
Olá pessoal, a coluna dessa semana vem com um convidado muito especial e com notícias muito boas para quem curte videogame no estado do Ceará. Sim! \o/ Finalmente, o Museu do Videogame Itinerante esta chegando a Terra do Sol e vamos falar um pouco com seu criador e curador.
Por meio da UCEG vínhamos tentando contato e saber notícias de quando esta grande referência nacional da História do Videogame viria para nossa cidade, tivemos a confirmação e inclusive noticiamos isso em primeira mão, que de 5 a 20 de setembro teremos esta atração disponível para o público cearense. No bate papo a seguir, com o criador deste museu, teremos mais detalhes.
Cleidson Lima, tem 42 anos, nascido em Rio Branco-AC, casado há 15 anos e pai de duas meninas. Jornalista de tecnologia há 20 anos, pós-graduado em marketing e mestre em comunicação. Atual curador do Museu do Videogame Itinerante, editor do maior jornal de Mato Grosso do Sul (Correio do Estado) e também escreve sobre games para o Olhar Digital.

Ideias: Você se considera um gamer? Desde quando veio seu interesse por jogos eletrônicos?
Cleidson: A primeira vez que joguei videogame foi com 7 anos. Na casa de um amigo, tive contato com o Telejogo Philco Ford, de 1977 (o primeiro console fabricado no Brasil). Meu primeiro videogame só fui ter com uns 14 anos. Era um Supergame CCE VG-2800, um clone do Atari que, na época, custava menos da metade do modelo oficial da Polyvox.
De lá para cá, nunca mais parei de jogar. Além de curtir videogames, durante toda a infância e adolescência, quando passei a escrever sobre tecnologia, os videogames passaram a ser também minha profissão. Acredite! Sou pago para jogar e testar lançamentos de jogos em todas as plataformas. Participo de eventos de games em todo o mundo.
O meu trabalho é testar os novos jogos, mas minha paixão mesmo são os clássicos dos consoles dos últimos 40 anos. Confesso que meus preferidos são os cartuchos do Atari.
Ideias: “Os games retrô estão na moda”, você concorda com essa frase? Como você vê o conceito de colecionismo relacionado a games e a “moda” dos jogos retrô?
Cleidson: Eu vejo a moda do retrô muito positiva. Quando comecei a colecionar, eu e mais alguns dos grandes colecionadores do país eramos taxados de malucos. Isso, em parte, era muito bom, pois foi um período que tivemos muitas doações e também os itens eram muito baratos se comparados aos dias atuais. Como sempre viajei muito para o exterior, eu comprava itens nos EUA e Europa por 10 ou 15 dólares.
Os tempos mudaram e programas na tv a cabo, como Trato Feito, Os Caçadores de Relíquias e Restauradores acenderam o gosto pelo retrô e colecionáveis. O ponto positivo é que o respeito aos itens do passado aumentou muito. Os consoles clássicos saíram da condição de lixo para relíquia. O ponto negativo é que o comércio desses itens foi inflacionado de uma forma irresponsável. Muita gente se baseia em alguns preços de sites de leilões para colocar preços em seus produtos, mas esquecem que esses produtos anunciados nunca serão vendidos pelo preço pedido.
Ideias: Como veio a ideia de colecionar consoles e artigos relacionados a videogames?
Cleidson: A ideia de colecionar veio de uma necessidade de obter informações para o livro que estou escrevendo sobre a história dos videogames. A internet traz muitas informações erradas e isso detectei rapidamente nos consoles que eu já conhecia. O problema é que havia algumas centenas de outros consoles que eu não conhecia e, para escrever sobre eles, só havia uma maneira de obter dados verdadeiros: comprando o console.
Em 10 anos, a coleção passou de 4 para mais de 200 consoles, desde o primeiro do mundo até os atuais.
Ideias: Conhece muitos colecionadores no Brasil e no exterior acha importante o contato com eles? Como você vê o mercado de retrogames por aqui e lá fora? Há uma certa disputa aqui no Brasil?
Cleidson: Conheço muitos colecionadores no Brasil e no exterior. Temos um grupo muito grande aqui no país: o Canal 3. Ele reúne talvez os maiores colecionadores de consoles e jogos da América Latina.
O grupo sempre promove encontros e isso é importante para que todos consigam trocar experiências, trocar e vender itens repetidos.
Não vejo uma “disputa” entre os verdadeiros colecionadores. Na verdade, não podemos dizer que há um “maior colecionador”, mas sim vários colecionadores com itens raros que, se fossem juntar tudo em uma única exposição, ultrapassariam o Museu do Videogame de Berlim.
Ideias: Vamos falar um pouco do Museu Itinerante, ele já visitou grandes cidades e esta vindo para Fortaleza, como veio a ideia deste museu?
Cleidson: Somente em 2015, o Museu do Videogame Itinerante já visitou cinco cidades: Campo Grande-MS, Londrina-PR, Recife-PE, Pelotas-RS e Salvador-BA. Até agora, já tivemos 2,2 milhões de visitantes. Em agosto, visitaremos Aracaju (15 a 23 de agosto) e, em seguida, de 5 a 20 de setembro, chega a vez de Fortaleza.

