Ideias em Jogo – Como foi a edição 8 – FORMAÇÃO: Os caminhos para fazer sua carreira em jogos

Idéias em Jogo
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Muitos estavam com saudades e ele voltou! O evento do Ideias em Jogo voltou com força total em 2016. Como prova tivemos as mais de 60 pessoas que compareceram ao Porto Iracema das Artes no último sábado, 09 de abril e conferiam a presença de professores representando entidades de ensino com enfoque em jogos, membros da Associação de Desenvolvedores de jogos do Ceará e todos os demais interessados na pauta desta edição.

A 8ª edição do Ideias em Jogo, evento no qual se reúnem os ativistas, pesquisadores e professores para promover, articular e alinhar o discurso da matéria jogos analógicos e eletrônicos no cenário mercadológico, acadêmico e cultural. Teve desta vez como pauta o tema – FORMAÇÃO: Os caminhos para fazer sua carreira em jogos.

O evento iniciou com a apresentação do Professor Lima Junior, coordenador do Curso Técnico de Animação Gráfica para Jogos Eletrônicos, que acontece no Porto Iracema das Artes, em sua palavra comentou sobre o curso e eventos que sempre acontecem no Porto Iracema e convidou a todos para utilizarem mais esta ferramenta que esta disponível a todos. Bem como o curso de animação que é gratuito e tem uma ótima infra-estrutura e qualidade na sua formação com enfoque para a arte nos jogos.

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Professor Lima Júnior, coordenador do Curso de Animação Gráfica para Jogos Eletrônicos do Porto Iracema

Em seguida houve a palestra de Daniel Valente, apresentando o tema: Construindo um game para consoles da nova geração”. Nesta ele apresentou toda a concepção e as propostas do projeto da Escola Art & Cia de um jogo que esta sendo produzido para a loja virtual da plataforma SONY, a PSN. Um projeto bem elaborado, onde o desenvolvimento está acontecendo na escola e a  produção acontece com os alunos do curso, com a assistência de professores e apoio técnico da Valente Studio.

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Daniel Valente, falando do projeto da Art & Cia com a SONY

Em continuidade, a ASCENDEJOGOS (Associação Cearense de Desenvolvedores de Jogos), representada por Ítalo Furtado, que também é desenvolvedor de jogos na empresa Me ‘n U,  apresentou sua proposta para a comunidade, indicou a importância de haver esta associação e os benefícios que esta pode trazer para os desenvolvedores de jogos. A ASCENDEJOGOS é oriunda do Grupo CINDIE, que integra grande parte das empresas de jogos que temos hoje no Ceará. Em suas palavras, o representante da associação convocou inclusive a todos os desenvolvedores a participarem do processo de formação da mesma, bem como de serem mais atuantes e colaborativos, em eventos, nos grupos de desenvolvedores locais e nas interações que tem acontecido para que o cenário de desenvolvimento de jogos no estado do Ceará possa ser mais representativo e produtivo no contexto nacional.

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Ítalo Furtado, apresentando a ASCENDEJOGOS

O ponto alto do evento veio com o debate: “FORMAÇÃO: Os caminhos para fazer sua carreira em jogos“, este contou com a participação de professores das entidades de ensino de nossa cidade, que foram severamente indagados e questionados sobre a situação atual do mercado de jogos no Brasil e no nosso estado, entre outros assuntos e entre os presentes estavam:

  • Prof. Bruno Saraiva – Faculdade Farias Brito
  • Prof. Claudio Martins – Art & Cia
  • Prof. Eduardo Mendes de Oliveira – Faculdade 7 de Setembro
  • Prof. Felipe Lins – Unichristus
  • Prof. Glaudiney Mendonça – Universidade Federal do Ceará
  • Prof. Helder Chaves – Estacio do Ceará
  • Prof. Izequiel Norões – União Cearense de Gamers / Estácio do Ceará
  • Prof. Lima Junior – Porto Iracema das Artes/Unifor
  • Prof. Rafael Moura – BEPiD – Instituto Federal do Ceará
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Convidados ao debate do Ideias em Jogo

Muitas questões foram levantadas e começou com um alinhamento dos participantes falando sobre como é a formação e a sua posição e compromisso com os profissionais de jogos que eles colocam a disposição do mercado no nosso estado. Notaram que o mercado tem melhorado muito, e hoje com mais instituições formadoras as oportunidades tem aparecido, só que muitos dos que saem para o mercado devem ter mais atenção a sua qualificação e entender que mesmo saindo de uma instituição de nível superior ou de um curso técnico é necessário investir em cursos, aprimoramento, estágios para se obter experiência, entre outros fatores que favorecem e muito a sua colocação no mercado.

Outro ponto bastante discutido foi sobre a formação dos professores, e colocado o caso de um professor que mesmo não tendo produzido um jogo, ou ter um portfólio de jogos, este pode ser ou não válido para a formação dos alunos de um curso de desenvolvimento de jogos.  Ao ser colocado esse assunto, foi comentado pelos convidados que a área de jogos é um setor de formação que esta no seu início, uma área recente, que engloba muitas disciplinas e no nosso estado há a escassez de profissionais para algumas destas, ainda tem a estrutura das entidades de ensino superior e outros fatores,  que forçam muitas vezes aos coordenadores e responsáveis pelos cursos a montarem sua grade de mestres com base em qualificações e até mesmo com o que se encontra nos quadros da instituição. A procura por profissionais Doutores, Mestres e Especialistas sempre acontece, mas ainda é insipida. Porém muitos dos cursos ainda sim conseguem ter professores que se esforçam e desbravam o contexto existente, fazendo o melhor com o conteúdo a ser colocado e buscando o melhor para qualificar seus alunos.

