
Olá pessoal! Nos últimos anos temos notado um certo aquecimento do mercado de games Retrô. Para quem não está acompanhando vou tentar passar algumas informações, e assim tentar explicar o que acontece e alguns tipos de “colecionador de games”.
Muitos do adultos de hoje foram aqueles meninos “verminosos”, “ratos de locadora” ou mesmo a turma que sempre queria ter um videogame e a grana não dava, e hoje com mais idade e grana no bolso resolvem ter aqueles itens que tanto foram parte de seus desejos. Tem também os estudiosos que curtem verdadeiramente a área e montam verdadeiros paraísos históricos, com acervos fantásticos e ricos de informação e cultura de games. E ainda os novos gamers, que conhecem os novos consoles e dentre estes poucos se apaixonam e resolvem estudar e conhecer como chegamos ao que temos hoje. Por fim os modistas, que para se inserir num grupo os caras comprar e colocam um item na sua estante apenas para exibir (as vezes nem jogam ou usam o item) e está se sentindo inserido num grupo (sim esse tipo existe).

Por definição, o colecionismo é a prática que as pessoas têm de guardar, organizar, selecionar, trocar e expor diversos itens por categoria, em função de seus interesses pessoais. Em todo o mundo, milhões de colecionadores organizam as mais diversas coleções de objetos (Wikipédia). Com os gamers, não está sendo diferente, conheço pessoas que colecionam jogos, acessórios, itens de um fabricante, ou de personagens e até mesmo consoles.
Moda, do latim modus, é um uso ou um costume (hábito) que está em voga numa determinada região, durante um certo período. Trata-se de uma tendência adotada por uma parte da sociedade. Contudo, quero levar em conta as pessoas que se deixam levar pela nostalgia, que indica uma lembrança vivida, como por exemplo bons tempos de infância jogando videogames e suas horas desafiadoras insólitas ou com os amigos.
Vou citar o meu caso, desde a época do Atari sou um cara que gosta muito de games e na época que surgiu o Nintendo e o Master a grana era muito curta, quando dava para ter um console sempre estava com apenas aquele console X e via amigos com os outros, inclusive cansei de emprestar o meu console e pegar em troca um outro para conhecer e ter uma opinião sobre este, isto quando não tinha de ir a uma locadora pra ver as novidades.
Quando entrei na faculdade tive de dar uma parada nos games e isso eu tinha um PS2 tinindo de novo, tive de vender e passei um tempo longe dessa paixão dos games. Até que um dia, comprei um outro e o saudosismo bateu e sempre que dava pegava um ou outro console emprestado ou ia na casa de amigos para jogar. Vendi novamente o PS2 e comprei um PS3… Cara que inovação, jogos com gráficos fantásticos e uma qualidade muito aprimorada no modo de jogar e nos detalhes dos jogos, porém o saudosismo sempre presente.
Quando iniciei a UCEG fui conhecendo muitas pessoas que curtem games, e digamos que isso foi me fazendo estudar e gostar mais e mais do assunto, até um belo dia que minha esposa me deu um Atari Clone (versão Atari JR 2600). Consertar, jogar e se divertir com aquele console me remeteu a bons dias que tive na minha infância e ai, decidi que além do PS3, o XBox e daquele Atari, valeria a pena resgatar algumas relíquias e hoje tenho algumas peças das quais tenho o orgulho de manter no Museu da UCEG na Casa da Cultura Digital de Fortaleza. Sim meu caso foi pura e simples paixão e saudosismo, que unidos ao propósito de manter um pouco da história do videogame, também permitir que outras pessoas tivessem essa sensação extraordinária de viajar no tempo com aquelas caixinhas nostálgicas maravilhosas.
Há muita diferença da paixão por videogames e uma moda de colecionar. Com a disseminação e popularização da internet e das redes sociais, observa-se claramente uma mudança de foco em torno das coleções. Antes o que era visto como algo não tão relevante se tornou “cult” e tem tomado um rumo bacana para alguns e não muito interessante para outros. Valorizar um culto aos jogos antigos, onde lembranças e sentimentos nostálgicos invadiram as redes sociais mostrando o quanto as pessoas eram felizes com seus games. Mario e Sonic voltaram a serem populares com pessoas crescidas que experimentaram seus jogos quando crianças e através da rede rememoraram essas lembranças, muitas vezes surgindo uma vontade de experimentar novamente seus jogos favoritos.
Ao mesmo tempo há o mercado que com pessoas que visam somente o lucro, tem notado a procura por estes itens e inflacionado o mercado, com o uso de ferramentas como OLX, Mercado Livre e para compras no exterior com o E-bay. O mercado tornou-se aberto dando oportunidade para alguns espertos venderem itens de todo tipo a todo preço, e cada um indica um valor como lhe convém. Nesse contexto vale a pena sempre conversar com pessoas que estão em grupos (como vou citar mais a frente) e ter amigos que possam lhe orientar a respeito. Hoje encontramos lojas RETRO não só lá fora, mas no Brasil e até mesmo em Fortaleza.
A moda passa, mas a paixão pelos games não. Costumo dizer que os games me permitiram conhecer muita gente bacana e até mesmo muito conhecidas, mas poucos sabem que esses caras são grandes colecionadores, posso inclusive citar alguns, como:
– Adelmo Medina. Um dos maiores colecionadores de cartuchos de NES que conheço.