O Museu do Videogame nasceu em 2011 após uma discussão de relação com minha esposa. Ela me deu um ultimato: “Ou você transforma isso em um museu ou eu coloco você e esses videogames para fora de casa”. E eu mostrei quem manda: Ela :). De 2011 a 2014, fizemos a exposição somente em Campo Grande-MS. Tivemos mais de 700 mil visitantes nos 4 anos.
Em 2014, resolvemos registrar o Museu do Videogame Itinerante no Ibram – Instituto Brasileiro de Museus e descobrimos que é o primeiro do gênero registrado no país. O conceito do museu, que permite não só conhecer, mas também jogar nos consoles clássicos de todas as épocas, nos ajudou a receber o prêmio de “Museu mais criativo do país” pelo Ministério da Cultura em 2014.
Ideias: Sobre a cultura de jogos eletrônicos no Brasil, você acha importante que os games sejam melhores vistos no nosso pais? Acha que aquela visão que nossos pais tinham que “tudo é joguinho” ainda existe? O que é necessário para mudar e o que o Museu Intinerante tem feito para contribuir com o cenário de games no Brasil?
Cleidson: Pouco a pouco, o preconceito aos videogames está diminuindo e não é difícil entender o porquê. Eu tenho 42 anos e meu pai (já falecido) nunca havia jogado videogame porque ele jamais tinha tido contato quando jovem, uma vez que, quando surgiu o primeiro console no país ele já tinha mais de 40 anos.

A nossa geração é diferente. Eu e milhões de adultos de hoje em dia crescemos nesse meio. Conseguimos entender melhor os filhos porque também fomos assim. Os jogos evoluíram, muitos nem jogam mais os atuais, mas já tiveram a experiência lá atrás.
O que falta ao nosso mercado é uma redução drástica de impostos para que possamos ter consoles e jogos a preços justos para difundir ainda mais a cultura gamer no país. O papel do Museu do Videogame é exatamente relembrar os adultos e mostrar para as crianças que o videogame fez parte de várias gerações e pode ser divertido para toda a família.
Ideias: O Colecionismo envolve a questão do saudosismo. Vi você jogando FIFA na TV, curte os consoles atuais? O que achou da nova geração?
Cleidson: Eu gosto muito dos consoles da nova geração. Muitos dizem que há falta de títulos, mas isso aconteceu em todas as gerações de consoles que joguei, desde o Atari. O PlayStation 1, que foi um marco da indústria, ficou pelo menos dois anos amargando pouquíssimos títulos e, depois que se popularizou, recebeu centenas de jogos que marcaram época.
Por motivos profissionais, eu jogo todos os estilos de jogos e o que mais admiro na atual geração são os gráficos realistas. No entanto, é preciso muito mais para conquistar os gamers atuais, que estão a procura também de bons enredos e desafios.
Ideias: Há planos para um museu fixo? Ou filiais do Museu Itinerante espalhados no Brasil?
Cleidson: Não temos intenção de ter o Museu do Videogame fixo. O Brasil é muito grande e seria injusto manter a exposição em uma só cidade. Temos planos de visitar todos os estados do país e isso deve acontecer até o fim de 2016.
Ideias: Como você percebe o mercado de games no Brasil hoje? Realmente há um crescimento positivo nos últimos anos?
Cleidson: O mercado de games cresceu muito e grande parte desse sucesso se deve também aos dispositivos móveis (celulares e tablets). Temos muito a crescer ainda e isso acontecerá com menor força aqui no Brasil nos próximos dois anos em virtude da crise econômica.
Ideias: Qual a sua expectativa da vinda para Fortaleza e o que o nosso público pode esperar do evento?
Cleidson: Fortaleza foi a primeira cidade do país, depois de Campo Grande, a manifestar interesse em receber o evento. O público do Ceará é aficionado por tecnologia e games e, por isso, esperamos o mesmo sucesso de Recife e Salvador, nas quais tivemos mais de 700 mil visitantes em cada shopping.
No shopping RioMar Fortaleza, onde o evento acontecerá de 5 a 20 de setembro, os visitantes encontrarão 43 anos de história em mais de 250 consoles de todas as épocas. O melhor de tudo é que o evento será gratuito, graças aos parceiros que apoiam nosso projeto, como PlayStation, Nintendo, Philips, Ubisoft, entre outros.
Além de conhecer a história, o público também poderá jogar em consoles de todas as gerações livremente e ainda curtir o palco Just Dance, simuladores de corrida e ainda consoles da última geração, como PlayStation 4 e Wii U.
Agradecemos ao amigo Cleidson Lima por esta entrevista, e se achou que poderia saber um pouco mais sobre colecionismo gamer, convidamos a todos a comparecerem na palestra que será realizada no Centro Universitário Estácio – Moreira Campos no próximo dia 31/08 as 18:00 horas.

Professor, Analista de Sistemas, Presidente da UCEG e pai do Icaro.
“Os jogos podem mudar o mundo”