Foram muitas colocações e um papo muito produtivo, onde ficaram muitas questões e falas que podemos destacar:

“O grande problema no momento não é achar pessoas que queiram jogar, e nem pessoas que queiram entrar para o mercado de jogos e sim, o que falta é gente para preparar essas pessoas… A ultima coisa que vocês vão fazer em um curso de jogos é jogar”  Helder Chaves

 “Na nossa época, não exista escolas em games, não existiam uma formação em animador gráfico, uma formação 3D para aprender ou animar jogos… Você não vai sair da sua faculdade e ter uma Blizzard batendo na sua porta para lhe contratar, você não vai sair da sua faculdade e ter uma pessoa que vai lhe pagar 25 mil reais por mês” Lima Júnior

Virei professor por ter visto a necessidade na formação e de formar pessoas neste sentido… Se eu vejo um aluno vencendo, eu venci” Bruno Saraiva

“Sair da universidade e trabalhar com jogos era uma realidade que não existia, quando a gente sentou para criar o curso de mídias digitais decidimos incluir a área de jogos para mostrar a possibilidade de trabalhar… Nenhum curso vai lhe transformar no MacGyver dos jogos, somente seu empenho irá te levar ao seu objetivo” Glaudiney Mendonça

“Eu fui atrás, desenvolvi, criei aplicativos mas eu não conhecia os profissionais da área. Se eu não estivesse aqui hoje eu nunca iria conhecer esses profissionais… Se eu não fizer parte do mercado e ir atrás, ele nunca vai aparecer”  Rafael Moura

“Uma questão importante é de sermos relevantes, estamos em uma época da informação e temos acesso  a informação muito fácil e como professor antes de formular minha aula eu procuro trazer algo que meu aluno ainda não sabe e fique interesado” Felipe Lins

“Muitos alunos nos procuram atrás de uma esperança ou uma ultima chance para um trabalho, e devemos ser francos a respeito do que acontece, e pé no chão… É Muito melhor dar um não hoje, do que iludir o aluno dizendo que seu projeto terá sucesso”  Claudio Martins

Tornar a experiência do ensino a mais satisfatória possível, para o professor e para o aluno O aluno não pode simplesmente aceitar tudo o que um professor faz…  O processo de ensino deve ser, entrópico e empático, e colaborativo. O aluno tem ser mais atuante e colaborativo e parte do processo” Eduardo Mendes

Procure explorar o máximo do seu professor, colabore com ele pois o papel dele é lhe ensinar e o seu de aprender Colaborem. Sejam mais atuantes, seja como aluno, como participantes dos grupos, como professores… O cenário de jogos no nosso estado depende da atuação de todos” Izequiel Norões

 


 

Ao final do evento, Daniel Valente e Cláudio Martins concederam entrevista à UCEG onde foram questionados sobre mercado nacional e local assim como a parceria com a EPIC GAMES e a Sony.

UCEG: Boa noite, primeiramente gostaria de agradecer a presença de vocês ao evento de hoje e pela ótima palestra ministrada. Gostaria de saber um pouco mais sobre como se deu a parceria com a EPIC GAMES, vocês tiveram total liberdade criativa na produção do jogo?

Claudio Martins: Boa noite, com relação a parceria com a EPIC GAMES, ele nos deram total liberdade criativa desde o desenvolvimento do enredo até criação de personagens e cenários, além de terem oferecido todo o suporte em questões técnicas e dúvidas durante o desenvolvimento do jogo. Eles investiram na ideia pois olharam como um diferencial o fato da produção de um jogo em parceria com uma empresa brasileira e do estado do Ceará, e assim difundir um pouco mais o conceito de criação de jogos

UCEG: Vocês citaram que o jogo estará disponível na Playstation Network, PSN, no final de 2017. Como é feita a divulgação do produto?

Claudio Martins: A divulgação do produto está a caráter da Sony, ela é responsável pela divulgação em eventos e outras formas de divulgação da marca. Sabemos que a divulgação e propaganda de um produto, não apenas de um jogo, é algo fundamental para seu sucesso.

UCEG: Daniel, você comentou sobre os desafios para encontrar profissionais capacitados nas áreas de programação e desenvolvimento de jogos, de que maneiras você enxerga que essa escassez de mãe de obra qualificada e de que maneiras podemos combater essa questão?

Daniel Valente: Boa noite, é difícil manter profissionais qualificados nesse ramo principalmente quando não temos oportunidades para eles no mercado nacional e local. Umas das maneiras na qual podemos fazer com que esta realidade mude é mostrando tanto para o mercado quanto para os profissionais que é viável sim a produção de jogos no Brasil.

O evento como um todo foi muito bom, principalmente pela grande presença do público,  e esperamos que em breve poder colocar novamente as Ideias em Jogo!


 

Izequiel Norões
Professor, Analista de Sistemas, Diretor da UCEG e pai do Icaro.
“Jogos não são joguinhos”

 

 


 

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André Mesquita
Mercante e amante de jogos digitais
‘A cultura gamer vai muito além de pressionar botões’

 

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