Ideias em Jogo: O problema dos jogos eletrônicos e o mercado nacional

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Muito tem se discutido, mas o que realmente tem sido colocado em relevância no Brasil, e é fato de interesse da maioria das pessoas que estão lidando com jogos por aqui, é o PREÇO DOS JOGOS. Ainda mais pegando a fase econômica atual que influencia ainda mais os jogadores que facilmente olham para esse aspecto.

Contudo, há muito o que se observar antes de atentarmos ao fator preço. Temos de lembrar antes de tudo da formação, aproveitamento do potencial criativo e dos inúmeros jogos produzidos por aqui. Poucos sabem, mas em 2013, foram produzidos mais de 1400 jogos no Brasil em mais de 130 empresas (Fonte: Censo da Produção Brasileira de Jogos), mas onde estão essas empresas e esse jogos? Quantos desses jogos foram consumidos no nosso país? E quais, você que esta lendo agora poderia dizer que conhece?

Ai que está o grande X da questão, não temos conhecimento da produção nacional, ou simplesmente temos os estigma de que aqui no Brasil só temos jogos de pequeno porte ou que não valem a pena serem vistos. Enquanto isso, empresas de grande porte levam nosso capital intelectual e compram direitos de jogos produzidos aqui, lançando em suas lojas on-line.

Recentemente temos o caso do jogo Horizon Chase, da Aquiris que tem tomado a mídia e é uma prova de que a produção nacional tem tido seu valor, mas isso tem acontecido por um grande esforço das produtoras locais, que tem resistido e buscado seu espaço no filão do mercado internacional.

Não somente este jogo, mas muitos outros tem aparecido, e a grande questão é ainda a colocação destes no mercado, a aceitabilidade local e ainda a qualidade que temos de evidenciar para os jogos brasileiros.

Temos de parar de olhar somente para o fator preço (isso inclui os impostos e a possível influência da pirataria, que são problemas, e não podemos ignorar), verificar as possibilidades e acreditar que a mudança da cultura relacionada aos jogos pode ser um caminho para melhorar as condições do mercado local, com espaço para os grandes títulos, mas também com a possibilidade de se aproveitar muito do que tem sido feito por aqui.  E claro captar mais recursos, para assim termos também o nosso país figurando REALMENTE em 4º Lugar no mercado mundial dos jogos eletrônicos e não em 11º como na pesquisa a seguir: Top 100 Countries by Game Revenues (Fonte: NewZoo 2015)

Vou deixar dessa vez o espaço aberto para o debate, e escutar todos que acompanham esta coluna para discutir no grupo Ideias em Jogo: O que podemos realmente fazer para a melhoria do mercado brasileiro? Seriam mesmo o preço, os impostos e a pirataria os grandes vilões neste história?

Autor: Izequiel Norões

3 thoughts on “Ideias em Jogo: O problema dos jogos eletrônicos e o mercado nacional

  1. Izequiel, muito bom texto, mas achei que você fosse atacar esse fato por outro angulo. O preço dos jogos no Brasil é bem errado e isso não é só pelo fato dos jogos nacionais ainda não terem visibilidade.

    Vamos por partes. Primeiro, qual é o valor real de um jogo? Isso é um assunto de maior debate fora no Brasil, saber quando um jogo está no preço que ele realmente merece ou não é muito mais relevante para americanos, por exemplo, que separam bem o dinheiro para as suas diversões mensalmente. Como sou jogador de PC, irei usar aqui minha contagem própria, 100 reais para jogos lançamentos era o que normalmente estava pagando, até a chegada dos 200 reais de Metal Gear V, mas isso é outra história.

    Para os 100, ou 200 reais que eu pago em Metal Gear V no Brasil, existe um americano pagando um preço FIXO de 60 dólares. No Brasil, o preço de jogos também deveria ser fixo, mas não é, então continuará provavelmente aumentando mais e mais.

    Levando isso que eu disse em conta, exatamente se encontra o motivo pelo qual um jogo nacional não tem tanto destaque: É um risco grande demais com pouco retorno. A maioria dos gamers no Brasil mal compra jogos no lançamento, principalmente com preços tão ultrajantes, que dirá comprar um jogo nacional que jamais sairá por um preço justo. Digamos que alguém aqui no Brasil conseguiu lançar um Triplo AAA, no mesmo nível ou melhor até que God of War como exemplo. Quem irá lançar por 50 reais, que seria no caso o preço real do jogo? Ninguém em sã consciência.

    O jogo seria lançado com o mesmo preço dos jogos grandes que vem de fora, mesmo se tratando de um produto nacional, porque o importante é o retorno, afinal foi gasto muito para conseguir finalizar o jogo em si. Só que o consumidor nem sempre pode arcar com um preço tão alto, nisso a pirataria vai existir para simplesmente distribuir o jogo.

    O grande problema dos preços no Brasil é a própria cultura nacional de não querer pagar nada, seja filmes, livros, jogos, qualquer coisa. Se existisse um movimento mais forte de gamers que querem realmente comprar jogos e se legalizarem, principalmente tendo em vista o quão baratos jogos de PC são hoje em dia, os preços nos jogos seriam um problema bem menor, então poderíamos sim olhar em detalhes para o nosso próprio mercado.

    ps: Desculpa se falei muitas besteiras, novamente, tenho em vista só minhas próprias compras. Sei que fiz parecer que o valor mais justos para jogos é o menor possível, mas sei bem o quanto é necessário para fazer um jogo, só estou tentando encontrar um valor que seja justo tanto para quem fez, quanto para quem joga.

