EDIÇÃO 002
Saudações, leitores! Preparei aqui um apanhado das notícias mais interessantes desta semana com uma opinião sincera, portanto vamos lá QUEBRAR A SEMANA!
Xbox Partner Preview: gostaram dos jogos mostrados?
No dia 26 a Microsoft mostrou no seu evento alguns dos jogos que virão em breve para as caixas verdes. O mesmo tempo que tem joguinhos como Bluey para crianças/jovens encontrei muitas pérolas com gráficos de cair o queixo. Artificial Detective e Hunter: The Reckoning me saltaram aos olhos! Serious Sam também estava lá e nunca me esqueço quando peguei essa franquia pela primeira vez no PC, lá no longínquo ano de 2001, sobrevivente do bug do milênio, para rir demais com esse fps non sense.

A DLC de S.T.A.L.K.E.R. 2 e HADES II também foram gratas surpresas. Agora o que eu gostei mesmo foi de ver que diversos dos títulos anunciados são, seguindo a estratégia da empresa, “xbox play anywhere” ou seja, você adquire o jogo uma vez (ok, não adquire o jogo e sim a licença para jogar) e pode ativar esse jogo na nuvem, no PC, no Xbox, no portátil. Esse recurso somado com o Quick Resume dos Xbox Series são de longe os meus favoritos!
No total foram mostrados dezenove jogos que serão lançados em breve dos quais quatorze deles estarão disponíveis para jogar desde o primeiro dia com o Xbox Game Pass Ultimate e sete são títulos inéditos!
No próximo dia 07 de junho haverá também o Xbox Games Showcase e logo na sequência o Gears of War EDAY: que novidades podemos esperar sobre o novo hardware e futuros jogos até esta data?
Playstation anuncia oficialmente o novo Project Playmo: que nada, Primeiro de Abril! Obs: eu quase acreditei! 😀
Primeiro de Abril também marcou os 50 anos da Apple e isso não é pegadinha. São 50 anos pensando diferente, para os rebeldes e inconformistas… Que inclui os gamers! Alguém se lembra como era difícil fazer um jogo funcionar nos Apple e como isso mudou com o Apple 2 e muitos games sendo produzidos nessa máquina fantástica?
Mario de volta às telonas
O encanador mais famoso do mundo voltou às telas essa semana e já está dando o que falar, dividindo opiniões, mas novamente marcando uma grande bilheteria na estréia.
Jogos de Tabuleiro: The Division da UBISOFT vai ganhar um RPG de mesa

Tom Clancy’s The Division poderá ser jogado também na mesa da sala através da Arkhane Asylum Publishing. Anunciado esta semana através de uma campanha no Kickstarter que foi programada para ser lançada em 28 de abril de 2026, nas palavras da empresa, “este projeto trará a tensão característica da franquia, a intensidade tática e a icônica construção de mundo para os jogos de mesa, oferecendo aos fãs uma nova maneira de vivenciar The Division por meio de narrativas imersivas e missões guiadas pelos jogadores”.
Creio que todos jogamos pelo menos um dos dois “The Division” e sabemos da história do vírus que foi liberado em Nova York e mergulhou todo o país num colapso, especialmente as instituições públicas. À medida que a pandemia se agrava facções violentas emergem desse caos e transformam a cidade em terra de ninguém. E agora, quem poderá nos defender? A Divisão (The Division) que é uma rede de agentes infiltrados (nós, os jogadores).
Mathieu Saintout diretor da Arkhane Asylum confirmou que o jogo está sendo desenvolvido há cerca de três anos e finalmente está finalizado: esse kickstarter é na verdade uma pré-venda com a produção começando imediatamente após a campanha e as entregas previstas para o final deste ano de 2026.
Num “Guia de Início Rápido” que foi recentemente divulgado pelo site Polygon podemos confirmar que o jogo vai utilizar dados de 10 faces em vez de uma combinação de diferentes tipos de dados, reforçando assim uma abordagem tática e simplificada por meio do novo sistema chamado “GRIS”. Os jogadores serão os agentes e usarão habilidades que, conforme os resultados de um a cinco desses dados de 10 faces, poderão escolher um único “dado de resolução” do conjunto e determinar os resultados, comparando com a dificuldade alvo e ativando ou não bônus adicionais como dano extra ou efeitos de suporte aprimorados!
Para quem é fã de jogos de tabuleiro o artigo completo pode ser lido em inglês aqui. Quando o jogo estiver no mercado vamos analisar e publicaremos um review, aguardem!
Também anunciaram o novo “Tom Clancy’s The Division Resurgence” disponível dispositivos iOS e Android. Este RPG shooter mobile free-to-play em terceira pessoa é para um público maior de 18 anos e totalmente ambientado no mundo urbano aberto do jogo original The Division, exatamente entre os eventos do primeiro e do segundo. Vale a pena jogar?
GTA 4 Beta descoberto por acaso em Xbox 360 perdido no tempo!
É muito comum na Europa e Estados Unidos algo muito parecidos com as nossas “Feira do Rolo” aqui do Brasil, as chamadas “Feiras da Bagageira”. As pessoas estacionam seus carros, abrem os porta-malas, colocam uma mesinha na frente e vendem tudo quando é tipo de coisas, de peças de carro a carros inteiros, games, ferramentas, etc. Em São Paulo capital temos vários domingos com eventos assim específicos para videogames e um evento anual Canal 3 Expo, organizados pelo ex-mega-colecionador Ricardo Wilmers, também com muitos itens raros como já pude conferir algumas vezes.
Algum tempo atrás lá nos idos de 2022, num desses encontros, um gamer da Inglaterra encontrou arquivos de um jogo perdido do Michael Jackson. Não o jogo em si mas arquivos de vídeo para aquela máquina gigante AS1 dos parques de diversão, mas ainda assim um achado sensacional!
Agora, quatro anos depois, surge outro gamer da Escócia que pagou cinco libras (mais ou menos 40 reais) num Xbox 360 e quando chega em casa o que tem nele? Apenas 118Gb de arquivos beta, recursos não usados, um paraíso para fãs e colecionadores da franquia ainda mais agora tão perto do lançamento de GTA VI.

