Quarteto Fantástico – retrofuturista e emocionante (contém Spoilers)

Cultura Geek Filmes & Series Últimas notícias
Compartilhe

O novo marco do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) traz uma carga de retrofuturismo, que incorpora tendências sobrepostas que podem ser resumidas como “o futuro visto a partir do passado” ou “o passado visto a partir do futuro” e ainda uma carga emocional em sua história para tentar buscar mais ligação com seu público. Esse foi o sentimento ao assistir “Quarteto Fantástico: primeiros passos”.
Vale lembrar que temos em torno de 30 anos que Hollywood tenta levar a equipe Quarteto Fantástico às telas e os resultados não agradaram muito — pelo menos até agora. Conhecido por ser o primeiro time de super-heróis do universo criado pelo saudoso Stan Lee, o grupo protagonizou em 1994 sua primeira versão cinematográfica, de baixíssimo orçamento, que nunca chegou a ser lançada. Em 2005 e 2007, ganhou seus dois filmes mais repercutidos até então, dirigidos por Tim Story, e, em 2015, a refilmagem amplamente fracassada sob direção de Josh Trank.

O Quarteto Fantástico foi criado por Stan Lee e Jack Kirby em novembro de 1961, na revista Fantastic Four #1. A ideia nasceu como resposta à popularidade da Liga da Justiça da DC Comics. Stan Lee queria algo diferente: heróis com falhas humanas, conflitos internos e laços familiares reais.

Mas vamos ao novo filme…

O retorno dos 4 Fantásticos ao universo cinematográfico da Marvel não é apenas mais um capítulo — é uma virada definitiva. Com direção ousada e estética retrofuturista, o filme serve como porta de entrada para a Fase 6, marcada por narrativas distópicas, universos colapsando e a reconexão emocional entre heróis e público.
Com o vibrante pano de fundo de um mundo retrofuturista inspirado nos anos 60, “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos”, da Marvel Studios, apresenta a Primeira Família da Marvel – Reed Richards/Senhor Fantástico (Pedro Pascal), Sue Storm/Mulher Invisível (Vanessa Kirby), Johnny Storm/Tocha Humana (Joseph Quinn) e Ben Grimm/Coisa (Ebon Moss-Bachrach) – a enfrentar o maior desafio de sempre. Forçados a equilibrar o papel de heróis com a força do vínculo familiar, têm de defender a Terra de um deus espacial raivoso chamado Galactus (Ralph Ineson) e do seu seguidor enigmático, a Surfista Prateada (Julia Garner). E se o plano de Galactus de devorar todo o planeta e todos nele já não fosse mau o suficiente, de repente, torna-se muito pessoal.

Nesta versão, o conhecido grupo de astronautas já começa a história com os poderes adquiridos em um voo experimental e, estabelecidos no mundo como protetores aclamados pelo povo, eles precisam enfrentar a ameaça de Galactus, um ser cósmico devorador de planetas.

O novo Quarteto Fantástico é, sem dúvida, uma das experiências mais emocionantes que a Marvel entregou nos últimos anos. O filme combina ação, humor e coração, trazendo de volta ao centro da narrativa um dos grupos mais icônicos das HQs.

A trama gira em torno de uma Terra paralela que enfrenta uma ameaça cósmica, mas o foco está realmente no desenvolvimento dos personagens. Cada membro do Quarteto – Reed Richards, Sue Storm, Johnny Storm e Ben Grimm – é apresentado com profundidade, com uma química convincente e dinâmica entre eles.

Mesmo sem entrar em spoilers, é seguro dizer que o filme não apenas estabelece um novo capítulo para o Universo Cinematográfico da Marvel, mas o faz com peso, estilo e emoção. A introdução de personagens como Galactus e a misteriosa Surfista prepara o terreno para algo muito maior.

E sim, fique até o final: há duas cenas pós-créditos imperdíveis, que vão deixar como sempre elementos para o que vem por ai.

Um detalhe, mesmo que você não tenha assistido a nenhum filme da Marvel, existe em Primeiros Passos ainda uma autonomia bastante vantajosa do ponto de vista dramático para o filme, que não depende do pré-conhecimento do restante das produções da Marvel para funcionar. E o conflito moral que se torna o centro do filme ganha tração graças principalmente ao magnetismo e presença de Vanessa Kirby (indicada ao Oscar em 2021 por Pieces of a Woman).


————– ATENÇÃO A PARTIR DAQUI ZONA COM SPOILERS ——————

A Terra-828 como espelho distorcido vem no filme, que se passa majoritariamente em uma Terra paralela do multiverso, do Universo 838, o mesmo brevemente apresentado em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Lá, o Quarteto Fantástico é uma força de proteção planetária altamente respeitada – quase uma lenda.

