O aguardado filme Super Mario Galaxy acaba de estrear mundialmente nos cinemas. Consequentemente, a obra já divide opiniões de forma drástica entre a mídia especializada e os fãs da franquia. Sites de crítica compilaram avaliações desanimadoras nas primeiras horas de exibição. Por exemplo, o Rotten Tomatoes registra uma aprovação de apenas 40%, enquanto o Metacritic aponta uma nota 36. No entanto, o público geral rejeita essas métricas negativas e lota as salas de exibição. Portanto, o abismo entre a recepção técnica e a aceitação popular levanta questionamentos sobre a compreensão da mídia perante a linguagem dos videogames.

Em 2023, O Filme Super Mario Bros. não só foi uma grande bilheteria com mais de US$ 1,3 bilhão mundial, mas também demonstrou de forma apropriada o potencial de uma continuidade cinematográfica maior de Super Mario Bros, e sendo visto como uma das melhores adaptações de um game ao cinema. O primeiro filme não foi perfeito, mas contou uma história divertida, comovente e apropriadamente nostálgica, com as maiores estrelas da franquia Mario, demonstrando que o respeito pelo material original pode fazer uma grande adaptação para videogame.
A Nova Fronteira Espacial de Mario
Inicialmente, a nova narrativa leva os irmãos encanadores muito além do tradicional Reino do Cogumelo. Os diretores Aaron Horvath e Michael Jelenic apostaram em uma aventura cósmica com proporções épicas.
ATENÇÃO A PARTIR DAQUI TEMOS SPOILERS! — PULE PARA A AVALIAÇÃO E DEPOIS VOLTE
A trama de Super Mario Galaxy começa logo após os eventos do primeiro longa. Encontramos Bowser (vozes de Jack Black no original e Marcio Dondi no Brasil) mantido prisioneiro por Mario e Luigi (Chris Pratt/Raphael Rossatto e Charlie Day/Manolo Rey, respectivamente) após ter sido encolhido. A paz no Reino do Cogumelo, porém, tem vida curta. Nos primeiros minutos, o filme já nos apresenta uma nova e importante figura: a Princesa Rosalina e suas simpáticas estrelas, as Lumas.

É também nesse momento que somos apresentados a Bowser Jr. Infelizmente, a recém-chegada princesa e suas Lumas sofrem um ataque brutal orquestrado pelo filho do antagonista, que realiza o sequestro estratégico da governante cósmica. O plano do jovem herdeiro é usar a energia vital de Rosalina para alimentar o colossal Planeta Bowser e, de quebra, libertar seu pai aprisionado. Esse evento desencadeia uma perseguição intergaláctica frenética, estabelecendo o motor principal para a trama do filme.
O visual impressiona pela fidelidade aos conceitos do jogo original de Nintendo Wii (Super Mario Galaxy) e pela forma como respeita a estética do primeiro filme. Além disso, a animação traduz perfeitamente a física esférica e a sensação de flutuação no espaço sideral.
A introdução de Rosalina (Brie Larson / Aline Ghezzi) e do Observatório Cometa expande a mitologia da Nintendo nos cinemas de maneira orgânica. A misteriosa e maternal personagem ganha grande destaque na trama ao ser apresentada como irmã de Peach, um elemento que a fará relembrar de suas origens.
A versão brasileira, inclusive, merece destaque especial pela excelência técnica e pelo elenco experiente, que enriquece muito a experiência do público. Raphael Rossatto e Manolo Rey retornam com maestria aos papéis de Mario e Luigi, mantendo a energia e a consistência do universo cinematográfico. Marcio Dondi continua a impor presença com um Bowser imponente e Carina Eiras brilha novamente como a Princesa Peach. Coroando o elenco, a estreia de Aline Ghezzi capta com perfeição a serenidade e o mistério de Rosalina.