Nunca encontrei nada assim tão sensacional mas já achei na rua, sobre uma caixa de energia, um Mega Drive 2, controles, jogos e um controle arcade 6 botões, tudo funcionando. E vocês, qual a sorte grande que já tiraram nos games? Contem para a gente!
Depois de 40 anos o Brasil reconhece os trabalhadores de games!
Na verdade mais de 40 anos depois! Mas finalmente todo esse setor começou a ser legalmente considerado! Pessoas como o Dr Marcio Filho da ACJOGOS-RJ e tantos outros lutaram pelo trâmite e correta contextualização do Projeto de Lei no. 2796/2021 que virou a Lei Federal 14852/2024 (não é a Lei Felca e sim o Marco Legal dos Games) sancionada pelo presidente Lula em 03 de maio de 2024, bem como também toda a articulação política.
Agora o passo seguinte e natural é a alteração nas CNAEs (Classificação Nacional de Atividade Econômica) de modo que esses profissionais possam se registrar como microempreendedores individuais (MEI) e também fossem contratados com a ocupação corretamente indicada.
“Os investidores estrangeiros ouvem muito falar sobre a complexidade da lei trabalhista brasileira. Não se trata de compará-la com qualquer outra legislação ao redor do planeta, mas de observar as características daqui.” – Marcio Filho
Antes os trabalhadores, sem definição formal do que fazem, torna suas jornadas extensivas a todas as tarefas relacionadas, inclusive aquelas que pouco ou nada teriam com a ocupação de fato, refletindo na falta tempo para se capacitar na área ou, pior ainda, para manter a qualidade de vida.
As primeiras etapas já entraram em vigor com as alterações na CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) e dão conta da inclusão das primeiras profissões listadas na lei, que foram estas:
- 2624-30 – Artista visual de jogos eletrônicos – Artista de efeitos visuais (vfx), Artista de jogos 2d, Artista de jogos 3d, Artista de jogos eletrônicos, Artista técnico de jogos (tech art), Game artist
- 2624-35 – Designer de jogos eletrônicos – Designer de games, Game designer
- 2624-40 – Designer de narrativa de jogos eletrônicos – Escritor de jogos, Game writer, Narrative designer, Roteirista de jogos
“A área produtiva dos jogos digitais já movimenta mais de R$ 1 bilhão em território nacional, ajudando a consolidar o soft power nacional no mundo.” – Marcio Filho
Não tenho dúvidas que ainda há muito o que fazer pelo setor. As pautas são um acúmulo de 40 anos de absoluto esquecimento mas a certeza que a mobilização dos profissionais garantiu avanços como os empregos formais em jogos e a segurança jurídica aos investidores segue firme para os próximos passos.
O artigo completo publicado no parceiro The Gaming Era pode ser lido aqui e maiores informações diretamente no site oficial do Ministério do Trabalho e Emprego.
Em evento realizado na Inglaterra, John e Brenda Romero refletem sobre a crise no setor de jogos: “Sinto que a indústria está numa situação realmente terrível…”
Romero Games é uma empresa com pouco mais de uma década sediada em Galway, na Irlanda. Pilotando essa nave os incríveis John e Brenda Romero, apenas o casal mais influente do mundo dos jogos desde sempre. John, claro, é um prodígio e apenas o “DoomGuy” enquanto Brenda possui uma extensa lista de créditos em jogos, é autora de livros e uma gigante defensora da indústria.
Durante o evento Dark and Doomy realizado em Wakefield, Inglaterra, John e Brenda refletiram sobre as dificuldades que enfrentaram no último ano, com o repentino corte de financiamento que os obrigou a reduzir drasticamente o estúdio de 110 pessoas para apenas 9 e sobre o estado da indústria dos jogos de forma geral.
“Sinto que a indústria está numa situação realmente terrível. Quer dizer, nós estávamos lá nos anos 80 durante a crise, e esta é definitivamente pior. Há pouquíssimas pessoas que não foram afetadas, ou cujos parceiros foram afetados, ou que estão preocupadas em serem afetadas. É um momento muito difícil agora.” – Brenda Romero
Nem eles mesmos escaparam! Com esse corte de financiamento, um dos sites irlandeses anunciou o fechamento do estúdio que repercutiu no mundo todo: “Foi frustrante porque um site de notícias irlandês publicou: ‘Romero Games fechou as portas‘, o que, na verdade, não tínhamos feito. Então, muitos veículos de imprensa americanos repercutiram. De qualquer forma, aquela publicação já se desculpou por ter se precipitado. Mas não, nunca fechamos. E obviamente foi um período extremamente turbulento, mas conversamos com várias empresas diferentes, sobrevivemos e o jogo sobreviveu.” – explicou Brenda.

