Como você leu no artigo anterior desta série (e já deve saber senão seu título de gamer vai ser confiscado), no final dos anos 80 e início dos anos 90 Sega e Nintendo se digladiavam para conquistar crianças e adolescentes para que estes perturbassem o juízo de seus respectivos pais por um novo console na TV da casa (sim, xóvens, no final dos anos 1980 raras eram as famílias que tinham mais de uma TV disponível. Logo, jogar videogame, só depois do jornal e da sequência de novelas. Nos finais de semana, só depois da Fórmula 1 ou dos jogos de futebol).
Deixando o déficit de atenção de lado e voltando para o tema, Sega e Nintendo se enfrentavam onde dava. Feiras, espaços em lojas, com fornecedores, publishers, enfim, onde dava. Era uma briga generalizada.
E isso foi parar onde? Nos campos de futebol! (óbvio né? Já que esta série de artigos é sobre empresas de jogos como patrocinadoras de times).
Voltando de novo para o tema. Bem, Sega e Nintendo também dividiam espaços nos campos.
No artigo anterior, você viu a relação da Sega com o JEF United e times europeus. Agora é a vez de falarmos da Nintendo.
A primeira vez que a Nintendo patrocinando um time de futebol, no mesmo ano de 1992 em que a Sega ajudou a bancar o JEF United, vimos a logomarca do Super Nintendo estampada nas camisas do Sevilla FC da Liga Espanhola. O acordo durou só um ano, mas a exposição do concorrente do Mega Drive no mundo foi grande, principalmente pelo fato de o Sevilla, na época, contar em seu elenco com um dos maiores jogadores de futebol da história: Diego Armando Maradona.
Apesar da temporada do Sevilla ter sido bem modesta, terminado o campeonato no 12º lugar, tinham um belíssimo uniforme que ostentavam com pompa e circunstância a logo do ‘Super Nintendo’ no peito.
Depois de encerrar a parceria com o Sevilla, a Nintendo voltou suas atenções para casa. Ora, se a Sega patrocinava um time no Japão, a Nintendo tinha que defender seu território em casa. E não partiu só para o patrocínio. Ela comprou parte do clube Kyoto Sanga FC, da J. League (liga japonesa de futebol).
Como qualquer gamer que se preze deve saber, o Quartel General da Nintendo está localizado na cidade japonesa de Kyoto. Logo, o time local tinha que ser o escolhido para ostentar a marca da Nintendo. Bem. Mas não foi bem isso o que aconteceu.
É isso mesmo o que você leu, quando a Nintendo passou a patrocinar o Kyoto Sanga, decidiu não colocar a sua logomarca na frente da camisa. Colocou o seu nome, escrito em kanji (caracteres da língua japonesa), na parte de trás das camisas.

Kyoto nunca realmente brilhou. Na melhor das hipóteses, a equipe terminou em quinto lugar na Divisão 1 e venceu a Copa do Imperador em 2002, mas na maioria das vezes suportou algo como uma existência de ioiô, caindo pra segundona e subindo para a 1ª divisão sistematicamente.
Mas alguém da Nintendo deve gostar muito da cor roxa. Você viu nas fotos acima, que o uniforme do Kyoto Sanga é roxo. Pois é. Ai, a tchurma da Big N decidiu que era hora de patrocinar um time da maior liga de futebol dos anos 1990, a Serie A italiana. Achou a Fiorentina, que também usa uniforme na cor roxa, pra
estampar a sua marca, numa época em que o time de Florença tinha um esquadrão de peso, capitaneado por Gabriel Ariel Batistuta, um dos maiores centroavantes que este que vos escreve viu jogar, e apoiado pelos craques Edmundo Animal e Rui Costa, português e o goleiro italiano Francesco Toldo. Um timaço!
A parceria durou de 1997 a 1999, época em que a Nintendo tinha no Nintendo 64 e Game Boy Color seus principais produtos. Acho até hoje que a camisa da Fiorentina (roxa), dava um contraste bacana com a marca da Nintendo. E isso implicou em uma das camisas mais icônicas do Futebol mundial moderno, ainda que você seja Seguista.
Os Nintendistas hão de convir que as camisas do Arsenal com patrocínio do Dreamcast são mais legais, mas temos de reconhecer os belos uniformes do time de Florença que, além do roxo do kit titular, tinha o 2º uniforme (branco) e 3º uniforme (vermelho na temporada de 1998/1999). Espia no final do artigo a galeria de fotos.
Semana que vem, continuaremos com a segunda parte de nosso especial, desta vez falando de duas publishers japonesas, a Konami e a Capcom, como patrocinadoras de times de futebol.
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Advogado, graduado em Direito pela Universidade de Fortaleza (2001) e Pós-Graduado em Direito Privado pela Universidade de Fortaleza (2003). Colecionador de jogos eletrônicos. Diretor Vice-Presidente da União Cearense de Gamers – UCEG. Sócio da Quebrando o Controle Entretenimento, diretor de administrativo, produtor e roteirista de jogos eletrônicos. É colunista do site de jogos eletrônicos www.quebrandocontrole.com.br e titular das colunas Manifesto Gamer e Contracapa e apresentador do programa Hidden Gems.




