The Warriors e A Arte de Transformar Narrativas: De Livros e Filmes a Jogos | Mundo Bits

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Em um mundo onde a cultura pop transborda em várias mídias, The Warriors, história concebida por Sol Yurick em um livro originalmente publicado em 1965, emerge como um exemplo primoroso de como uma história bem escrita pode transcender seu formato original, criando um legado através de livros, filmes e, também, jogos eletrônicos!

A conceituada desenvolvedora e publicadora Rockstar – que é muito mais do que a simples publicadora de Grand Theft Auto, também conhecido como GTA, e Red Dead Redemption – , pegou o livro de Yurick e o filme nele baseado, dirigido por Walter Hill e lançado em 1979, e o transformou em um dos grandes jogos do PlayStation 2, Xbox e do PSP, cujo review na nossa coluna Momento Retro especialmente desenvolvida em conjunto com este artigo.

Imagem: Darkside | O livro, edição nacional da editora Darkside

Antes de continuar, abre parênteses: o nome do livro e do filme nos EUA chama-se somente The Warriors. Nas adaptações dos títulos de filmes para o Brasil, como era comum nos anos 1970 e 1980, houve uma tradução para Os Selvagens da Noite. O fato é que o título nacional pegou e a nova edição do livro publicada pela editora Darkside trás na capa The Warriors – Os Selvagens da Noite. Se você procurar pelo filme para assistir por aí, busque pelos dois nomes. Fecha parênteses.

A influência do livro e do filme na cultura pop

O livro e o filme nos apresentam um cenário distópico onde gangues dominam a noite de Nova Iorque – eita que vai ter gente torcendo o nariz por ter escrito o nome da cidade em português.

O líder da gangue mais poderosa, Cyrus, convoca uma grande reunião, apenas para ter seus planos tragicamente interrompidos, colocando os Guerreiros da Noite em uma jornada de volta para Coney Island.

No entanto, o jogo da Rockstar nos permite mergulhar ainda mais fundo nesse universo, começando três meses antes dos eventos que desencadeiam a trama do filme. Este é o mote de um jogo que se inspira nas outras fontes, de forma honesta e criativa, sem deturpar a história original, mas complementando-a de forma respeitosa.

Imagem: Paramount | O Filme

A transição para o jogo e a contribuição de cada mídia para a narrativa geral

A genialidade do jogo não reside apenas em nos permitir viver as aventuras dos Guerreiros, mas em expandir a narrativa de maneiras que apenas um ótimo jogo pode fazer. Ao começar como Rembrandt, o mais novo recruta, somos introduzidos a um mundo onde cada missão, cada briga, nos aproxima mais daquele fatídico encontro.

Mas, diferentemente do filme, o jogo nos permite explorar o que acontece antes, durante e depois, preenchendo lacunas e expandindo o universo de The Warriors de maneiras que nem o livro nem o filme poderiam fazer sozinhos.

Imagem: Rockstar | Capa e Contra-capa do jogo na versão de XBoX

O que torna The Warriors um caso de estudo é como cada mídia contribui para a narrativa geral.

O livro nos deu a estrutura e os personagens, o filme nos trouxe visualmente para esse mundo e o jogo nos permitiu vivê-lo. É uma prova de que, quando feito com cuidado e respeito pela obra original, a transição entre diferentes formas de mídia pode enriquecer a experiência geral.

A jogabilidade, os controles intuitivos, a possibilidade de controlar diferentes personagens e até mesmo a representação fiel dos atores originais do filme, tudo contribui para uma imersão total. A Rockstar não apenas criou um jogo que é uma carta de amor ao filme e ao livro, mas também uma obra que pode ficar de pé sozinha como um clássico da 6ª geração dos videogames. Em um mundo onde frequentemente vemos adaptações falharem em capturar a essência de suas obras originais, The Warriors é um lembrete do que é possível quando criadores verdadeiramente entendem e respeitam o material fonte. Não é apenas um jogo para fãs do filme ou do livro, mas para qualquer um que aprecie uma narrativa bem contada e envolvente.

Boas histórias podem ser lidas, vistas, jogadas e interpretadas de formas diferente

A maestria da Rockstar, inclusive, pôde instigar os jogadores que não conheciam o livro (como era o meu caso) e o filme (que não era o meu caso, mas me levou a assisti-lo novamente, mais de uma vez, inclusive para escrever este artigo) para conhecer as fontes originais, o que é muito salutar para quem gosta de boas histórias, seja nas páginas de um livro ou na telinha de sua casa.

The Warriors nos mostra que, independentemente do meio, uma história poderosa e bem contada pode não apenas sobreviver, mas de se projetar através das gerações. É uma comprovação do poder das boas histórias, que podem ser lidas, vistas, jogadas e interpretadas de formas diferentes.

Se você tiver a chance, não apenas assista ao filme ou leia o livro, mas jogue o jogo. The Warriors é daquelas histórias que merecem ser contempladas em todas essas mídias.

Isso é tudo, pessoal! Nos vemos na próxima!