Romero Games segue com seu projeto de um jogo cooperativo de nível AA, com muito conteúdo e dificuldades para compor todo esse material com poucas pessoas no estúdio, segundo a Brenda. “As pessoas com quem trabalhamos não têm essa ilusão de ‘Vamos criar algo que supere Battlefield’, é simplesmente ´Vamos fazer o melhor jogo que pudermos, com as nossas capacidades atuais e o design que temos.´”.
Brenda e John são vorazes jogadores de Balatro e Minecraft, respectivamente, entre outros títulos do coração. “Quer dizer, no fundo, somos apenas nerds e basicamente criamos uma família de nerds. Estamos sempre falando sobre jogos, a menos que tenhamos alguém em casa que não goste. Aí a família inteira tenta puxar assunto sobre qualquer coisa e o assunto eventualmente acaba voltando para os jogos.”
Artigo original publicado no site GamesIndustry.Biz.
Que tal se sua mente fizesse parte de um jogo? É o projeto de Will Wright que voltou à mídia esta semana!
Li na revista Vulture New York desta semana algo sensacional: Will Wright, que todos conhecemos dos jogos de simulação e todas as variações que vieram (Sim City, Sim Ant, The Sims e por aí vai) tem um projeto de jogo desde 2015 que eu julgava morto em combate mas não: segue em desenvolvimento.
Da mente deste gênio nasceram alguns dos meus jogos favoritos (Sim City original e Sim City 2000) e da minha esposa (The Sims, um presente meu a ela logo quando casamos) e agora, no seu projeto, ele deseja que nossas memórias sejam parte da experiência.

Explicar o que há na mente de Will Wright é como tentar explicar o relógio derretendo num quadro de Salvador Dali. Entretanto o jornalista Eric Boodman conseguiu decifrar parte deste enigma e escreveu um magnífico artigo que inspirou esta nota no nosso Quebrando a Semana.
Chamado Proxi esse jogo foi anunciado na Game Developers Conference de 2018, experimentaram diversos algoritmos de IA e recrutaram artistas para ajudar no desenvolvimento. Reuniram a comunidade como beta testers. Em 2024 gastando um milhão de dólares do próprio bolso de Wright e alguns milhões de investidores, o financiamento acabou: estavam relutantes em injetar mais dinheiro até terem certeza de que o projeto, fosse lá o que fosse, era viável.
Apenas dois ou três funcionários que permaneceram continuaram trabalhando sem receber! A equipe contratou um antigo colega da EA, bem como alguns especialistas em IA que estavam reescrevendo todo o código do Proxi, claro, trabalhando sem remuneração por enquanto, no chamado “modo típico de startup.” O rápido aprimoramento da IA havia expandido seus horizontes e eles finalmente imaginavam Proxi mais flexível. O personagem construído em conjunto entre o jogador e o algoritmo poderia ser importado para outros jogos ou até mesmo sites de genealogia onde poderia evocar e conversar com seus próprios antepassados.
O jogo é complicado de explicar mas é uma espécie de mapa com bolhas de memórias dos jogadores, criadas com IA e algoritmos em tempo real conforme cada jogador insere descrições de memórias significativas de suas vidas e as etiquetam com palavras que se encaixavam em seis categorias: pessoas, lugares, tempo, sentimentos, atividades e coisas. Depois de adicionarem memórias suficientes, o software procurava tendências, diagramando as associações e os temas recorrentes como o fluxo de tráfego de uma cidade.

Não sei ainda se estou pronto para compreender o projeto ou a mente do gênio Will Wright mas estou em dúvida se é um jogo mesmo ou uma nova espécie de “Sim Life” comigo como protagonista. A questão é: será que queremos reviver nossa vida toda em forma de jogo? Superar obstáculos que tivemos medo e evitamos no passado? Ficam as dúvidas!
Semana que vem tem mais assuntos! Acompanhem nosso programa Quebrando a Semana toda sexta-feira no youtube oficial do Quebrando o Controle, sempre com um convidado especial para comentar e debater sobre atualidades.
Participe, envie suas dúvidas e sugestões, você pode ser o próximo convidado a comentar as notícias! TV interativa é isso! Até lá! 🙂

Aprendeu em 1983 com o Atari 2600 o que era um videogame. Do tempo da internet discada, das cartas em máquina de escrever e de conversar pessoalmente! Joga desde o Telejogo Philco-Ford aos consoles mais recentes e celular, gosta de experimentar games indies. Coleciona consoles e jogos que fizeram parte da história! Pai, Motard e Gamer. 😉