O mercado de jogos eletrônicos celebra neste mês o trigésimo aniversário de Resident Evil, franquia que redefiniu o conceito de terror e sobrevivência na indústria. Lançado originalmente em 22 de março de 1996 para o PlayStation, Resident Evil (conhecido como Biohazard no Japão), imortalizando-se por meio de seus zumbis, ângulos de câmera fixos e sustos memoráveis — como o icônico salto do cachorro pela janela da mansão. O título não apenas consolidou o gênero Survival Horror, mas também estabeleceu a Capcom como uma potência global em narrativa interativa. Ao longo de três décadas, a série transitou por diversas gerações de hardware, adaptando suas mecânicas de câmeras fixas para a ação em terceira pessoa e, posteriormente, para a imersão visceral da primeira pessoa. O impacto comercial é indiscutível, com a marca superando 160 milhões de unidades vendidas mundialmente, impulsionada recentemente pelo sucesso crítico de Resident Evil Requiem, lançado em fevereiro de 2026.
Ao completar 30 anos neste dia 22 de março, a saga Resident Evil reafirma sua hegemonia na Capcom.
Inovação técnica e o nascimento de um gênero
A gênese de Resident Evil está profundamente ligada às limitações técnicas do hardware da década de 90 e à criatividade de Shinji Mikami. O projeto surgiu inicialmente como um remake espiritual de Sweet Home, um RPG de terror lançado pela Capcom para o NES em 1989. Entretanto, ao observar as capacidades de renderização 3D do primeiro console da Sony, a equipe decidiu criar algo inteiramente novo. A decisão de utilizar cenários pré-renderizados com ângulos de câmera fixos foi uma solução brilhante para contornar a baixa capacidade de processamento da época. Essa escolha permitiu que os desenvolvedores entregassem um nível de detalhamento visual impossível em ambientes totalmente poligonais, gerando a atmosfera claustrofóbica que se tornou marca registrada da saga.
O sucesso da franquia também se deve à sua capacidade de ditar tendências mercadológicas e estéticas. A transição ocorrida em 2005 com Resident Evil 4 alterou permanentemente a estrutura dos jogos de tiro em terceira pessoa, introduzindo a “câmera sobre o ombro”. Essa inovação técnica influenciou diretamente títulos de peso como Gears of War e Dead Space, provando que a série possuía fôlego para se reinventar. Em 2026, observamos que a Capcom mantém a relevância da marca ao equilibrar remakes de alta fidelidade técnica com novos capítulos numerados. A empresa utiliza o motor gráfico RE Engine, que se tornou um padrão de eficiência na indústria por sua capacidade de entregar fotorrealismo com excelente performance em múltiplas plataformas, incluindo o recém-lançado Nintendo Switch 2.
Os 183 milhões de jogos vendidos globalmente, coloca a saga no topo do ranking de lucratividade da Capcom, deixando para trás gigantes como Monster Hunter (125 milhões) e Street Fighter (58 milhões).
Com 6 milhões de cópias vendidas em duas semanas, Resident Evil Requiem tornou-se o maior lançamento da história da série no mês passado.
Curiosidades e marcos da produção original
Muitos detalhes sobre o desenvolvimento do primeiro jogo revelam como o acaso e as questões legais moldaram a identidade da franquia. O nome original japonês, Biohazard, precisou ser alterado no ocidente devido a conflitos de direitos autorais com uma banda de rock homônima e um jogo de DOS já registrado nos Estados Unidos. O departamento de marketing da Capcom USA realizou um concurso interno, onde o nome “Resident Evil” foi o vencedor, apesar de inicialmente ter sido recebido com ceticismo por parte dos desenvolvedores japoneses. Outro ponto icônico é a abertura em live-action, que utilizou atores amadores e dublagens hoje consideradas caricatas, mas que na época serviram para aumentar a imersão cinematográfica pretendida pela empresa.