– Alex Mamed é empresário e possui uma coleção de mais de 300 consoles, considerada a maior do país, segundo o RankBrasil em 2013.

– Cleidson Lima é jornalista de tecnologia há 15 anos e curador do Museu do Videogame Itinerante. Seu acervo pessoal ultrapassa os 180 consoles e portáteis, atualmente em Salvador, mas esperamos ansiosamente por sua passagem em Fortaleza.

– Daniel Gularte, professor do curso de jogos digitais na Estácio – CE, um dos maiores colecionadores do Brasil e o maior do Norte e Nordeste que inclusive partilhou um pouco de sua coleção num evento que fez em 2011 (BOJOGA) e com a UCEG em 2012 (Ceará Gamers) e que em breve teremos mais uma vez em conjunto com a UCEG, sua exposição de consoles aberta para deleite dos apaixonados por games de Fortaleza com sua exposição no evento PLAY no Shopping Del Paseo.

– Marcelo Tavares, criador do Brasil Game Show, é especialista em jogos eletrônicos. Atualmente, o colecionador possui 350 aparelhos de videogame em seu acervo e cerca de 3.500 jogos, além de centenas de acessórios.

– Marcus Vinicius Garret, pesquisador e escritor do Livro: “1983: O ANO DOS VIDEOGAMES NO BRASIL”. E que está a frente de um documentário de mesmo nome, sendo produzido e que irá contar a história da chegada do videogame no Brasil.

– Moacyr Alves. Diretor da ACI Games, é fanático por games, ele começou sua coleção há pouco mais de cinco anos e já conta com 119 aparelhos diferentes. E tem uma coleção especial do MSX.

Coisas interessantes no colecionismo gamer:
1. O divertimento de manter e conhecer pessoas que gostam da mesma coisa, gerando novas amizades;
2. Entender, conhecer e falar sobre o assunto é interessante e rende boas horas dos que realmente se interessam pelo assunto;
3. Acompanhar a evolução, buscar saber detalhes, manter um acervo com um breve histórico e conhecimento de cada ítem;
4. Sempre há novidades e curiosidades para se discutir e conhecer;
Problemas:
1. Muita gente no Brasil quer vender lixo como raridade;
2. Mercado se tornou interessante e isso fez com que comerciantes inflacionassem os valores;
3. Muitas pessoas interessadas compram coisas apenas para se inserir num grupo e acabam não cuidando bem dos itens e danificando os mesmos, ou ainda tornando raridades em peças de decoração;
4. Dificuldade para encontrar itens em bom estado e bons preços.
Há muitos grupos e fórums de colecionadores, muitos destes existem mantidos por pessoas que buscam tratar sobre o assunto o manter negociações e itens, veja uma breve lista de grupos conhecidos:
– Colecionadores de videogame – Fortaleza;
– Retrogamer – Fortaleza;
– Colecionadores de Videogame (Nacional);
– Classificados de Games (Nacional);
– Retrogamers – Brasil;
Alguns vídeos com a participação de colecionadores e suas coleções:
Por hoje é só! E semana que vem continuamos com mais Ideias em Jogo.
Autor: Izequiel Norões

Professor, Analista de Sistemas, Presidente da UCEG e pai do Icaro.
“Os jogos podem mudar o mundo”