O Control Break dessa semana, programa de entrevistas e análise das notícias do QoC, conversou com a desenvolvedora Nickie Maxine, referência em produção de jogos no Norte do país e também uma das líderes no incentivo à participação feminina e de mulheres trans e não-bináries na cena de games nacional.
Após o encerramento do programa – que você confere na íntegra ao final desse artigo – a profissional generosamente relatou o bate-papo, destacando aspectos muito relevantes de sua jornada nos games brasileiros e do encontro identitário que teve consigo mesma, trazendo maturidade pessoal e corporativa e reforçando na jovem a importância de agir em favor desse contingente de interessadas e iniciantes no campo dos games que nem sempre conta com apoio para integrar-se a esse mercado.
Abaixo, segue o relato sensível e pungente da game designer, postado em sua conta de Instagram, narrando suas experiências e descobertas na produção de jogos e muito além.
Hoje terminamos o dia (às 21:40, em Manaus) com um bate-papo no Quebrando o Controle que me levou de volta para vários momentos diferente na timeline da minha vida e da minha carreira.
@jamdasminas Foi a iniciativa que me abriu as portas para indústria de games, mas muito mais que isso, foi meu primeiro abrir de olhos para o que estava além das portas.
Foi o primeiro espaço seguro, primeiro acolhimento e primeira rede de apoio crucial para me fazer acreditar em sonhos que eu NUNCA imaginaria alcançar.
Foi na Jam das Minas que perdi o medo de falar em público, percebi que existiam espaços que poderia ser ouvida, me trouxe o censo inicial da importância de uma comunidade, e me fez acreditar que poderia fazer o mesmo por outres com realidades parecidas com a minha… início da construção de um propósito muito grande.
Foi especialmente muito importante a Women Game Jam (@wgjbr), um segundo passo tão importante quanto o anterior, mas foi o momento em que eu percebi e senti a necessidade de sair da bolha da minha comunidade.
Não para abandonar, mas para fortalecer.
Encontrei muito mais que fortalecimento… encontrei diversidade num recorte muito maior, mais forte, com o alcance do mundo… mas apesar da sua imensidão, foi o lugar onde eu encontrei “Nickie” como realmente é e não como as pessoas queriam que fosse.
Minha identidade se encontrou e se revelou no conforto, no acolhimento e segurança que a WGJ me proporcionou. O evento tem mais que um pedaço de mim.
Manas Game Dev (@manasgamedev) é o matinho que eu encontrei onde tá sendo capinado com muito esforço e cuidado.
É o espaço que encontrei pra depositar aquelas sementes que eu tinha guardadas no bolso… dos frutos colhidos durante todo o processo de amadurecimento nas outras iniciativas… foi o momento e espaço seguro ideal para depositar, enraizar, cuidar e compartilhar com tudo que vivi e aprendi.
Naiá (@naia.games) é o projeto que me faz me desafiar de maneira individual todos os dias. Porque não existe alguém pra me direcionar ou me ensinar, me educar, abrir meus olhos, me ouvir.
É o projeto que me ensina a ser forte e me faz acreditar que todo esforço que coloquei, valeu demais até aqui.
A equipe do Quebrando o Controle se sente privilegiada de poder abrir espaço para o registro de manifestações tão significativas e transformadoras como as palavras de Nickie Maxine e agrade a oportunidade de trazer essa importante contribuição para o momento atual no segmento brasileiro de jogos digitais.

Imagem: fotomontagem

Idealizador do projeto Indie Brasilis, ex-editor e atual colaborador do Quebrando o Controle, o jornalista se diz um Geek assumido e fanático por RPG e Dungeons & Dragons. O profissional atua desde 2007 no jornalismo de games, com passagens pelos veículos Portal GeeK, Game Cultura, GameStorming, Rádio Geek e Drops de Jogos, entre outros.