O bolsista de pós-doutorado no Instituto de Medicina Física e Reabilitação (Imrea) da Faculdade de Medicina (FM-USP), Lucas Murrins Marques, afirma que os games podem funcionar como uma estratégia de regulação emocional e promover confiança e determinação nos jogadores.
A afirmação faz parte de um recente estudo do qual o bolsista participa, que mergulha na revisão de estudos anteriores e foi conduzida por pesquisadores da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP) e da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), com conclusões que ressaltam as características dos jogos digitais em aspectos que podem ser considerados positivos ou não a depender do contexto que cerca a vivência do praticante com os games.
“A natureza positiva ou negativa da prática depende de fatores como o contexto cultural”, afirma o pesquisador, enfatizando que “os jogos eletrônicos não são exclusivamente um ato de escapismo, mas uma forma de diversão”.
A pesquisa mapeou outros 36 estudos científicos de países como Austrália, Cingapura, Coreia do Sul, Croácia, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, Alemanha, Hungria, Itália, Japão, Malásia, Países Baixos, Polônia, Suécia, Suíça e Taiwan e observou que a busca por escapar da vida real pode ser motivada por fatores como ansiedade social, antecedentes competitivos, sofrimento psiquiátrico e baixa autoestima.
Os pesquisadores afirmam, no entanto, que o escapismo não é a única motivação para jogar. Fatores como a sensação de poder, o interesse pela mecânica do jogo, a socialização, o trabalho em equipe, a exploração e a interpretação de personagem também são pontos observados no trabalho científico.
O sentimento de pertencimento, a integração em comunidades virtuais e a diminução da solidão em pessoas ansiosas são outros fatores importantes, avaliam.
“Um dos artigos analisados na revisão tratava justamente de pessoas que jogavam para escapar da realidade do desemprego e conseguiam atingir um estado de autoconclusão – ao passar fases, experimentavam aumento de autoestima e bem-estar”, informa Marques.
A íntegra do artigo Escaping through virtual gaming – what is the association with emotional, social, and mental health? A systematic review pode ser acessada no site Frontiers.
Fonte: Fapesp
Imagem: AR Post

Idealizador do projeto Indie Brasilis, ex-editor e atual colaborador do Quebrando o Controle, o jornalista se diz um Geek assumido e fanático por RPG e Dungeons & Dragons. O profissional atua desde 2007 no jornalismo de games, com passagens pelos veículos Portal GeeK, Game Cultura, GameStorming, Rádio Geek e Drops de Jogos, entre outros.