Efeito Mandela das Cores: quando o cérebro inventa o que não existe

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Quando o cérebro cria realidades próprias
Esses dias estava lendo um conto do H.P. Lovecraft, “A Cor Que Caiu do Espaço”, e me perguntei: é possível imaginar uma cor que não existe?

Acho que todo mundo gosta de especular… seja sobre universos paralelos e realidades alternativas, seja sobre coisas inimagináveis… E aí decidi pesquisar sobre o assunto e descobri que existe uma forma curiosa de provocar um pequeno “glitch” perceptivo usando apenas duas cores e um pouco de paciência. Não precisa de laboratório nem de equipamento sofisticado. Basta olhar para o estímulo certo e deixar o cérebro fazer o resto.

O fenômeno é chamado de percepção de cores impossíveis. Parece ficção científica, mas é apenas neurociência funcionando no limite. Quando dois estímulos muito fortes e opostos chegam ao mesmo tempo, os cones da retina entram em conflito e começam a enviar sinais confusos. O resultado pode ser uma cor que não está no papel, não está na tela e não existe no espectro físico. Mesmo assim, você jura que viu. É como a cor indescritível do conto, aquela que não se encaixa em nenhuma categoria humana.

Como provocar o efeito
A experiência é simples. Divida uma tela ou uma folha em duas metades. Vermelho puro de um lado, verde puro do outro. No meio, desenhe uma linha preta finíssima. Foque o olhar exatamente nesse traço por alguns segundos, preferencialmente com um olho só. Não tente observar as cores diretamente, apenas mantenha o foco no centro.

Depois de um tempo, algo pode acontecer. A fronteira entre as duas cores pode desaparecer, desbotar ou se transformar em uma cor estranha, indefinida, como se o cérebro estivesse indeciso sobre como interpretar aquele estímulo. Algumas pessoas veem apenas as duas cores normais, outras percebem uma espécie de apagamento, e algumas relatam uma “terceira cor” sem nome. Parece um erro da matriz visual.

Nada de mágico está acontecendo no ambiente. A tal cor impossível não existe fora de você. Ela é produzida pela retina, viaja pelo caminho visual e surge no córtex como um improviso neural. É o tipo de coisa que Lovecraft teria adorado e que deixaria qualquer personagem de seus contos completamente perplexo.

Por que isso acontece
Essa pequena experiência revela algo importante sobre o cérebro. Ele detesta a ideia de falha interpretativa. Quando recebe sinais que se anulam, tenta criar coerência a qualquer custo. A cor impossível é isso. Uma tentativa criativa de resolver um conflito interno.

Esse improviso mostra como a nossa percepção é construída. Nada do que vemos chega ao cérebro de forma bruta. Tudo passa por filtros, ajustes e reconstruções. Se o sistema visual é capaz de inventar uma cor inteira para preencher uma lacuna, imagine o que ele pode fazer com memórias, convicções e certezas. Algo pode parecer tão real quanto uma lembrança antiga e, ainda assim, existir apenas na mente.

Checkpoint final
Se decidir testar o experimento, talvez você não veja nada de diferente. Talvez descubra uma cor estranha surgindo na fronteira entre o vermelho e o verde. Independentemente do resultado, a experiência deixa um lembrete poderoso. Nossa visão, assim como nossas lembranças, é menos uma fotografia do mundo e mais uma interpretação contínua.

E, em alguns momentos, essa interpretação é bem mais Lovecraft do que gostaríamos de admitir.

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