"O mundo conhece o livro A Divina Comédia como um poema clássico mas, para a sua família, é uma prisão."
O jogador baixa o jogo ou instala do disco, faz update, senta confortavelmente no sofá, pega o controle e então começa: “O Inferno não é um lugar de fogo: é um espelho da sua alma!” Com essas palavras bastante animadoras mergulha em toda uma narrativa baseada no livro A Divina Comédia, de Dante Alighieri na visão do estúdio italiano One o One Games que, em parceria com a Entalto Studios e a Meridiem Games publicaram este thriller de mistério e terror psicológico em primeira pessoa.
A aventura narrativa reinterpreta pequenos trechos do livro como uma experiência surreal e introspectiva na pele de Gabriele Alighieri, o protagonista, que não é soldado e nem herói, um carinha que mora logo ali casado e com uma filha. Entretanto, por carregar o sobrenome famoso, nasceu esmagado por um legado que nunca pediu e com um destino duro de digerir para enfrentar (sem spoiler): a cada 33 anos a barreira entre o mundo real e o Inferno se enfraquece… para salvar o mundo e proteger quem se ama o jogador deve realizar “O Ritual”, um desafio em três etapas, sendo a primeira missão retornar à sua ancestral vila italiana e dali aceitar um destino do qual passou a vida inteira fugindo.
O protagonista apenas anda e corre enquanto vasculha os cenários assustadores resolvendo enigmas e puzzles. É uma experiência psicológica de desenvolvimento gradual, com interpretação dos cenários e imersão na atmosfera sombria… Esse som, o silêncio e os lamentos, o espaço misterioso criam uma tensão sem depender de inimigos ou dos poucos sustos repentinos.
É uma experiência feita para ser sentida, e não dominada. Ou como diria um amigo, é um daqueles jogos Walking Simulator, mas é dos bons: joguei 2x de ponta a ponta e fiz 100% dos troféus! 😉
O jogo possui visual muito bem trabalhado, uma atmosfera imersiva, história bem formatada (embora clichê) e é um daqueles jogos que, se pegar do começo ao fim para resolver todos os puzzles e encontrar todos os colecionáveis, com 4 ou 5 horinhas temos um troféu de platina ou 1000G. E a satisfação de ter terminado um jogo divertido da cultura italiana. A ambientação é fantástica, os sons bem-feitos (joguei no original em italiano, mas tem inglês e outros idiomas), alguns sustos, muitas surpresas, um projeto indie que me agradou muito. Infelizmente não tem audio em português, mas tem legendas!
Nota 6 / 10. Achei uma experiência fantástica e bem construída sobre um tema da literatura universal, mas como jogo em si faltou aquele brilho. Correr poderia ser passo normal e ter um pouco mais de desafios, plataformas, catacumbas escuras com labirintos e sustos, mas os puzzles são bem fáceis e o jogo é curtinho. Sendo baseado num dos livros mais conhecidos do mundo achei que faltou profundidade, muito mais daquele pavor do Dante mergulhado no Hades apenas com a voz de Virgílio para o guiar. O jogo tenta reproduzir essa experiência mas, quando começamos a adorar, acaba.
Acesse o site oficial de The Alighieri Circle: Dante´s Bloodlines aqui. Disponível para PS5, Xbox e PC Steam.
Trailer de Lançamento:
"A realidade e a alucinação se dissolvem. O santuário ao qual você se apega pode ser a manipulação mais cruel de todas."


Aprendeu em 1983 com o Atari 2600 o que era um videogame. Do tempo da internet discada, das cartas em máquina de escrever e de conversar pessoalmente! Joga desde o Telejogo Philco-Ford aos consoles mais recentes e celular, gosta de experimentar games indies. Coleciona consoles e jogos que fizeram parte da história! Pai, Motard e Gamer. 😉


