Game + Arte + Cultura + Comunidade? Sim, por favor!

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O título que parece um mero gancho para debate é uma realidade há muitos anos, que o digam os inúmeros artistas e desenvolvedores pelo mundo com seus jogos e experiências virtuais educativas e de entretenimento cada vez mais realistas, lúdicas, sociais e que atraem pessoas de todas as idades.

Para comprovar isso o Itaú Cultural organiza pela terceira vez em São Paulo, bem na Avenida Paulista, uma exposição que reúne passado (com história dos games) e futuro ao apresentar os projetos acessíveis, inclusivos, diversos e orgulhosamente, muitos deles, brasileiros!

Quem pensa que a produção nacional de jogos eletrônicos hoje em dia é apenas de “bomba patch” ou clones de outros jogos produzidos lá fora, engana-se: o Brasil tem nessa área também mais uma riqueza cultural que transcende as capitais e vêm de todos os lados: da roça, do sertão nordestino, da Amazônia, do Acre, o que antes eram as “tribos” ou a rapaziada do computador reunida em lan parties nas capitais, hoje são realmente tribos: indígenas, caiçaras, quilombolas, ribeirinhos. Que são,  misturas maravilhosas da nossa cultura unidas pela tecnologia e entretenimento! Nosso país é um celeiro de talentos e essa mostra é oportunidade de termos contato com uma fração disso, parabéns Itaú Cultural!

Fui conferir pessoalmente a “Game+ Arte, Cultura e Comunidade” que, através de uma curadoria muito eficiente da Itaú Cultural e consultoria do Prof. Sergio Nesteriuk, conectou num mesmo espaço essa tecnologia lúdica com arte e inovação através do percurso interativo do visitante com os jogos, pelas atividades coletivas e conhecendo projetos que exploram o impacto cultural dos games, sempre enaltecendo essa forma incrível de arte eletrônica.

Segundo o texto institucional, a “terceira incursão do Itaú Cultural (IC) nesse espaço lúdico, se articula em três eixos curatoriais. O olhar amplo sobre os games ajuda a entender o seu passado, participar do seu presente e pensar o seu futuro.”

A exposição reúne 51 jogos, 25 consoles e diversos outros conteúdos em variados gêneros e nacionalidades mas faço questão de destacar o brasileiro “Amazônia” de 1985 do pioneiro e mestre Renato DeGiovanni e o inclusivo BREU, um audio jogo dedicado a pessoas com deficiência visual mas que pode ser jogado por pessoas com visão: o verdadeiro sentido de “jogo cooperativo”. Tenho de saudar a participação da ABLEGAMERS nesse quesito e por todo o trabalho que fazem no Brasil em defesa da inclusão. 

Breu: Ataque das Sombras (2023)

 

Espalhado em três andares essa experiência interativa se centra em três eixos: “Sociedade e Economia Criativa”, “Educação” e “Arte e Inovação”, uma excelente iniciativa dentre as últimas duas mostras já realizadas em 2003 e 2009.

O visitante já começa bem-vindo com uma mostra mais histórica de consoles e jogos, aqui entre nós meu local favorito de toda a mostra!

No andar de baixo encontra espaços voltados ao coletivo, com movimento e dança como “Just Dance” ao mesmo tempo tendo zonas para aquele tradicional duelo de sofá igual era antigamente: só faltou a pipoca e suco!

No último piso a exposição retrata aquela “caverna gamer” sonho de todo jogador, com duas dezenas de estações dedicadas aos indies, com uma área central muito bem pensada e dedicada aos jogos mobile (jogos de tablet e celular).

Encontrará ainda surpresas que não quero dar spoiler mas está lá, por exemplo, um cartucho do jogo “E.T. o Extraterrestre” para o Atari 2600 que foi autografado pelo seu lendário desenvolvedor Howard Scott Warshaw, jogo este escavado diretamente do deserto, nos Estados Unidos. Há consoles raros e experiências interativas para toda a família. 

