O Quebrando o Controle conversou com Rafael Calmon, game designer e programador do estúdio Mito Games, para conhecer o indie brasileiro Tupi, a Lenda de Arariboia, que estava em exibição e disponível para jogar no belo estande montado pela equipe carioca na BGS 2025. Confira, abaixo, os principais trechos do bate-papo.
“O nosso jogo é um roguelite monster tamer em sistema de RPG por turnos e a ideia é que você capture os inimigos e os coloque em seu time, para combater os novos os novos oponentes que surgirem”, explicou o designer. “Todas as criaturas são baseadas tanto no folclore quanto na flora, na fauna brasileiras”, continuou.
“Então, o público vai encontrar seres como o Saci, a Mula Sem Cabeça, a Caipora e o Boitatá, e estamos nos baseando também em outros jogos como o Shin Megami Tensei, Persona e Darkest Dungeon, pelo combate posicional e Hades, pela narrativa reativa”, identificou.
O desenvolvedor informou que o projeto ganhou consistência a partir da intenção de produzir algo que valorizasse a cultura indígena e da inscrição da proposta, algum tempo depois, em um edital de cultura. “Mas não foi só isso”, sentenciou Calmon, “a gente também queria fazer alguma coisa que envolvesse também as várias lendas que existem na cultura brasileira”, declarou. “O Shin Megami Tensei faz exatamente isso com as culturas de outros povos e a gente se inspirou na ideia para fazer o mesmo com a nossa cultura nacional”.
Para a pesquisa, o grupo disse ter realizado buscas aprofundadas na rede digital, onde afirmaram ter encontrado “vários sites que se aprofundam na cultura brasileira”. “Mas isso, apenas, não era suficiente, embora a gente tenha conseguido uma boa base nesse garimpo inicial”, comentou. “Depois, a gente procurou sobre estes temas em livros especializados, contendo a história do Brasil em diferentes períodos da nação e da chegada dos povos, como a vinda dos portugueses para o país, e até um dicionário em Tupi, para podermos inserir termos do idioma original dos povos tradicionais pré-coloniais”, destacou o jovem.
“A partir daí”, continuou, “nos pensamos como todos esses elementos se encaixariam em um estilo de jogo e surgiu o conceito do monster tamer exatamente porque eles colocam as criaturas à frente do gameplay e isso traria bem à tona a cultura das lentas e as características dos animais e da flora nacionais”, acrescentou.
Rafael explicou que, para além disso, buscaram desenvolver algo que pudesse fazer justiça à cultura brasileira e, simultaneamente, chamar a atenção do público em outros países. “A ideia era ser bem aceitos ao redor do mundo, porque a gente não queria que as vendas ficassem restritas ao Brasil, tentando levar a nossa cultura para fora, também”, disse, evidenciando os valores da produção nacional.
“O nosso protagonista é o Arariboia, um personagem que existiu realmente, que teve sua tribo expulsa de suas terras por uma tribo rival, o que os levou a se refugiarem no Espírito Santo”, rememorou. Durante esse período histórico, estes rivais se aliaram aos franceses que estavam no Rio de Janeiro. Os portugueses, por sua vez, precisavam de aliados e vieram até o Arariboia, e juntos conseguiram tirar os franceses daquele território. Em razão dessa vitória, os portugueses deram terras para o Arariboia, onde foi construída pelos indígenas uma vila, que viria a ser, futuramente, a cidade de Niterói, no Rio de Janeiro”, resgatou historicamente o designer, contextualizando o projeto que levou ao game. Outros personagens históricos, como Estácio de Sá e Padre José de Anchieta também foram incluídos na trama do projeto, segundo o autor.
O estúdio vem produzindo Tupi, a Lenda de Arariboia desde março de 2024 e o primeiro mapa do game já estava finalizado e disponível para conhecer e jogar no estande da desenvolvedora na BGS. Outros dois mapas com chefes de fase e um mapa final com o grande vilão da saga, o ‘Espírito do Mal’, ainda devem ser finalizados até a conclusão da produção.
A versão demo do jogo já está disponível gratuitamente na página oficial do projeto na plataforma Steam e, segundo o time, o game tem previsão de lançamento para o final de 2026.
Imagem: reprodução

Idealizador do projeto Indie Brasilis, ex-editor e atual colaborador do Quebrando o Controle, o jornalista se diz um Geek assumido e fanático por RPG e Dungeons & Dragons. O profissional atua desde 2007 no jornalismo de games, com passagens pelos veículos Portal GeeK, Game Cultura, GameStorming, Rádio Geek e Drops de Jogos, entre outros.