Godzilla – Minus One: filme para telas grandes – Por José Santiago

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Em 1920, Sigmund Freud, o pai da psicanálise, criou o termo “pulsão de morte” ou “tânatos”, referindo-se a um impulso que direciona o sujeito em direção à morte.

Esse conceito ilustra a “oposição entre os instintos do ego ou da morte e os instintos sexuais ou de vida”.

É essa pulsão que marca constantemente a jornada do nosso protagonista Koichi Shikishima, um piloto kamikaze que não cumpre a missão que lhe é dada. Ele busca abrigo numa ilha que serve de base para os pilotos, onde são atacados por um monstro marinho gigante que elimina todos os soldados, exceto dois.

Ao retornar a uma Tóquio devastada, Shikishima é recebido com desonra, sendo considerado um dos culpados pela derrota japonesa na Segunda Guerra.

Na cultura japonesa, a honra é um valor proporcional à vida, portanto, nosso herói perambula num estado de percepção de uma semi-vida, pois não se sente um herói de guerra, mas percebe que a vontade de viver lhe fez sobreviver.

Nesse momento, Shikishima conhece Noriko, uma jovem em fuga com uma bebê, Akiko. Deste encontro inesperado surge um núcleo familiar improvável, mas apaixonante. Torcemos para que essa família se torne a família idealizada que costumamos ver em filmes ocidentais.

Após conseguir um emprego que aparentemente garantiria o sustento do núcleo, tudo começa a dar certo, mas um monstro (literalmente) do passado ainda está vivo e, agora, vindo para a cidade.

Os efeitos visuais do filme são um espetáculo à parte. Podemos perceber com clareza a dimensão e o peso do Godzilla nas cenas em que aparece ameaçador.

Seu raio de calor possui uma beleza destruidora, que Freud poderia definir como um flerte com a catástrofe. Imergimos e acreditamos que aquilo de fato está acontecendo, e que, se fosse em nossa cidade, seria daquela forma que ocorreria.

A trama, aparentemente simples, nos traz algumas reviravoltas e momentos de tensão emocionantes. Torcemos na ponta do assento para que a humanidade possa sobreviver mais algumas gerações frente a uma ameaça indestrutível.

A pulsão de vida, que contrapõe o conceito apresentado acima, manifesta-se aqui com a esperança da vitória.

Demorei para ver o filme, que gostaria de ter visto no cinema, pois é, sim, um filme digno de ser visto na melhor tela com o melhor som. No entanto, as salas de exibição não facilitaram isso à época. A chegada recente do filme à gigante dos streamings permitiu que essa obra possa ser agora apreciada com mais facilidade.

Recomendo preparar um balde de pipoca, pegar sua bebida favorita, desligar os celulares, ir ao banheiro antes de “dar o play” e imergir nesta aventura fantástica.

Godzilla – Minus One: 10/10

Imagem: Portal Nippon Já

José Maria Santiago é médico psiquiatra formado pela Universidade Federal do Ceará (2009), com residência em psiquiatria pela Escola de Saúde Pública do Ceará, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental pelo Instituto Cognitivo e mestrando em Ensino na Saúde e Tecnologias Educacionais. Gosta de diversos assuntos relacionados à cultura pop como videogames, jogos de tabuleiros, quadrinhos, livros, séries e filmes. Produz conteúdo voltado para a psiquiatria no instagram @drsantiagopsiquiatra e é host no podcast Encontroverso (@encontroverso_podcast).

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