As primeiras HQs criadas por computador chegaram nos anos 80

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Hoje em dia, qualquer criação de artes para histórias em quadrinhos é finalizada com o uso de computadores e softwares, seja desenhado direto no tablet ou mesa digitalizadora, trabalhando as camadas de cores e efeitos visuais ou produzido as imagens direto em 3D ou vetor.

Porém, as coisas eram bem diferentes no alvorecer da “informática”, nome que foi convencionado para o segmento digital com a disseminação dos equipamentos da moderna tecnologia computacional nos escritórios e lares do mundo.

Foi com o advento dos Macintosh da Apple que os designers tiveram acesso aos sistemas digitais para produzir suas artes, mas outros dispositivos vieram disputar esse campo, a exemplo do Amiga 1000, lançado pela Commodore, que se tornou um recurso famoso para essas artes, a partir da propaganda de TV em que ninguém menos que Andy Warhol, o ícone da Pop Art, aparecia produzindo uma arte digital da musa Debbie Harry, líder da banda new wave Blondie.

Antenados, alguns artistas e designers também abraçaram logo cedo essas novas ferramentas e passaram a experimentar com os computadores, criando suas primeiras artes digitais e, porque não?, histórias em quadrinhos.

Os historiadores da arte contemporânea são unânimes em afirmar que o primeiro quadrinho digital lançado foi Shatter, criado por Mike Saenz e Peter Gillis, em 1984, cerca de um ano antes do Amiga fazer barulho e praticamente junto com o lançamento da máquina de Steve Jobs.

Na época, Saenz e Gillis não contavam com mais do que um Macintosh PB de 128 Kb, sem disco de memória, isso é, HDs ou os atuais SSD (sim, tudo era produzido e armazenado em disquetes de 3.5″!).

Mike Gold, renomado editor da DC Comics comentou certa vez sobre o resultado estético da arte: “A arte era fragmentada e quebradiça, como se um viciado em anfetaminas tivesse recebido uma caixa de retículas… Mas o visual era totalmente novo para os quadrinhos”.

Em 1986, com William Bates, Saenz atacaria de novo, com Crash, HQ de temática atualizada com o o personagem da Marvel Homem de Ferro, em uma trama que envolvia pirataria industrial, problemas com telemática e outras questões contemporâneas.

Em 1988, foi a vez do alemão Michael Gotze buscar na informática os caminhos para sua arte gráfica, com a HQ “Império dos Robôs”, produzida em um computador Atari 520 SST.

Inteligentemente, Gotze trabalhou personagens e cenários em um soft 3D, que lhe permitia mudar os ângulos de uma imagem para outra, facilitando o processo de produção da HQ.

Antes de virar a década, em 1989, os franceses Landrain e Groot lançaram a HQ Digitaline, totalmente produzida no computador.

Landrain ressalta em sua obra aspectos muito positivos do trabalho digital, com uma arte que ganha em qualidade estética e mostra os primeiros passos para uma produção mais consistente com os recursos computacionais, mas, a obra foi interrompida e jamais finalizada.

No início da nova década, em 1990, Pepe Moreno, artista espanhol, acertou na mosca com Digital Justice, trabalho elaborado e primoroso, feito com mais recursos que seus antecessores e muito empenho e talento, utilizando um Apple Macintosh II e uma paleta mais generosa de 16 milhões de matizes.

Batman – Digital Justice marcou o ingresso definitivo das grandes editoras no uso de hardware e programas gráficos para seus comics.

Há muitos outros exemplos, como Sinkha, trabalho de 1995 do italiano Marco Patrito de quadrinhos em suporte CD-ROM e Operation Ted Bear, de 1996, também com a mídia CD, lançado pelo francês Edouard Lussan.

Estas informações são parte de uma excelente pesquisa de Edgar Silveira Franco, convertida em livro com o título Hqtrônicas, do suporte papel à rede Internet.

A obra está disponível para aquisição no site da Amazon, a um valor muito acessível, mas os interessados que estiverem em contingência financeira podem ter acesso a um artigo sucinto, que apresenta parte do conteúdo da pesquisa produzida, disponível online.

baixo, é possível visualizar imagens de cada uma das obra apresentadas nesse texto por ordem de apresentação.

Esse texto foi criado originalmente em março de 2009, para o blog RetroGamesBrasil.

Imagem: fotomontagem

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