Não deixem de conferir também o divertido “Huni Kuin: Yube Baitana” ou traduzido do indígena “Os Caminhos da Jiboia”, um jogo apoiado pelo projeto RUMOS e que aborda a história do povo Huni Kuin nativo das terras indígenas do Rio Jordão, no Acre.

A lista completa dos jogos e projetos expostos no museu pode ser encontrada no site oficial e gostei tanto dessa seleção que vou escrever mais alguns artigos sobre cada um deles, acompanhe aqui nosso trabalho do site Quebrando o Controle!

Recomendo ainda visitar a exposição num destes dias abaixo e aproveitar participar:

– Da oficina “Atrás dos Controles: Iniciação de Roteiro para Games“, que acontece nas próximas terças-feiras dias 24 de fevereiro, 03 e 10 de março às 15h;

– Da “Oficina de criação de acessórios“, que ocorre nos domingos 15 e 22 de fevereiro às 11h;

– Do seminário nos dias 23 e 24 de fevereiro e também 02 e 03 de março das 19h às 21h, com autoridades do setor debatendo sobre economia criativa e políticas públicas, além da presença de um personagem de videogame criado especialmente para o evento!

 


Os games fazem parte do cotidiano dos brasileiros e impulsionam a economia criativa, segundo a pesquisa realizada pelo Observatório Fundação Itaú sobre os hábitos culturais dos
brasileiros, revelando que mais da metade da população já jogou games, principalmente
entre os mais jovens.

A recém-lançada 6ª edição da pesquisa pode ser acessada AQUI e inclui:

Os hábitos culturais dos brasileiros mostram a força dos games no país: 52% da população já jogou alguma vez, e 41% jogou nos últimos 12 meses — um índice superior ao de atividades tradicionais como ir ao cinema (37%), assistir a espetáculos de dança (33%), visitar exposições (27%) ou ir ao teatro (22%).

A maior parte desse público é formada por jovens de 16 a 24 anos (88%), seguida pelos grupos de 25 a 34 anos (67%) e 35 a 44 anos (52%). Entre os mais velhos, de 45 a 65 anos, o percentual cai para 27%.

Quando observamos a classe econômica, o engajamento é maior nas classes A/B (64%), seguido pela classe C (54%), e menor na classe D/E (36%). Em relação à escolaridade, 61% dos jogadores têm ensino superior, 54% estão no ensino médio e 27% no ensino fundamental.

A participação entre gêneros é equilibrada: 63% dos homens e 60% das mulheres afirmam jogar.

No dia 19 de dezembro de 2025 foi lançado ainda a 49ª edição do Caderno do Professor, realizada pela
equipe de Enciclopédia Itaú Cultural, com o tema Games: o lúdico entre a lógica e a estética. A sequência didática deste caderno voltado para os anos finais do Ensino Fundamental propõe uma abordagem do game como linguagem cultural que articula lógica (regras, recompensas e
estratégias) e estética (imagens, sons e narrativas), com o objetivo de criar um espaço de escuta e diálogo com estudantes engajados em jogos, sensibilizando-os para novas percepções da realidade.

Esse caderno é uma fonte valiosa de informações para uso em sala de aula e pode ser acessado AQUI.

 

Aproveitei conversar um pouco com o Prof. Sergio Nesteriuk que foi muito gentil em acompanhar nessa visita, a quem agradeço o tempo e a cuidadosa dedicação para que o espaço fosse uma experiência única. Seu histórico como professor e legado no setor de games brasileiro foi um diferencial para que o sucesso dessa exposição se consagrasse.

A TV Cultura através do programa Metrópolis fez uma visita completa e publicou na internet, quem não puder vir pessoalmente fica aqui abaixo o registro para uma espiada:

 

Game+ Arte, cultura e comunidade

Em exposição até dia 08 de março de 2026

Terça a Sábado das 11h às 20h – Domingos e feriados das 11h às 19h

Entrada LIVRE

(menores de 14 anos precisam estar acompanhados de um dos pais ou responsáveis!


Agradecimento especial à equipe da Conteudoink.
Crédito das Imagens: Lucas Nave / Grupophoto

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