O elenco conta ainda com Charles Emmanuel (Bowser Jr.) e Eduardo Drummond (Toad), garantindo o nível de qualidade característico das grandes produções da Illumination no Brasil. Esse cuidado com o trabalho de voz é fundamental para a imersão na aventura estelar, cativando não apenas as crianças, mas também os fãs veteranos. Não podemos esquecer do carismático Yoshi (Donald Glover, no original), que adiciona uma nova dinâmica à equipe de heróis. Com tudo isso, a produção entrega uma escala visual imponente, equilibrando uma história de diretrizes simples com um escopo gigantesco.
A trama engrena com Mario e Luigi embarcando em uma perigosa jornada espacial, onde visitam localidades icônicas que transitam entre diferentes eras da franquia. O longa vai muito além do material original do Wii, passando, por exemplo, por áreas inesquecíveis de Super Mario Odyssey. A equipe realiza uma corrida de motos alucinante no melhor estilo Mario Kart rumo ao Reino da Areia (Sand Kingdom), onde a jornada se cruza com a de Yoshi.
A exploração continua pela conhecida região de Fossil Falls, onde Toad e Yoshi enfrentam perigos jurássicos. Por obra do acaso, os pequenos Baby Mario e Baby Luigi também acabam participando ativamente da confusão, tentando evitar o despertar de um gigantesco Tiranossauro Rex adormecido. Em meio ao caos, a produção entrega um excelente fan service: o clássico periférico Super Scope entra em cena e, ao ser disparado acidentalmente por Baby Toad durante o combate, restaura a energia dos heróis e transforma o perigoso dinossauro em um inofensivo bebê. Essa riqueza de detalhes e cenários prova como a Nintendo sabe homenagear sua própria história, expandindo o escopo narrativo com perfeição.
Clímax Espacial e o Futuro do Universo Compartilhado
O clímax do filme entrega sequências de ação intensas, exigindo o máximo das habilidades acrobáticas do nosso encanador. A tensão atinge o ápice quando Bowser Jr. empunha o clássico Pincel Mágico para convocar o imponente Ruined Dragon para o campo de batalha. O feitiço, contudo, vira contra o feiticeiro: a criatura colossal perde o controle e engole o jovem vilão sem hesitar. É nesse momento crítico que Mario precisa recorrer a um power-up inédito nas telonas para salvar a vida do próprio inimigo. Ao utilizar a icônica Red Star, o protagonista assume a forma do veloz Flying Mario e derrota o dragão em uma batalha aérea de tirar o fôlego. Em paralelo a esse embate, a Princesa Peach lidera uma investida arriscada para localizar e libertar sua irmã debilitada. Essa divisão de núcleo não apenas fortalece o protagonismo feminino de maneira prática e orgânica, mas comprova que o roteiro sabe equilibrar a aventura, dando o devido espaço para o brilho de todos os heróis.

Após a resolução dos conflitos centrais, o longa deixa estrategicamente diversas pontas soltas, preparando o terreno para as futuras adaptações da Nintendo. Surpreendendo parte do público, Bowser logo decide retornar ao comando de seu exército, enterrando rapidamente qualquer possibilidade de uma redenção duradoura.
As cenas finais não deixam dúvidas: a expansão do universo cinematográfico da “Big N” está acontecendo com força total. Em uma participação que empolga os fãs mais antigos, o icônico piloto Fox McCloud surge repentinamente na trama a bordo de uma Arwing danificada, o que o impede de voltar à sua própria dimensão. Após ajudar os protagonistas na reta final da missão, o líder da equipe Star Fox finalmente consegue consertar sua nave e retornar para o seu distante sistema de origem, deixando a promessa de novos crossovers no ar

No fim das contas, Peach consegue restaurar seu amado castelo, tem sua origem explicada com o encontro com sua irmã Rosalina. O Reino do Cogumelo encontra a paz temporária mais uma vez, as princesas retornam e temos o HAPPY END 🙂 e mais uma princesa resgatada, quem joga Mario sabe desse desfecho, huauhauha. Esse encerramento consolida a base narrativa para as próximas fases. E deixa espaços para o estúdio explorar novas propriedades intelectuais em breve.
O Peso da Crítica e o Desentendimento do Universo
Por outro lado, as notas baixas da crítica especializada parecem ignorar a essência da obra original. Muitos analistas de cinema avaliaram o ritmo acelerado e a ausência de diálogos reflexivos como defeitos. Contudo, essa abordagem frenética reflete diretamente a jogabilidade dinâmica dos jogos de plataforma. Os jogadores reconhecem que a narrativa sempre serviu como pano de fundo para mecânicas inovadoras. Consequentemente, exigir um arco dramático complexo de um filme espacial demonstra desconexão com o material. Shigeru Miyamoto, produtor do filme, afirmou recentemente detalhes sobre essa visão criativa. Ele garantiu que a equipe buscou expandir o mundo de Mario de forma divertida para os fãs.
Referências e Easter Eggs que chamam atenção
Sem dúvida, o principal atrativo para os fãs reside na quantidade absurda de segredos em tela. A Illumination Entertainment escondeu detalhes meticulosos em cada quadro da jornada espacial. Primeiramente, a trilha sonora orquestrada por Brian Tyler reaproveita os arranjos icônicos originais. Acima de tudo, os acordes evocam a nostalgia imediata ao tocar o clássico tema de “Gusty Garden”. Além disso, a presença de power-ups clássicos demonstra o enorme respeito da produção. Por conseguinte, observar a tela recompensa o espectador fã com conexões diretas ao legado. Para organizar esses elementos técnicos, compilamos as principais referências notadas pelo público.
A animação traz participações surpreendentes que sugerem um universo compartilhado emergente. A introdução repentina de Fox McCloud, dublado por Glen Powell, empolgou o público. Essa aparição quebra as barreiras da franquia e acena fortemente para Star Fox. Similarmente, a inclusão de inimigos clássicos garante o fator fã-service de qualidade impecável. Vejamos a seguir alguns desses elementos que provam a dedicação dos desenvolvedores. Certamente, esses detalhes consolidam a obra como uma homenagem absoluta à trajetória da Nintendo.
ROB

