Gosto muito de uma aventura de terror em primeira pessoa, especialmente daquelas em que o medo está dentro da nossa cabeça, somente na imaginação. Sentimos pavor, a música sobe o volume, o coração aumenta os batimentos, mas era só o medo daquele momento de algo que, no fundo, não tinha nada a temer.
Nada a temer? Talvez. Quem sabe?
Ambientado num mundo surreal de decadência eterna e inspirado nas pinturas de Zdzisław Beksiński e nos escritos de H.P. Lovecraft, nossa missão é despertar como “Consciência” dentro de uma espécie de corpo, um receptáculo em decomposição, partindo para explorar ambientes grotescos, resolver enigmas perturbadores e descobrir fragmentos de um cosmos, há muito esquecido. Somos sobreviventes? Somos inimigos? Somos resto de uma civilização que destruiu o planeta?
O jogo em si é um daqueles “simuladores de caminhada” com puzzles para resolver, alguns até bem básicos, mas todos envolvidos numa atmosfera de pavor. Devo colocar essa faca cravada no crânio daquela estátua pavorosa? Sim, é esse pavor do desconhecido e de não identificar nem associar nada com o que conhecemos que assusta, ao mesmo tempo que intriga.
Lembra muito SCORN, só que agora em mundo aberto. Quem não jogou e gosta de terror “lovecraftiano“, recomendo os dois!
Podemos explorar livremente as paisagens sombrias e macabras, onde tudo apodrece e se decompõe eternamente, um planeta moribundo: as paisagens são sinistras e a arquitetura grotesca, carregando verdades que estão ocultas e vão sendo encontradas conforme exploramos os cenários. Há poemas narrativos evocativos que desvendam a história enigmática desse mundo bizarro, com deuses decadentes que nos guiam enquanto estão presos em um ciclo eterno de morte e renascimento.
Os enigmas são básicos, mas perturbadores, muitos desafiam a lógica enquanto outros dependem apenas da observação cuidadosa do cenário. Não tem nenhuma ajuda, “coloque isto, ali”: o jogador encontra um cérebro, ali na frente tem uma estátua com a cabeça rachada, é esse tipo de associação que vamos fazendo. Com closes pavorosos e sons de gelar a espinha.
Com a expansão/DLC “Second Consciousness”, vamos retornar a esse reino de morte e medo contendo novas paisagens, mais entidades e uma história que nos leva cada vez mais fundo nessa jornada maluca.
O autor deste jogo, Ares Dragonis, já era conhecido por outros títulos com essa mesma atmosfera misteriosa, The Shore e Eresys com outras temáticas, mas sempre “estranhos”, digamos assim. Junto com Alexander Gorbenko da Indiepump e o artista Adonis Brosteanu formaram um time e nos presentearam com essa beleza rara.
Nota 09 / 10: Apesar de ser um walking simulator é daqueles que a gente começa e só larga quando termina, leva sustos, passa medo, especialmente se jogar com fones de ouvido de boa qualidade (obrigatório num jogo desses). É o pavor de “Alien: O Oitavo Passageiro” que só aparece nos últimos minutos do filme que temos aqui só que numa versão cheia de sangue, caveiras e entidades bizarras.
O preço em conta é uma excelente oportunidade para quem gosta desse tipo de jogos e só não leva nota 10, pois a história é bem curtinha, explorando tudo mais a DLC estamos falando de 6, talvez 8 horas de um jogo que tem fator replay zero: terminou, acabou.
Site oficial Dragonis Games.
Já estava disponível para Steam e agora também com a expansão nos consoles Xbox Series e Playstation 5.
Versão testada no Xbox Series X.
Todas as imagens são do autor/gameplay.
Chave fornecida pela Critical Hit.

Aprendeu em 1983 com o Atari 2600 o que era um videogame. Do tempo da internet discada, das cartas em máquina de escrever e de conversar pessoalmente! Joga desde o Telejogo Philco-Ford aos consoles mais recentes e celular, gosta de experimentar games indies. Coleciona consoles e jogos que fizeram parte da história! Pai, Motard e Gamer. 😉



