\u00e7\u00e3o hoje rareia. N\u00e3o porque somos menos capazes, mas porque vivemos em uma l\u00f3gica de continuidade infinita. Sempre h\u00e1 mais epis\u00f3dios, mais notifica\u00e7\u00f5es, mais demandas, mais conte\u00fado, mais pend\u00eancias. Sempre tem um conte\u00fado novo que voc\u00ea ainda n\u00e3o consumiu, alguma novidade que voc\u00ea &#8220;est\u00e1 de fora&#8221;, a sensa\u00e7\u00e3o do &#8220;<em>fomo (fear of missing out)&#8221; <\/em>atormentando-nos constantemente&#8230; quem sabe eu escreva sobre isso em breve.<\/p>\n\n\n\n<p>Encerrar um ciclo no mundo atual \u00e9 quase um ato de resist\u00eancia. \u00c9 como dizer ao c\u00e9rebro que sim, aquilo termina aqui. N\u00e3o precisa prolongar, revisar mentalmente, tentar otimizar ou recome\u00e7ar. Finalizar se torna t\u00e3o terap\u00eautico quanto teclar aquele Start que come\u00e7ava tudo. O Reset aqui n\u00e3o tem espa\u00e7o. A vida real n\u00e3o permite resets muito amplos, o que n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o possamos tentar novamente, mas que a nova tentativa n\u00e3o substitui a anterior. Ela vem carregada da experi\u00eancia que voc\u00ea j\u00e1 teve, quase como um &#8220;rogue-like&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Checkpoint final<\/strong><br>Encerrar ciclos \u00e9 uma forma de honrar a nossa pr\u00f3pria trajet\u00f3ria. Assim como os jogos da nossa inf\u00e2ncia, cada fase da vida vem com seus desafios, suas vidas perdidas, seus acertos e suas recompensas. Como eu disse l\u00e1 no come\u00e7o do texto, a linha de chegada de 2025 est\u00e1 logo adiante&#8230; e n\u00e3o importa se este ano pareceu um longo RPG, um plataforma fren\u00e9tico ou um puzzle que n\u00e3o fez sentido nenhum. O importante \u00e9 reconhecer que voc\u00ea chegou at\u00e9 aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro, que j\u00e1 est\u00e1 bem a\u00ed, come\u00e7a outra fase. Talvez mais dif\u00edcil, talvez igual, talvez mais leve&#8230; s\u00f3 o tempo nos dir\u00e1. Costumo dizer aos meus pacientes que existe um elemento nos tratamentos que nenhum dinheiro no mundo compra: o tempo!<\/p>\n\n\n\n<p>Por ora, permita-se sentir o que a vida raramente nos d\u00e1: a sensa\u00e7\u00e3o de conclus\u00e3o. Porque, ao contr\u00e1rio dos jogos de hoje, a vida n\u00e3o nos oferece DLC para completar o que ficou para tr\u00e1s ou a oportunidade de baixar o n\u00edvel de dificuldade. Ela oferece algo mais precioso: UM PR\u00d3XIMO COME\u00c7O!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais um ano vai se encerrandoSemana passada n\u00e3o coloquei nenhum texto na coluna&#8230; falha minha que pe\u00e7o perd\u00e3o pelo fato de estarmos numa \u00e9poca de comemora\u00e7\u00f5es, reflex\u00f5es e planejamentos&#8230; mas mesmo assim, uma fase de muito trabalho. Mais um ano vai se encerrando, mais um ciclo vai se fechando. 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