Análise: Anime Friends dá lição de organização de eventos com edição 2025

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O Anime Friends, maior evento de cultura pop asiática da atualidade, encerrou sua edição 2025, no último domingo, dia 6 de julho, com muitas atrações nacionais e de outros países, para diversão do público que compareceu em massa nos dias do evento.

Para além das atividades realizadas, no entanto, chama a atenção neste ano, a organização cuidadosa com que a produção conduziu o evento, atenta a detalhes que fazem a diferença para o público na hora de acessar o local e curtir tudo o que a feira oferece.

O Quebrando o Controle acompanhou as atividades e conta um pouco do que faz a diferença na produção de um evento desta dimensão, e que pode servir como parâmetro para realizações similares, que muitas vezes deixam a desejar em quesitos básicos.

Acesso
As filas, especialmente no primeiro dia, aberto ao público em gratuidade, a partir de uma parceria com a administração municipal, eram longas e bem organizadas.
Embora o público tivesse que ficar por um longo tempo no aguardo do desejado acesso, havia um grande número de pessoas para oferecer atendimento e apoio quando necessário.
Esta reportagem não identificou filas para pessoas com necessidades especiais e idosos, mas, considerando que se trata de legislação vigente, é razoável supor que, nos momentos de maior acúmulo de pessoas, a organização tenha se atentado para esta necessária medida.

Áreas livres
O Distrito Anhembi é um espaço amplo e generoso para feiras e eventos, que foi recentemente modernizado, para ganhar mais qualidade de uso das áreas livres e no atendimento em geral.
Os pontos de circulação entre os estandes e atrações eram espaçosos, sem passar a impressão de vaziez, o que denota que a organização ficou atenta ao volume de passantes pelos corredores, sem economizar na metragem para a realização da feira, uma questão sensível e importante, quando levamos em conta que boa parte do público Geek é composta também por pessoas com necessidades especiais e eventuais limitações de mobilidade.
Os locais de público em frente aos palcos também oferecia boa disposição de espaço para curtir as atrações, algo que pode ser absorvido como referência para outros organizadores de eventos da atualidade (fica a dica).

Direcionamento e mapas
Tem havido uma opção pela economia nos recentes eventos na capital paulista através da decisão de não imprimir mapas de localização dos estantes de marcas. Pode-se dizer, como licença poética, que as organizações estão focadas em evitar o desperdício de papel e descarte de materiais que acabam danificados ou sobras, mas não é possível atestar tais decisões, se é que existem.
No Anime Friends, foram distribuídos não apenas mapas impressos para localização como foi também disponibilizado, no centro do evento, um totem de dimensão adequada, que exibia informações das atrações e, a curtos intervalos de tempo, o mapa, que podia ser estudado ou fotografado para futura referência do visitante; uma solução simples e que deveria ser copiada por todas as organizações de eventos daqui pra frente.
Não menos significativo, vale salientar, toda a comunicação feita via email entre a assessoria e os órgãos de imprensa, incluía uma imagem do mapa, anexo, para facilitar a identificação dos estantes e marcas.

Cosplay Zone e Área de Alimentação
Também nestes locais, não parece ter havido economia de metragem para bem atender aos interessados. Em anos anteriores, a área dedicada aos cosplayers já foi alvo de críticas pela má gestão do fluxo de atendimentos e os espaços de alimentação parecem sempre insuficientes, em razão do grande número de visitantes, com dimensões inadequadas e aperto entre as mesas e as longas filas para aquisição de alimentos.
Certamente houve momentos tumultuados em tais locais, como é comum acontecer nestes eventos, mas foi possível notar uma atenção dedicada a minimizar tais problemas nesta edição do Anime Friends, em uma atitude respeitosa e louvável de atendimento ao público direto de tais projetos. Mesmo em relação a edições anteriores, do AF, a decisão por atender com conforto este ano é significativa.

Saídas e sanitários
As saídas destes eventos são sempre complexas, com organizações que costumam afunilar o fluxo de público para forçar uma intenção final de consumo dos produtos exibidos ou reduzir o operacional, dispondo o atendimento de público a longos intervalos. Desta vez, não foram observadas tais opções de administração para a evasão do local.
Esta reportagem não conseguiu conferir os sanitários em detalhes, em razão do alto volume de interessados em seu uso (muitas vezes urgente), mas os ambientes pareciam limpos e com a estrutura necessária para atendimento. Não foram observados agentes sanitários dedicados a tais espaços, igualmente, talvez fruto do acaso com as agendas de horários para estes serviços, mas havia um bom número de profissionais de limpeza circulando por toda a feira.

Como resultado, pode-se afirmar que a Maru Division, gestora do evento, hoje assessorada pela Omelete Company, que adquiriu parte expressiva do Anime Friends a partir desse ano, codividindo responsabilidades, está de parabéns por estes significativos detalhes que fazem a diferença para a apreciação do público na hora de aproveitar a visitação ao evento, cujo preço nem sempre é compatível com a realidade financeira dos fãs da cultura geek e pop asiática.

Tendo em vista que a mesma organizadora Omelete é hoje responsável por outros eventos voltados aos fãs da cultura Geek. é de se esperar que seus gestores tenham um olhar mais carinhoso para seu público e um menor apreço às planilhas de cortes de gastos em suas futuras produções.

Que venha uma nova edição igualmente caprichada do AF para 2026.

Em tempo: em breve, este artigo será atualizado com imagens do evento.

Imagem: reprodução

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