Marina Gatto, indígena de etnia Mura, da aldeia Iambé, apresentou, durante a Final Continental Brasil da Game Jam Plus, seu projeto indie de jogo de tabuleiro artesanal temático Paranã Rēbiwa.
Em Paranã Rēbiwa, o jogador precisa posicionar seus elementos com inteligência sobre o tabuleiro, pois a estratégia é um fator fundamental para lidar com os fatos sobre o meio ambiente e sua destruição, o cotidiano dos indígenas, as ameaças vividas e seus representativos personagens.
O board game fala sobre as vivências do povo originário na selva amazônica e é produzido de forma inteiramente artesanal, com produtos como o Tucumã e o ouriço da Castanha, além peças modeladas individualmente e o tabuleiro é confeccionado em algodão cru.
“Meu jogo é um jogo de tabuleiro porque na minha aldeia não tem energia, então não tem como eu criar um jogo digital”, explicou a desenvolvedora durante o recebimento do prêmio de Melhor Jogo da região Norte do Brasil, na Game Jam Plus.
“Sim, dentro das aldeias indígenas, dos 305 povos que tem no Brasil, tem tecnologia, tem muitas mentes brilhantes e eles só precisam de uma oportunidade”, enfatizou Mariana Gatto em sua fala.
De acordo com a criadora do projeto, o board game estará à venda por um valor na casa de R$ 250, por se tratar de uma criação carregada de ancestralidade e modo de produção não industrial.


Imagem: reprodução

Idealizador do projeto Indie Brasilis, ex-editor e atual colaborador do Quebrando o Controle, o jornalista se diz um Geek assumido e fanático por RPG e Dungeons & Dragons. O profissional atua desde 2007 no jornalismo de games, com passagens pelos veículos Portal GeeK, Game Cultura, GameStorming, Rádio Geek e Drops de Jogos, entre outros.