Nintendo impede a utilização de cartões estrangeiros na eShop da Argentina.

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Foto : Youtube

Recentemente, a comunidade de fãs da Nintendo tem sido surpreendida com promoções irresistíveis e opções simplificadas para a aquisição de jogos, tudo graças à loja virtual da Nintendo na Argentina (saiba mais lendo o artigo completo). No entanto, a partir de hoje, 18/08, ao tentar efetuar qualquer compra no site argentino, os usuários se deparam com a seguinte mensagem informativa:

A compra de jogos na eShop da Argentina com cartões emitidos no Brasil está atualmente indisponível. Ainda não temos informações claras sobre se essa limitação se aplica exclusivamente à eShop argentina ou se abrange todas as eShops.

Vale destacar alguns pontos factuais relacionados a essa situação:

A restrição imposta à eShop argentina vai além de uma simples tentativa da Nintendo de proteger seus lucros. É crucial lembrar que os preços dos jogos no país foram reduzidos devido à desvalorização da moeda argentina, um fenômeno que tem afetado a economia globalmente e é resultado de uma crise econômica persistente no país ao longo de vários anos. A perspectiva de uma recuperação a curto prazo parece improvável.

Desde a divulgação dos resultados das prévias presidenciais, cujas eleições estão agendadas para o dia 22 de outubro, a situação econômica da Argentina tem se deteriorado ainda mais. O valor do peso argentino, que já estava em um patamar baixo de R$ 0,017 em relação ao real, caiu para R$ 0,014. Isso agravou ainda mais a crise, a ponto de comerciantes enfrentarem dificuldades em precificar seus produtos, conforme destacado em um artigo do jornal O Globo.

A possibilidade de dolarização (substituição da moeda local pelo dólar) é uma das propostas do candidato presidencial em potencial, Javier Milei. Desde a divulgação de sua vitória nas prévias, o peso argentino sofreu uma desvalorização de 20% em relação ao dólar. Esse é um caminho que já vem sendo explorado por alguns setores da economia, como mencionado em um artigo da XP, que também aborda aspectos da crise observada na Argentina.

A seguir, um trecho do artigo que ilustra a adoção do dólar em alguns setores da economia local.

Em alguns setores da economia, como o mercado imobiliário, a moeda considerada já é o dólar. O peso argentino no mercado paralelo vale quase a metade comparado com o câmbio oficial. A criação deste cambio reflete a falta de confiança na moeda doméstica após traumas recorrentes.

Considerando todas essas informações, é razoável inferir que a restrição imposta pela Nintendo foi uma resposta natural aos acontecimentos no país. Independentemente das opiniões sobre os preços praticados pela Nintendo globalmente, é importante compreender que os preços mais baixos na Argentina são resultado de uma crise econômica e não de uma promoção deliberada da empresa.

É compreensível que essa situação possa ser frustrante, afinal, quem não deseja aproveitar preços mais baixos? No entanto, é crucial reconhecer que a situação econômica na Argentina está longe de ser favorável. Não se trata de uma melhora na moeda local ou em qualquer outra moeda que permitiria aproveitar esses valores. Ao fazer um paralelo com outros produtos no país, a economia argentina enfrenta desafios ao vender algo por um valor que na verdade vale mais. Os comerciantes, que pagaram mais para adquirir os produtos e os repassam ao público, veem seus lucros diminuírem devido à crise econômica, que resulta em uma desvalorização do dinheiro. Por esse motivo, a escolha da Nintendo é vista como uma reação natural.

Muitos têm se questionado se compras feitas na eShop Argentina resultarão em penalidades para suas contas. Embora não haja um posicionamento oficial da empresa sobre o assunto, é possível adotar uma abordagem baseada em princípios legais. Conforme o Código Penal, nada pode ser considerado um “crime” se não houver uma lei que defina explicitamente dessa forma (artigo 1º do Código Penal). Isso reflete o princípio da legalidade, que está presente na Constituição Brasileira, conforme o artigo 5º § II:

“Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.”

Isso implica que você não pode ser punido por algo que não seja proibido por lei. Essa explicação serve para destacar que a Nintendo nunca regulamentou explicitamente como errada a prática de trocar o país na eShop para aproveitar descontos maiores. Não houve um posicionamento oficial da empresa proibindo essa ação; na verdade, ao longo dos anos, isso foi permitido. Portanto, com base nesse entendimento, não há motivo imediato para preocupação.

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