Aproveitei essa onda de Wolverine e finalmente tirei da prateleira o disco do 007 First Light que comprei algumas semanas depois do lançamento. Minha idéia como fã de todos os filmes 007, incluindo os spin offs como “Never Say Never Again” ou “Nunca Diga Nunca”, era escrever uma série especial de artigos ainda no calor dos primeiros dias do lançamento, mas após uma confusão da IO Interactive e sua assessoria de imprensa que me trataram como o DR. NO me irritei e não apenas cancelei a pré-venda da edição especial da pistola de ouro como peguei um disco simples e usado numa lojinha, economizei um dinheirão!

Todo jogo que analiso, especialmente os indies, têm como critérios a diversão, a qualidade, o quanto de amor e trabalho colocaram no jogo e o preço. Tenho sempre a cautela do HOMEM COM A PISTOLA DE OURO quando o jogo é baseado num filme, desenho, série ou franquia que amamos e calculo sempre o que chamo de DI: “Diversão dividido pelo Investimento“. Um jogo AAA caríssimo que diverte pouco tem sempre nota inferior que um indie de 5 ou 10 dólares/euros (50 reais) que te prende em frente à tela. Se os DIAMANTES SÃO ETERNOS este jogo infelizmente não é.
Queria terminar 100% e até fazer os troféus todos antes de escrever este review mas vou abandonar, terminar algum dia no futuro talvez e depois correr despachar o disco enquanto ainda vale algum dinheiro usado. Para quem esperava um sucessor espiritual do bom e velho 007 Goldeneye do Nintendo 64 (saudades das jogatinas com 4 players amigos na mesma tela berrando uns com os outros) encontrei uma mistura de outros jogos já batidos com pitadas de puzzles e cheio de eventos Quick Time daqueles beeeem sem graça. E cutscenes. E um mapa com lugares coloridos de amarelo e azul artificiais que te indicam o caminho a seguir, imagina o nosso espião que só vive duas vezes em Monaco num hotel todo chique seguindo os caminhos de uma “lona azul” ou “lona amarela” sobre um muro aleatório para escalar uma varanda… desse jeito o “rastro de pum do Wolverine” até fica mais realista! Escolhi VIVER E DEIXAR MORRER, não perder mais tempo com isso.

Quando o jogo foi anunciado entrei no hype, até fiz um especial no podcast mostrando a introdução do jogo com a Lana Del Rey, corri fazer a pré-order, tudo nos conformes. No lançamento a gameplay se mostrou aquela que a gente já conhece de outros jogos e que tinha o sabor do 007 mas não a essência. Corri cancelar minha compra da edição especial… Depois de jogar confirmei o que mais temia da história se repetir com jogos que viram filmes ou filmes que viram jogos, costuma sempre falhar. Q está lá, Moneypenny também, quase tudo o que identifica o universo 007 aparece no jogo, mas sem a profundidade que nós fãs esperávamos.
O jogo sim diverte em vários aspectos como por exemplo nas mulheres ligadas ao Bond (sim, podemos namorar/seduzir moças e isso inclusive pode atrapalhar as missões), os vilões da trama (Lenny Kravitz aparece como Bawma) e ao longo da história vamos encontrando pistas falsas e revelações engenhosas. A forma como esses vilões são utilizados faz com que o jogo pareça terminar antes mesmo do final o que quebra o ritmo, parece que terminamos de jogar mas daí vem aquele “ah não, tem mais uma reviravolta”. Imaginem comigo: após uma missão intensa voltamos à base andando leeeeeentameeeeeente o laboratório do Q… só depois disso avançamos para outra missão, sem aquela adrenalina desenfreada que a gente amava no Uncharted, quando o Nathan escalava um trem no despenhadeiro e chegando lá em cima já caía num tiroteio: imagine essa mesma cena só que interrompida por uma cena de almoço com amigos e 10 minutos de cutscene!
007 está lá? Sim como um aprendiz de futuro Double O Seven. É o nosso amado espião A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE? Não é. Pegue Uncharted + Assassins Creed + Hitman, bata no liquidificador com muito açúcar e leite desnatado em pó e temos este jogo versão para iniciantes, com checkpoints em todo lado (cadê o desafio?) e os dispositivos apanhados no laboratório do Q (grandes lembranças dos filmes), especialmente aquele dardo envenenado, que o jogador ativa o botão de usar e vencer, sem moderação. Usa o relógio, acha o nimigo pelas paredes, ativa um barulhinho no canto e pow, nocaute nele. Falta profundidade à jogabilidade e os controles são bem estranhos, parece que nosso agente bom de cama e de mira é meio pesadão, travadão.
Senti falta por exemplo de permitirem, em algum momento, poder passear com o carro em algum mapa só para ver a paisagem, tirar fotos, ler alguns dos textos, mas esse “mini-mundo aberto” como é padrão em vários dos filmes do 007, ficou na vontade. A única perseguição com o carro é escriptada, datada, como nos muitos outros jogos que terminamos antes… É divertida? Sim, mas a gente joga com sensação de dejá vu.

