A cidade de Luanda voltou a ser palco de inovação, criatividade e talento africano com a realização da semifinal continental da Game Jam Plus 2025/2026, um dos maiores eventos internacionais de desenvolvimento de videogames com foco em empreendedorismo.
O evento aconteceu na Universidade Metodista de Angola e reuniu diversos estúdios e desenvolvedores de várias regiões do continente africano, todos com um objetivo comum: transformar ideias em produtos digitais com potencial real de mercado.
Abertura com coletiva de imprensa

Antes do início oficial das atividades, foi realizada uma coletiva de imprensa que contou com a presença de diversos canais de comunicação. Este momento serviu para apresentar o evento, destacar a sua importância para o ecossistema tecnológico africano e reforçar o papel de Angola como anfitriã desta semifinal continental.
A coletiva também permitiu a interação entre organizadores, imprensa e convidados, criando um primeiro espaço de partilha de informação e alinhamento sobre os objetivos e impacto da iniciativa.
Presença do concurso nacional de jogos de angola

Um dos destaques do evento foi também a presença do Concurso Nacional de Jogos de Angola, reforçando a ligação entre iniciativas locais e plataformas internacionais. Essa integração demonstra o crescimento do ecossistema nacional de desenvolvimento de jogos e a valorização do talento angolano dentro de um contexto global.
A participação do concurso nacional trouxe ainda mais visibilidade aos criadores locais, criando oportunidades de reconhecimento, colaboração e possível inserção no mercado internacional.
Podcast ao vivo e envolvimento da comunidade

O evento contou ainda com a realização de um podcast ao vivo promovido pela plataforma Afronautas, que trouxe discussões relevantes sobre tecnologia, criatividade e o futuro da indústria de videogames em África.
Este momento contribuiu para aproximar ainda mais a comunidade, permitindo a troca de ideias entre desenvolvedores, criadores de conteúdo e o público presente, além de reforçar a importância da comunicação e da partilha de conhecimento dentro do ecossistema tecnológico.
África em destaque: os finalistas rumo ao palco global

A semifinal africana não foi apenas um ponto de encontro — foi um verdadeiro filtro de excelência criativa. Após meses de desenvolvimento intenso, apenas quatro videogames conquistaram o direito de representar todo o continente na grande final mundial.
Os projetos selecionados foram:
- “The Water Balance Challenge”, da Nigéria
- “The Silence of Cazenga”, de Angola
- “Ekasi Chicken Run”, da África do Sul
- “Scolopamine”, de Madagáscar
Entre eles, “Scolopamine”, desenvolvido pelo estúdio Gwaik, destacou-se como a melhor criação desta fase, evidenciando o nível técnico e artístico cada vez mais elevado da indústria africana.
A final internacional está marcada para acontecer no Brasil, entre os dias 10 e 14 de maio, onde estes projetos irão competir num cenário global, levando consigo não apenas ideias, mas a identidade criativa de todo um continente.
Um percurso de meses e um ecossistema em crescimento
A competição decorreu ao longo de oito meses, reunindo equipes multidisciplinares que foram avaliadas com base em critérios técnicos, criativos e de viabilidade de mercado.
Angola teve uma participação expressiva, com nove estúdios e 27 concorrentes na fase de apuramento, demonstrando o crescimento consistente do talento local na área de desenvolvimento de videogames.
Para além da vertente competitiva, o evento integrou também sessões de capacitação e apresentações de programas da própria Game Jam Plus, reforçando o compromisso com o desenvolvimento sustentável da indústria no continente africano.
Visão dos líderes do ecossistema

De acordo com Vivaldo Zacarias, representante do Angola Indie Game Hub e uma das figuras centrais na organização do evento, os projetos apurados passam agora a integrar uma rede internacional presente em mais de 70 países. Essa integração oferece acesso a programas de formação, mentoria e maior exposição junto do mercado global — fatores que podem acelerar significativamente a entrada desses jogos no cenário internacional.
Apesar dos avanços, o responsável reconhece que ainda existem desafios estruturais importantes. A falta de organização, coordenação entre iniciativas e apoio consistente ao setor continua a limitar o crescimento de muitos estúdios nacionais, dificultando a consolidação de uma indústria mais robusta.

Essa leitura é partilhada por Gabriel Patrício, coordenador do Concurso Nacional da Criação de Jogos Digitais, que destaca que o mercado angolano de videogames já pode ser visto como uma indústria em crescimento. No entanto, reforça a necessidade de um acompanhamento mais estruturado, políticas de incentivo e maior alinhamento entre os diferentes agentes do ecossistema.
Voz feminina e inspiração no ecossistema

Um dos momentos marcantes do evento foi a participação de Elsa Chimba, event manager da AIGH, que partilhou a sua trajetória e visão sobre o desenvolvimento da indústria de videogames em Angola.
Durante a sua intervenção, destacou que o ecossistema ainda é pequeno, sobretudo quando comparado a outras realidades internacionais. Em Angola, falar de desenvolvimento de jogos ainda é, muitas vezes, visto como algo distante ou até imaginário.
Ainda assim, reforçou que o trabalho que tem sido feito já começa a gerar impacto: “Estamos a plantar a ideia de que é possível”. Segundo ela, iniciativas como a Game Jam Plus têm contribuído para despertar o interesse de crianças, jovens e comunidades para o mundo da tecnologia e dos videogames.
A sua visão para o futuro é otimista. Acredita que, nos próximos cinco anos, Angola estará muito mais bem posicionada, tanto no número de desenvolvedores quanto no consumo de jogos, consolidando-se como um mercado emergente dentro da indústria africana.
Angola como hub emergente de tecnologia e criatividade
Segundo a organização, o fato de Angola acolher esta semifinal africana pela segunda vez consecutiva não é por acaso. Trata-se de um reflexo direto do posicionamento crescente do país dentro do ecossistema tecnológico e criativo africano.
Num contexto em que a indústria de videogames no continente busca afirmar-se globalmente, iniciativas como esta mostram que África não está apenas a consumir tecnologia, mas também a produzir soluções inovadoras, formar talentos e criar conteúdos digitais com identidade própria.
Impacto e futuro
Eventos como a Game Jam Plus são fundamentais para o desenvolvimento do setor tecnológico em África. Eles não apenas revelam talentos, mas também criam oportunidades reais de negócio e inserção no mercado global.
A presença de Angola neste cenário demonstra que o país está a dar passos importantes rumo à consolidação de um ecossistema forte, inovador e competitivo na área dos videogames.
A semifinal africana da Game Jam Plus 2025/2026 não foi apenas uma competição foi uma demonstração clara do potencial criativo e tecnológico do continente africano.
Para Angola, representa mais do que visibilidade: é um sinal de crescimento, oportunidade e transformação.
E para nós, como comunidade, é apenas o começo.
Nota: Esta reportagem foi realizada por Leandro Malungo, presente no evento como representante do PORTAL QUEBRANDO O CONTROLE, acompanhando e documentando de perto este importante momento para o ecossistema tecnológico e de videogames em Angola.