    1. Salve, Rafael. Boas colocações.

      Discordo de alguns pontos, como por exemplo: “A maioria dos gamers no Brasil mal compra jogos no lançamento”. Não saberia se isso é bem verdade. Pelo primeiro ponto que Steam e outros meios de distribuição digital como a PSN e Live estão vez por outras publicando boas margens no Brasil, nada comparável com outros países mas por razões óbvias: territorial ( infraestrutura de banda larga e etc.. ) e densidade de gamers por população.

      E o brasileiro consumidor médio realmente investi dinheiro até mesmo porque é hoje é uma mídia mainstream. Não aguento mais o discurso de que “agora o mercado está levando a sério os jogos..”; cara isso já tem acontecido por pelo menos uns 11 anos, agora o tempo de maturação de tudo aqui é muito lento por nossas características econômicas e culturais no que se diz a respeito a políticas de incentivo.

      A exemplo de características econômicas, basta você ter uma empresas (independente de quê) e você vai ver a tributação em cima dela sem antes ela vender 1 bombom, então sim o governo só F##$ o mercado e infelizmente a maioria que está envolvido com ele no quesito games ou é por egocentrismo ou é incompetente mesmo para fazer algo significativo, por isso eu defendo que idéia do governo de ajudar seja: PARE DE F#$# as empresas e pronto. Nada de paternalismo ou mendigando edital.

      Izequiel: Não eu acho que não temos mais o preconceito de que jogos brasileiros são pequenos e não valem a pena. O que acontece é que poucas empresas conseguem quebrar essas barreiras produtivas e financeiras para pôr algo em pé de igualdade com empresas indies estrangeiras. INDIES. Mas isso tá mudando, e nem “porrada” vai acelerar o diminuir; talvez com esse cenário absurdo que vivemos não seja muito favorável mas..ei…a indústria de games foi a única que passa por crises sem parar de crescer, certo ?

      Ao final das contas o mercado funciona em um rolo compressor Darwinista, quando ele é cai na graça popular – independente de ser um bom jogo ou não – vai vender e passar por cima de pirataria, dificuldades e etc.. Ou você acha que a margem de pessoas que “piratearam” Flapbird, Angry Birds e etc… foi insignificante ?

  2. Com certeza Rafael o preço no Brasil é injusto, por isso deixei no final a proposta do debate, não concordo com os impostos que pagamos, não concordo como a tributação aplicada, não concordo com o mercado cinza e muito menos com jogadores que compram de maneira impulsiva. O ponto que eu quis chamar atenção e que ficou nas entrelinhas.
    Se formos hoje comparar preços com o exterior veremos que o valor do dólar assusta e considerando que temos em média jogos lançados na faixa de $45,00 a $59,00 teremos uma variação R$ 170,00 a 230,00 aproximadamente e tendendo a piorar com essa escalada maluca da moeda americana. Vamos trazer isso para o Brasil. Note que mesmo com o dólar em alta, muitos preços não acompanharam (ainda) esse aumento, então ficamos com um valor realmente colocado para o mercado nacional. Você sabia que recentemente o Brasil se negou a participar de um acordo com mais de 80 países para benefício de produtos de tecnologia da informação (ITA) na Organização Mundial do Comércio (OMC) para eliminar tarifas sobre eletrônicos, o que pode reduzir os preços de produtos como videogames, semicondutores, GPS e alto-falantes? (Fonte: https://tecnoblog.net/181848/acordo-eliminar-tarifas-eletronicos-brasil-fora/).
    O que realmente há com isso? Alguns afirmam que isso seria proteção do mercado nacional, outros defendem que o acordo seria benéfico para o mercado brasileiro, mas o que acontece… Continuamos prejudicados. Então o problema seria somente o preço?
    Há com certeza fatores, políticos, sociais e claro econômicos que dificultam e muito o preço dos jogos por aqui e isso enfraquece muito o comércio e nos faz cada vez mais ser apenas um mero exportador de mão de obra.
    O que vejo, com mais produção local, mais interesse seria envolvido, mais pessoas teriam oportunidades e mais gente para exigir uma melhor regulamentação e apoio governamental. Mais pessoas envolvidas, mais gente para exigir e mais atenção para esse mercado e isso sim faz diferença no nosso país. Um grupo de empresas consolidado, com indicações de representação pode sim fazer a diferença. Concordo em parte com a questão da cultura do “não querer pagar nada”, inclusive temos números para indicar que os consumidores brasileiros são ávidos por jogos gratuitos.
    Edward, infelizmente resta preconceito ainda para os jogos tupiniquins, uma prova disso é o seguinte, tome uma franquia de um jogo de uma empresa X de fora e o compare com um jogo de mesma categoria nacional. Pelo fato de nossa cultura do tirar proveito e ver o mais barato os devs brasileiros tem sérios problemas para precificar seus jogos, tendo de apelar para receitas paralelas ou até mesmos projetos de crowndfunding para manter suas iniciativas. A realidade da produção de jogos nacional ainda é muito aquém dos valores cobrados fora do Brasil o que desestimula muito os que ingressam neste mercado por aqui e acabamos perdendo mão de obra qusls=. Sim! temos sérios problemas, que eu indico que não são isolados. Tenho buscado pesquisas para melhor identificar e deixar mais evidente em meus textos e com isso espero deixar. Não é que o “mercado agora esta sendo levado a sério” mas sim de notarmos que o cenário atual aponta para algo que esta na vitrine e muita gente entrando e fazendo parte disso.
    Agradeço as colocações de vocês e obrigado por acompanharem a coluna.

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