Mundo BITS | Patrocínios de Futebol e Videogames: Parte 2 – Sega

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Dando seguimento à nossa série sobre patrocínio de empresas de videogames a times de futebol, precisamos falar da Sega, que acertou, mas também errou muito. E mesmo nos erros, acabou participando de uma das camisas mais icônicas da história do futebol, com o fantástico esquadrão do Arsenal no começo dos anos 2000.

Nos anos 90, a maior rival da Nintendo era a Sega (vamos combinar que qualquer gamer que se preze sabe disso, ok?), e ela também decidiu entrar no mundo do futebol para divulgar seu nome.

A disputa entre as duas se estendeu aos campos de futebol, com ambas as empresas estampando seus nomes (não posso falar em marcas, pois você verá no artigo da semana que vem que a Nintendo, inicialmente, patrocinou o time Kyoto Sanga sem o logo da empresa, escrevendo o nome em kanji, caracteres da língua japonesa) em times da J. League, a liga de futebol do Japão.

Bem, antes de chegarmos ao famoso e bem-sucedido Arsenal da virada do milênio, que teve um belíssimo e emblemático uniforme com o logo do Dreamcast (1º uniforme) e com o nome da SEGA no (2º uniforme), devemos nos transportar para o Japão e conhecer o JEF United Ichihara Chiba (seu nome é retirado dos títulos corporativos das duas empresas que lhe deram apoio financeiro: JR East e Furukawa Electric), um time de Ichihara, que já jogou na primeira divisão do país, a J. League Division 1 (liga japonesa de futebol), mas atualmente está na série B da Terra do Sol Nascente.

O JEF United tem uma longa e orgulhosa história. Quando a Sega patrocinou o clube em seus primeiros anos, criou um dos mais memoráveis uniformes da J. League; o amarelo brilhante contrastando perfeitamente com o logotipo azul-celeste da Sega, ladeado pelo mascote Sonic, devidamente paramentado com traje de futebol. Infelizmente, essa associação durou pouco, mas vale a pena notar que, nos últimos anos, a Sammy – a empresa com a qual a Sega se fundiu em 2004 – patrocinou as costas da camisa do JEF United.

JEF United of Japan foi patrocinado pela SEGA por quatro anos

O JEF United fechou um contrato de quatro anos com o fabricante japonês de jogos e consoles SEGA a partir de 1992.

Em 1999, a SEGA tinha um grande desafio: se reposicionar no mercado com o lançamento do Dreamcast, console que nasceu para suceder o Saturn, que havia levado uma surra do PlayStation da Sony.

E como parte da divulgação do novo console, lançado no final de 1998 no Japão e no ano seguinte na América do Norte, Europa e no resto do mundo, o futebol era uma aposta do departamento de marketing da Sega, que buscou em quatro das maiores ligas europeias, times para ostentarem o logo do novo console em suas camisas.

O nome Dreamcast seria visto no peito de quatro clubes europeus: na Itália, França, Inglaterra e Espanha. Sampdoria da Itália, AS Saint-Étienne da França, o Deportivo La Coruña da Espanha e, o mais conhecido de todos, Arsenal da Inglaterra, vestiram camisetas que promoveram o recém-lançado console.

Da esquerda para a direita – Sampdoria (1º uniforme), AS Saint-Étienne (2º uniforme) | Arsenal (1º uniforme) | Deportivo de La Coruna (1º uniforme)

No final do século, a camisa da Sampdoria exibia o logotipo da plataforma de jogos online grátis da SEGA, Dreamarena.

O Arsenal revezava os nomes Dreamcast, no 1º uniforme, e SEGA, no uniforme de visitante. De início, o segundo uniforme era amarelo e preto, até 2000. Já em 2001, o 2º uniforme passou a ser dourado e azul-escuro. O Arsenal também teve um 3º uniforme em 2000, pouco usado, num azul-escuro, com o nome Dreamcast em amarelo.

Os uniformes vermelhos do Arsenal com patrocínio do Dreamcast marcaram época e eram belíssimos. O amarelo e o dourado, apesar de chamativos, também eram bem legais. E o azul, usado como 3º uniforme em 2000, pode ser classificado como daqueles que dá até pra ir a festas com ele, de tão bonito que era. Deem uma conferida nas fotos logo abaixo e me digam se concordam ou não comigo.

1º uniforme (vermelho e branco) e 2º uniforme (amarelo e preto) do Arsenal, com patrocínio SEGA e Dreamcast

O caro negócio com o Arsenal da Premier League é considerado por muitos como um erro de julgamento chave que posteriormente levou ao declínio da participação de mercado da SEGA e eventual saída do mercado de consoles.

Apesar do sucesso do Arsenal, que era dirigido por Arsène Wenger, e tinha no elenco nomes como: os ingleses David Seaman (que, apesar de ter sofrido o famoso gol de Ronaldinho Gaúcho na Copa de 2002, era um baita goleiro), Ray Parlour e Ashley Cole; os holandeses Dennis Bergkamp (craque absurdamente talentoso) e Marc Overmars; os franceses Thierry Henry (um dos maiores centroavantes do início dos anos 2000), Patrick Vieira, Robert Pires e Emmanuel Petit; o sueco Freddie Ljungberg e o croata Davor Šuker, já em final de carreira.

O Arsenal, entre as temporadas de 2000 e 2005, foi um dos maiores times que já vi jogar em minha vida, com uma aplicação tática exemplar e com Bergkamp, Henry e Pires formando um dos trios de ataque mais eficientes deste século.

Semana que vem, continuaremos com a segunda parte de nosso especial, desta vez falando da Nintendo como patrocinadora de times de futebol.

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