O QUE É COISA DE CRIANÇA? – DEIXA O MENINO JOGAR!

Idéias em Jogo
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O QUE É COISA DE CRIANÇA? ou LEAVE THE KIDS ALONE! ou ainda DEIXA O MENINO JOGAR!

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Ontem tive a felicidade de participar do evento Encontro Gamer, como debatedor na mesa redonda sobre jogos eletrônicos e os diversos pré-conceitos que dão a tônica de como os que não participam desta comunidade percebem este tipo de mídia. Na companhia de Ana Paula, Lizie, Izequiel e Felipe, foi possível cumprir uma tarefa de gente grande: tratar de assuntos cheios de intrincamentos, sem perder o humor e a leveza. Entre os diversos questionamentos e opiniões trazidas pelos debatedores e pela animada e participativa plateia, um se destacou como uma possibilidade de link entre todos os outros: Mas o que é coisa de criança mesmo?

No meio de tanta coisa pra ser dita, talvez este nem tenha recebido a devida atenção. Mas agora, relembrando da palestra, ficou aquela sensação de “pois tá ai!”. Isso porque com a intenção de divulgar os jogos eletrônicos como uma produção de conteúdo digna de ser apreciada e utilizada como potência artística e transformadora, tentamos ao máximo dar uma seriedade, um status, uma dignidade que às vezes é negada. Negam-nos isso tudo quando dizem que videogame é besteira, não é em nada artístico, é “só um joguinho” e é “coisa de criança”. E é ai que com informação e pensamento crítico, tentamos combater tais visões limitadas. Mas, pensando melhor… é coisa de criança sim!

Por certo ponto de vista, só tinha criança naquele auditório. Crianças crianças, crianças adolescentes, crianças jovens adultos e crianças com certa idade. Entre sentados em cadeiras, sentados no chão, pessoas em pé e alguns já quase no corredor que dá acesso à sala, muitas crianças estavam ali tentando fazer o que para crianças é tão natural: aprender.

Mas não um aprendizado “bancário”. As crianças ali estavam justamente saindo do confortável consumo irrefletido de entretenimento e buscando uma melhor relação com aquilo que tanto dão valor. Tivemos até crianças mais velhas que nem jogam videogame mesmo, mas estava em companhia do filho criança-criança, assumindo a responsabilidade sobre que tipo de conteúdo ele está tendo contato. Sério, um parabéns especial pra esses pais. Se mais adultos não tivessem perdido sua criança interior e abandonado a possibilidade de aprender a educar, esse e muitos outros problemas da sociedade seriam amenizados.

Falou-se de mídia sensacionalista, de uma visão limitada de saúde, de como a sociedade acha um culpado para comportamentos de pessoas que infelizmente adoeceram psiquicamente e não receberam o devido suporte, só porque é mais fácil do que assumir que esse suporte não existe nem por parte das famílias nem do estado. Falou-se de forças velhas e forças novas, conservadorismo e revolução. Stormcloaks e o Império. De velhos e de moços, crianças. Como uma das conclusões possíveis, eu aponto: superem o preconceito e deixem as crianças se utilizarem da potência que os jogos eletrônicos têm. Deixem que o uso adequado deles continue a levar narrativas belíssimas conduzidas pela interatividade dos gameplays, que se equiparam com qualquer coisa que já inventaram no entretenimento. Que temas como morte, religião, política, guerra, identidade e vida sejam trabalhados e, atingindo o público certo, promovam pequenas reflexões ou mesmo grandes mudanças positivas no pensamento. Que possamos inserir toda esta potência que os games têm de entreter e encantar nos tratamentos psicológicos, ludoterápicos, na reabilitação física, na educação e por aí vai. Que assim como outras atividades e esportes, os jogos tanto em nível casual como competitivo possam ser utilizados em projetos sociais, trabalhando e desenvolvendo nossa juventude que muitas vezes não recebe oportunidade. Que essa mesma visão de potencial e não de problemática seja cada vez mais aplicada a tudo que é próprio do jovem, “coisa de criança”: ao skate, ao grafitti, ao circo, à dança e a tudo que aparecer que seja capaz de gerar movimento. Que seja aplicada ao jovem em si.

Do encontro de ontem saí me sentindo um pouco mais renovado, com mais conhecimento, mais pertencente e mais alegre. É… é isso… mais criança.

Humberto Miná é psicólogo e gamer e escreve na sua página sobre essa temática e outros assuntos.

 

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