Entretanto nem tudo são queixas, o jogo é visualmente bem-feito, tem muitos easter eggs dos filmes, muita propaganda de patrocinadores em lugares estratégicos, ação como a famosa perseguição de carro, conseguiram criar uma atmosfera James Bond. O que seria perfeito acabou tolhido pela sensação, ao jogar, de “olha, isso é igual aquele capítulo de uncharted” ou então “vou fazer igual no Hitman e matar aquele inimigo assim ou assado”. Essa experiência anterior do estúdio acaba influenciando o resultado deste jogo.
É uma campanha curta e se o jogador gostar de explorar cenários, testar todos os acessórios do 007 e encontrar caminhos, são 20h de gameplay. Abandonei com mais ou menos 14 horas de jogo e não sei se estava perto do final, mas vai ficar aqui guardado pra um dia ver como acaba, quando não tiver mais nada interessante para jogar. Melhor ir brincar de GOLDFINGER ou sair e procurar alguma ESPIÃ QUE ME AMAVA em outro jogo.
Tem a missão principal que exige do jogador cumprir diversas missões secundárias para avançar. Essas missões secundárias são únicas e felizmente em muitas delas podemos escolher qual delas fazer. Exemplo: para participar de um leilão privado precisamos de muito dinheiro e existem várias maneiras de “encontrar” esse dinheiro: um jogo de cartas viciado, participar de um campeonatinho de tiro ou de luta. Algumas sequências de tiro e furtividade podemos “achar” criptomoedas. Essas missões secundárias servem como meio de transitar pelos cenários e é aí que os acessórios poderiam brilhar revelando passagens secretas ou explodindo um caminho novo, mas acabam limitados a somente abrir fechaduras ou encontrar uma câmera de vigilância.
E o combate? Delicado padrão OCTOPUSSY: nosso aprendiz de James Bond ainda não tem sua licença para matar então muitas vezes precisa recorrer a socos para neutralizar os inimigos e aí que me lembrei de quanto eu não gostava daquele jogo For Honor: dependendo da dificuldade os ataques são sinalizados por cores, para o jogador escolher o botão certo e revidar ou esquivar. Socos convencionais podem evoluir para combos e é só isso. Dá também pra despencar de cima e usar um inimigo como travesseiro e os dispositivos do Q permitem criar confusão nos inimigos pra gente passar despercebido ou deixar os inimigos vulneráveis para serem nocauteados rapidamente. Nosso amigo relógio ou “Q-Watch” é tudo e permite localizar objetivos e inimigos pelas de paredes, uma ferramenta show de bola e metade da graça do jogo está nessas pesquisas para escolher o caminho a seguir.

O que mais interessa num jogo de tiro é o tiroteio, certo? A mecânica aqui é competente, sem ser excessivamente complexa. Quando nosso aluno do MI6 conquista sua arma podemos atirar nas pernas dos inimigos e até na arma que eles seguram, além dos óbvios tiros na cabeça ou no corpo. Aí entra um truque legal que eu adorei usar (spoiler?) que é disparar no corpo e depois se aproximar correndo paras matar o inimigo no tapa, economizando muita munição que é rara. Depois da primeira missão (nela ainda não podemos pegar as armas dos inimigos caídos) e de um tempo a gente domina essa arte de pegar a arma do inimigo, atirar nele, atacar essa arma nele e terminar com um socão na boca!
Nota 5 de 10. É sim um jogo bonito, bem trabalhado, música e ambientação de qualidade. Mas por ter a honra de carregar um nome com PERMISSÃO PARA MATAR deveria ter muito mais jogo e muito mais 007, trazer muito mais imersão e interatividade. Acaba sendo um “joguinho legal sabor 007 light”. Não gosto de criticar trabalho alheio e geralmente essas queixas faço diretamente aos estúdios como sugestões de melhorias, neste caso é apenas um review de opinião para quem ainda não jogou e quiser ter essa mini-experiência “sabor James Bond”. Recomendo a compra somente em alguma promoção ou em mídia física usadinha para poder revender depois ou presentear aquele seu primo fã de 007 que não joga videogame mas tem todos os filmes em DVD ou Bluray. O jogo nasceu NA MIRA DOS ASSASSINOS e acabou SEM TEMPO PARA MORRER.
Disponível para PC Steam, Xbox e Playstation (neste momento com desconto de 20% naquela ponta de estoque). Está prometida uma versão para Nintendo Switch 2 desde o lançamento oficial do jogo, adiado pela terceira vez, agora para março de 2027… A produtora técnica do jogo Cristina Vega explicou que a “decidimos por mais um adiamento porque queremos que os fãs experimentem o jogo em sua versão mais polida no Switch 2 e por isso, pedimos a compreensão de todos”.
Quem quiser ver a gameplay SOMENTE PARA SEUS OLHOS aqui temos os Irmãos Piologo no seu melhor:
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Aprendeu em 1983 com o Atari 2600 o que era um videogame. Do tempo da internet discada, das cartas em máquina de escrever e de conversar pessoalmente! Joga desde o Telejogo Philco-Ford aos consoles mais recentes e celular, gosta de experimentar games indies. Coleciona consoles e jogos que fizeram parte da história! Pai, Motard e Gamer. 😉