Um grupo de profissionais ligados à produção de jogos digitais brasileiros acaba de anunciar a criação do SindJogos, Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Jogos e Desenvolvimento de Games do Estado De São Paulo.
A organização da classe tem por objetivo representar uma resposta coletiva deste segmento industrial aos “anos de precarização, exploração e abusos que têm marcado o setor no estado que concentra a maior parte da indústria brasileira de jogos eletrônicos”, como explica o texto de divulgação da iniciativa no Instagram.
Os criadores da chapa sindical defendem lutar contra as jornadas exaustivas de crunch, o assédio moral e sexual nos ambientes corporativos voltados ao desenvolvimento de jogos, combater a instabilidade laboral e ausência de direitos básicos, entre outras reivindicações.
“Os números revelam uma indústria bilionária que enriquece às custas do esgotamento profissional. Pesquisas recentes mostram que 78% dos desenvolvedores brasileiros já trabalharam em regime de crunch, com jornadas que frequentemente ultrapassam 12 horas diárias”, continua o texto. “Destes, 63% não receberam qualquer tipo de compensação pelas horas extras trabalhadas. A situação é ainda mais grave entre profissionais PJ, que representam a maior parte da categoria e trabalham completamente desprotegidos pela legislação trabalhista”, comunica o informe do grupo.
Nomes de destaque no meio estão entre os idealizadores do projeto, a exemplo de Flavia Gasi, pesquisadora, escritora e criadora de jogos, Raquel Motta, integrante do estúdio Sue The Real, e Fabio Cacho, um dos criadores do jogo Ghetto Zombies, que deve ser lançado em dezembro deste ano.
Está prevista a realização de uma Assembleia de Fundação do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Jogos e Desenvolvimento de Games do Estado de São Paulo, no próximo dia 7 de dezembro, a partir das 9h, no SIMESP, Sindicato dos Médicos de São Paulo, na Rua Maria Paula, número 78, 1º andar, na Bela Vista, em São Paulo, capital.
O evento está aberto a todos os profissionais da indústria de games: funcionários de estúdios, freelancers, produtores independentes, e estudantes.
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Idealizador do projeto Indie Brasilis, ex-editor e atual colaborador do Quebrando o Controle, o jornalista se diz um Geek assumido e fanático por RPG e Dungeons & Dragons. O profissional atua desde 2007 no jornalismo de games, com passagens pelos veículos Portal GeeK, Game Cultura, GameStorming, Rádio Geek e Drops de Jogos, entre outros.