A brinquedo acessório auxiliar em alguns jogos do NES, vira personagem (e num momento bem divertido, principalmente para os OLD SCHOOLS que conhecem os bugs do brinquedo), o carismático robô que ajuda os protagonistas a encontrarem o caminho à galáxia em que Rosalina está sendo mantida por Bowser Jr.
A equipe Star Fox

Durante a aparição de Fox, sua equipe é mencionada, e o personagem fala como ele acabou indo parar na estação galáctica, e nesse momento temos uma animação bem estilizada no formato de anime que chama bastante atenção.
O Dragão de Super Mario Odyssey

O Ruined Dragon, um dos chefões de Super Mario Odyssey, é muito parecido com o dragão que aparece ao ser chamado por Bowser Jr. em sua batalha final contra Mario e Luigi.
Os PIKMINS

Os personagens queridinhos de Miyamoto, aparecem rapidamente na cena do terminal de embarque e desembarque de naves.
A SUPER SCOPE

A famosa bazooka do SNES, aparece na trama como a arma responsável por tornar nossos heróis em suas versões bebê.
Uma breve observação sobre itens relacionados ao filme que pesam no bolso
O filme no Brasil trouxe alguns itens que podem ser adquiridos nos cinemas, a rede de cinemas Cinépolis anunciou a abertura da venda on-line do colecionável mais desejado do momento. O balde de pipoca temático do Yoshi, inspirado em Super Mario Galaxy: O Filme, já pode ser adquirido antecipadamente por membros do Club Cinépolis, programa de fidelidade gratuito da empresa. A compra pode ser realizada tanto pelo aplicativo quanto pelo site oficial da rede, onde também é possível fazer o cadastro no programa.

De acordo com a empresa, o balde estará disponível para retirada nas bombonieres dos cinemas a partir do dia 30 de março, na mesma unidade escolhida no momento da compra. O preço do item pode variar conforme a unidade e a região, com valor inicial sugerido de R$ 199,00.
O problema é essa variação de preço que por exemplo em Fortaleza colocou o item a R$ 279,00 que é absurdamente caro! (isso é um ponto BEM NEGATIVO deste review.
Fechando a avaliação…
O filme para esse que vos fala, leva uma nota 8.0 não por apego emocional, ou simplesmente ignorar o que a crítica fala. Eu assisti, não percebi tantos problemas de enredo pois já joguei Mario Galaxy e outros games da franquia – SEMPRE os jogos tem uma dinâmica rápida. Esse filme não foi feito para ter histórias profundas, desenvolvimento de histórias de personagens e bla bla bla… Mas pra fazer a crianças se divertirem e adultos rememorem elementos dos jogos durante a história. A trama da história foi bem colocada e claro as surpresas e achados do filme são muito divertidos. Então o meu conselho sempre é, assista, nem sempre os críticos entendem e não tem o nosso mesmo gosto. Me diverti muito com minha família e super recomendo para que vocês assistam com a sua. Sobre o 3D, imagino que não tenha tanta diferença ser com ou sem. E claro, não posso deixar de dar parabéns a dublagem nacional que emociona a todos e torna esse filme acessível para as crianças que com certeza são o principal alvo de público.

Professor, Analista de Sistemas, Presidente da UCEG e pai do Icaro.
“Os jogos podem mudar o mundo”