Ao completar 30 anos neste dia 22 de março, a saga Resident Evil reafirma sua hegemonia na Capcom. Os 183 milhões de jogos vendidos globalmente a colocam no topo do ranking de lucratividade da editora, deixando para trás gigantes como Monster Hunter (125 milhões) e Street Fighter (58 milhões).
Cronologia completa dos títulos principais
Abaixo, apresentamos a listagem dos jogos que compõem a linha do tempo principal e os derivados mais relevantes lançados nestes 30 anos de história. A lista reflete a evolução constante da narrativa, que partiu de um incidente isolado em uma mansão para uma conspiração bioterrorista de escala global.
Resident Evil (1996)
Resident Evil 2 (1998)
Resident Evil 3: Nemesis (1999)
Resident Evil Code: Veronica (2000)
Resident Evil Zero (2002)
Resident Evil 4 (2005)
Resident Evil 5 (2009)
Resident Evil: Revelations (2012)
Resident Evil 6 (2012)
Resident Evil: Revelations 2 (2015)
Resident Evil 7: Biohazard (2017)
Resident Evil 2 Remake (2019)
Resident Evil 3 Remake (2020)
Resident Evil Village (2021)
Resident Evil 4 Remake (2023)
Resident Evil Requiem (2026)
Uma mensagem especial para os fãs
Para celebrar os 30 anos de Resident Evil, a Capcom publicou uma mensagem especial aos fãs. O produtor executivo Jun Takeuchi celebrou o sucesso nas redes sociais, agradecendo aos jogadores e garantindo empenho total para seguir entregando ‘experiências excepcionais’ no futuro.
Veja a seguir mensagem nas redes sociais para os fãs da franquia.
Uma mensagem para todos os nossos fãs do produtor executivo da série Resident Evil, Jun Takeuchi, por ocasião do nosso 30º aniversário.
Aos nossos queridos fãs da série Resident Evil Hoje se comemora o 30º aniversário de Resident Evil. Queremos expressar nossa sincera gratidão a todos os fãs que nos apoiaram ao longo do caminho desde o lançamento do nosso primeiro jogo em 22 de março de 1996. No mês passado, lançamos Resident Evil Requiem. Com o retorno a Raccoon City, o lugar onde tudo começou, combinamos os dois corações da série — terror e ação — e os agrupamos em um único título. E agora, Requiem já alcançou seis milhões de jogadores ao redor do mundo. Muito obrigado a todos. Nossa equipe continuará trabalhando duro para trazer a todos vocês ainda mais experiências maravilhosas no futuro — e seria uma honra se vocês continuassem conosco nessa jornada. Obrigado novamente pelo apoio.
E como os fãs reagem?
Muitos fãs comemoram a data como a turma do Resident Evil Database que fizeram até um bolo para celebrar os 30 anos da franquia.
O primeiro jogo e a abertura icônica – Resident Evil (1996) – abriu um novo estilo de jogo no Playstation, mas sua introdução original , conhecida como o clássico “live-action” de abertura, estabelece o clima de terror e mistério que definiu a franquia.
O futuro da sobrevivência
O marco de 30 anos de Resident Evil demonstra que o terror psicológico e a gestão de recursos continuam sendo pilares fundamentais para o engajamento do público adulto. A Capcom conseguiu evitar a estagnação ao abraçar mudanças drásticas de jogabilidade, sempre mantendo a identidade central baseada no medo do desconhecido e no avanço científico desenfreado. Para o futuro, a tendência é que a inteligência artificial desempenhe um papel crucial no comportamento dos inimigos, tornando as ameaças menos previsíveis e mais adaptáveis ao estilo de cada jogador. A franquia não é apenas um sucesso comercial; ela é o barômetro técnico para o gênero horror na indústria global de games.
Como você avalia o equilíbrio atual da Capcom entre o desenvolvimento de remakes e novos títulos numerados?
O lançamento de Resident Evil Requiem em 2026 estabelece um novo padrão para o gênero ou a série deveria retornar às suas raízes de câmera fixa?
Imagens : Capcom / ebay.com / museumgames.com.ar/ X Twitter