Indie Games Brasilis: em 2003, o Senac-SP editou seu pioneiro catálogo de jogos brasileiros

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Como eu e Renato Degiovani já afirmamos em vezes anteriores, nossa iniciativa Indie Brasilis tem por objetivo realizar um amplo resgate do histórico dos design de games produzidos no Brasil e não é o primeiro projeto do gênero no país.

De fato, como visto no texto da semana passada, que compila algumas intenções e propostas anteriores, é possível encontrar a gênese de nossa criação, o catálogo Game Brasilis, com mais de vinte anos de existência e muito pouco conhecido nos dias atuais.

“A produção mais conhecida entre os interessados no assunto é, provavelmente, o catálogo Game Brasilis, lançado pelo Senac de São Paulo, em setembro de 2003, e capitaneado pela talentosa diretora e game designer Ale McHaddo, com a compilação de 32 jogos desenvolvidos no país, começando com Amazônia, de Renato Degiovani, como representante dos anos 80, encadeando outras produções”, escrevi na coluna Indie Games Brasilis de uma semana atrás.

“Ontem, no Itaú Cultural, foi o lançamento do catálogo de jogos brasileiros ‘Game Brasilis’, iniciativa do Senac. Eduardo Giraldez (Vat/FGV), Ale Mchaddo (44 Bico Largo), Jefferson Valadares (Jynx), Odair Gaspar (Perceptum), Wagner Carvalho (Greenland) e Eduardo Mace (ex-ATR) discutiram alguns aspectos da indústria e, depois, alguns deles saíram para comer uma pizza. Podemos dizer que foi uma noite histórica e fechamos com chave de ouro a exposição Game o quê? (vai até domingo)”, registrou o Blog do Itaulab, no dia 19 de setembro de 2003, a partir de um artigo online da coluna Terra – Games: Jogos de cinema: a sétima e a oitava arte de mãos dadas, que comunica como se deu o lançamento oficial do catálogo e os participantes do evento.

“Acho que [a Abragames] nunca quis ser uma associação como são as associações de cinema, de TV, que pautam o setor e conversam com agências e ministérios para batalhar por políticas públicas para o setor”, comentou a diretora Ale Mchaddo, segundo reportagem do site Alagoas 24 Horas, de 25 de julho de 2013, em uma época na qual acabara de assumir como presidente da associação brasileira de jogos digitais.

À ocasião, a profissional afirmou que pretendi “trazer de volta uma aproximação que a Abragames teve com o Ministério da Cultura em 2003, quando Gilberto Gil era o ministro, e que definiu games como cultura”, e que pretendia, entre outras iniciativas, “consolidar a memória da produção cultural de jogos feitos no Brasil”.

“Neste último ponto, a Abragames tentará definir tudo o que foi produzido em termos de jogos no Brasil. O catálogo GameBrasilis, lançado em 2003 pelo Senac coletou os 32 jogos brasileiros, mas não foi mais atualizado”, explica o conteúdo do artigo, dando a dimensão do tema e como a questão deveria ter prosseguido como um registro histórico de nossas produções.

“No que se refere aos Designers de Games em atuação nessa indústria, diferentemente dos profissionais em atuação em mercados como o japonês e o americano, cujos trabalhos e histórias de vida encontram-se relatados em livros e publicações diversas, praticamente não se tem registros sobre os Designers de Games brasileiros”, enfatiza o trecho de uma pesquisa sobre o tema, desenvolvida na PUC-RIO.

“A publicação ‘Game Brasilis – catálogo de jogos eletrônicos brasileiros’ (Senac, 2003) foi a única publicação encontrada dentro da bibliografia consultada que registra a produção brasileira de jogos eletrônicos. Ainda assim, quase nenhuma menção é feita aos nomes dos Designers de Games nas fichas técnicas dos games ali listados, que em sua grande maioria dão crédito apenas aos nomes dos artistas e programadores envolvidos no processo de projeto dos jogos eletrônicos produzidos no Brasil”, destaca a monografia, em sintonia com o que vimos defendendo desde o início da produção de nosso projeto.

O catálogo Game Brasilis foi uma produção visionária e respeitável, que merece ser lembrada por seu ineditismo e pelo registro de 32 produções daquele período, ainda que a compilação das informações fosse tremendamente reduzida.

O site da Sopro Design, empresa responsável pela produção da edição, especializada em projetos de comunicação, exibe algumas imagens de seu projeto gráfico no portfolio online, sem maiores informações sobre a criação da equipe do Senac, que levantou os dados iniciais para a publicação e elaborou seu conteúdo.

A boa notícia desse artigo é que, mesmo estando fora de catálogo há cerca de duas décadas, é possível aos interessados conhecer a obra original. O game designer e pesquisador da história e da cultura dos jogos digitais brasileiros, José Lucio Mattos da Gama, nosso amigo “SLotman”, realizou um upload do arquivo digital da publicação no repositório online The Internet Archive, há pouco mais de dois anos.

Além de visualizar a obra em sua integridade, é possível baixar uma cópia do arquivo (enquanto estiver disponível no site). Basta acessar o link do projeto.

“Nesse sentido, o catálogo Indie Brasilis surge quase como um sucessor da ideologia daquele projeto original, procurando ampliar o conteúdo informativo sobre o universo dos games brasileiros, resgatar criações não elencadas na publicação de 2003, robustecendo o teor informativo sobre nosso game design tipicamente brasileiro para futuros interessados”, escrevemos eu e Renato nas páginas iniciais do livro que deverá ser publicado em breve a partir do financiamento coletivo, previsto para iniciar em julho, cuja página já está disponível para a manifestação de interesse.

O site oficial do projeto Indie Brasilis já está online com artigos sobre alguns jogos nacionais e outras novidades que devem chegar em breve. Para saber mais, acesse indiebrasilis.com.br.

Imagem: fotomontagem