Imagem: Disney

Reed Richards (Mr. Fantástico) é o gênio estratégico, emocionalmente dividido entre salvar o universo e proteger sua família.

Sue Storm (Mulher Invisível) lidera com empatia e inteligência, sendo o elo emocional do grupo, aparece inclusive como uma pessoa política e influente neste paralelo.

Johnny Storm (Tocha Humana) vem como alívio cômico e coração impulsivo, mas é também o mais impactado pelos acontecimentos que giram ao redor da equipe.

Ben Grimm (O Coisa) é o escudo do grupo, enfrentando um dilema interno sobre sua humanidade.

Com relação ao filme dos anos 2000, Tocha é bem menos mulherengo e não é tão “zoeiro” com as questões do amigo Coisa.

Não posso deixar de falar de Franklin, peça fundamental na trama, o filho do casal Sue e Reed que nasce e tem um potencial poder cósmico misterioso, que vira alvo de Galactus, a no enredo traz um grande dilema dos pais que tem seu filho colocado como moeda de troca pela sobrevivência do planeta.

Imagem: Disney

Galactus e a Surfista Prateada

Enquanto a família se prepara para a chegada do bebê, tudo muda com a aparição de uma ameaça jamais vista pelo grupo. Uma surfista prateada, interpretada pela talentosa Julia Garner, dá as caras na Terra (diga-se Nova York) para avisar que o mundo será devorado por Galactus, um ser especial que consome planetas no café da manhã.

Nesse ponto da história, o filme ganha mais emoção e finalmente temos a aparição do Galactus nesse filme, como um homem gigante e roxo que come planetas para o cinema parece desafiador. Vale lembrar que nos anos 2000, a Fox, desistiu dessa ideia em sua versão de Quarteto Fantástico, transformando o vilão em uma nuvem de poeira intergaláctica (um grande erro).

Imagem: Disney

Depois disso a história fica no conflito da Família Fantástica, viajando ao espaço ao encontro de Galactus, que culmina numa fuga espetacular e um embate com a Surfista.

Imagem: Disney

Com essa derrota, a fúria de Galactus com a Terra aumenta, pois nem conseguiu ter o poderoso Bebê e muito menos derrotar o quarteto, o que o leva a aparecer na superfície da Terra movido por uma armadilha para um portal dimensional que encerra o filme.

Infelizmente minhas expectativas de explicação da ligação do Quarteto a uma possível vinda para a terra 616 (terra onde acontece a cronologia oficial da Marvel) não aconteceu e ainda também não tivemos o embate do Quarteto com o Dr. Destino (agora interpretado por Robert Downey Jr). Que apenas aparece em uma cena pós-crédito ao final.

Reserve seu tempo e prepare a pipoca, é um bom filme para assistir com a família e amigos.

As cenas pós créditos:
Na primeira cena – Dirigida pelos Irmãos Russo – começa com uma legenda de “Quatro Anos Depois”, apresentando um dia comum de Sue Storm no Edifício Baxter, com seu filho, Franklin Richards, um pouco mais crescido.
Após terminar de ler um livro para o filho, a Mulher-Invisível sai por um instante para encontrar outra história para a criança, até ouvir um barulho e se deparar com uma figura vestida com um capuz verde diante de Franklin: Doutor Destino.
Embora o rosto por trás da icônica máscara não seja revelado, sabemos que é Robert Downey Jr., com o momento sendo interrompido por uma tela preta com: “O Quarteto Fantástico retornará em Avengers: Doomsday.”
Trata-se de um gancho para a chegada da família de heróis na Terra-616, sendo motivados a encontrar Victor Von Doom, que pretende usar os poderes de Franklin para algum plano envolvendo o Multiverso.

Antes da exibição da segunda cena, uma icônica frase de Jack Kirby é apresentada em tela, dizendo “Se você olhar para os meus personagens, você me encontrará”. Trata-se de um segundo aceno ao co-criador da equipe, que também foi homenageado com o fato da trama se passar na Terra-828, em referência ao aniversário do artista.
Na segunda cena – como uma forma de divertir os fãs, a segunda cena pós-créditos exibe apenas uma animação dos heróis em ação, enquanto enfrentam clássicos vilões como Fantasma Vermelho e o Mestre das Marionetes.

Veredito:
⭐ 8 – Um bom retorno para o Quarteto Fantástico, com narrativa envolvente, visuais arrebatadores e uma promessa de futuro épico.

Referências:
Marvel vai resetar o MCU em Vingadores: Guerras Secretas, confirma Kevin Feige
“Acho que a maldição se quebrou”: Antes de Pedro Pascal, Quarteto Fantástico teve um filme jogado fora pela Marvel nos anos 90 – Notícias de cinema – AdoroCinema
Presidente da Marvel dá detalhes sobre nova fase do MCU; veja o que se sabe | CNN Brasil

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *