Games e a Cultura
Nos últimos anos o mercado dos games cresceu de forma assustadora, no mundo como um todo. O que antes era visto com certo desdém e até preconceito, por associar o videogame a brincadeira pueril, tem passado por uma transformação, graças a esse crescimento, o que começou a chamar a atenção do mundo empresarial, da mídia tradicional e até da sociedade cátedra.
Hoje as altas cifras que o mercado dos games gera e seu impacto na economia dos países levou a produção de pesquisas e levantamento de dados sobre o funcionamento dessa indústria em ascensão. Recentemente os números exorbitantes atraíram os olhares do governo brasileiro, o qual vem abrindo paulatinamente as portas para as produções nacionais. Com essa mudança, a mídia tradicional tem dado maior foco para esse tema, ganhado cada vez mais as manchetes dos grandes editoriais. Se aproveitando disso, os próprios desenvolvedores ressaltam o crescimento e a consolidação dos jogos eletrônicos. Vemos, em seus discursos, a repetição constante da frase: “A indústria dos jogos eletrônicos já está no mesmo patamar das produções feitas por Hollywood”.
Vale a pena também citar as palavras do atual Ministro da Cultura Juca Ferreira no último dia 14 da sessão de encerramento do XXVII Fórum Nacional A hora e a vez do Brasil: “estamos falando de um mercado na mais franca expansão em um mundo em crise, e para o qual ainda não nos organizamos para nele competir”.
Contudo, será que a importância dos jogos eletrônicos está somente no seu faturamento anual? Será que é interessante focar na comparação do orçamento gasto em Grand Theft Auto V em relação aos blockbusters da indústria cinematográfica?
Numa das frases citada acima, a qual compara os jogos com os filmes, podemos tirar algo diferente. Os jogos eletrônicos são na verdade uma Arte, talvez a oitava ou nona. Enfim, é uma parte do que temos da nossa atual Cultura, a qual se ramifica em diversas direções, desde o ato de jogar, ensinar, educar, criticar, socializar, incluir, documentar e imortalizar uma faceta da cultura de um povo e sua influência.
Com uma abertura cultural tão grande, as perguntas agora devem ser:
Como podemos usar os games para educar?
Como eles podem se tornar um meio de expressão e registro da cultura cearense?
É possível obtermos mais conhecimento e compartilharmos eles através dessa cultura digital?
Como fomentar o crescimento do mercado brasileiro para além dos meios financeiros?
Ainda existe preconceito?
Podemos ter os jogos como ferramenta de inclusão digital?
Em meio a tantas perguntas e possibilidades de expansão, surgiu uma necessidade de tornar a uma entidade que busca soluções para tais perguntas e atua junto com a sociedade através de ações, realizando eventos, palestras, trabalhos acadêmicos, divulgando e apoio a desenvolvedores regionais.
Apresentando a existência de uma vasta cultura, a qual pode auxiliar na educação escolar, na formação do caráter, no lazer coletivo, na compreensão da natureza e na União entre sujeitos distintos para a troca de conhecimentos visando o crescimento.
Uma prova disso é o espaço cedido em Fortaleza para a UCEG no conselho de Cultura Digital, que é o responsável pelo atual espaço da Casa da Cultura Digital, e também a parceria com o Porto Iracema das Artes, outro grande polo cultural do nosso estado.
Texto: Lucas Silva e Izequiel Norões

Professor, Analista de Sistemas, Presidente da UCEG e pai do Icaro.
“Os jogos podem mudar o mundo”