Review: DREAMCORE e a moda dos jogos backroom

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Bem meus amigos, resisti o quanto eu pude à essa onda de jogos no estilo “backroom” como Backroom Company e Escape The Backrooms (cooperativo), que nada mais são que um estilo de jogo no qual o principal objetivo é encontrar a saída de corredores e salas infinitas, desafiando nossa lógica de localização e de coordenação.

Para muitos como eu mesmo inclusive, durante os primeiros minutos, é um jogo “anda e anda e anda” esquisito com gráficos como se estivéssemos num filme VHS dos anos 1980… fiquei irritado como não encontrava uma lógica nos caminhos, como é que uma sala abria para um salão imenso e do lado outro maior ainda com um corredor comprido se isso não cabia dentro do mapa mental que tentava intuitivamente construir? Esse é o espírito, não tem lógica. Mas tem sentido!

De repente minha filha de 14 anos entra na sala, reconhece o jogo como backdoor e começa “vira aqui, vira ali, você não está vendo aquele sinal ali, tonto? É pra lá”. Parece que esse velho jogador que foi ao inferno e voltou nos labirintos de DOOM, que salvou as mulheres dos aliens nos labirintos do Duke Nukem e o mundo inteiro em tantos jogos FPS não seria capaz de encontrar a saída da primeira fase deste jogo, vencido pela mente jovem da jogadora de Roblox, Wuthering Waves e Genshin Impact…

É a forma de pensar dos anos 1970 sendo vencida pela forma de pensar dos mais jovens? Não admito! Vamos continuar!

Fase 1: Dreampools…

Essa é a pegada do jogo: te desafiar contra todos seus instintos, contraria a lógica, fazer seu senso de localização espumar de raiva e te obrigar a prestar atenção numa plaquinha ali na parede, num vaso de plantas, na cor da porta de uma casa, na cor das paredes, etc.

DREAMCORE foi desenvolvido por Valentin Iribarren do estúdio indie Montraluz e publicado pela Tlön Industries, ambos argentinos e sendo este o primeiro jogo do Valentin e o segundo publicado pela Tlön.

Neste jogo temos um pacote com cinco mapas diferentes, cada um deles correspondendo a um universo com infinitos espaços pra vc explorar… Um jogador atencioso vai demorar umas 10 – 15h para zerar todos eles (usando fones de ouvido como acessório obrigatório, fica a recomendação deste autor) e nesses diferentes levels podemos explorar uma infinidade de mundos extraordinários e expansivos, baseados em labirintos de espaços não lineares, com cada um apresentando um quebra-cabeça exclusivo que os jogadores devem resolver para encontrar a saída, sempre jogando como se estivesse assistindo uma lembrança nebulosa e distorcida dos anos 80 gravada em VHS, com toda aquela estética granulada.

Apertando os botões superiores do controle (XBox e Playstation) a câmera de VHS faz um zoom e permite ver mais longe para planejar a direção certa. Não ajuda muito mas quem viveu a era das câmeras VHS e BETAMAX vai gostar desse recurso.

Fase 2: Eternal Suburbia…

 

As estruturas são intrincadamente conectadas e as paisagens cativantes, onde cada ambiente incentiva aventuras e exploração. Cada mapa apresenta uma vasta gama de possibilidades, proporcionando experiências totalmente distintas com um visual muito interessante feito com a engine Unreal Engine 5. É instigante o conflito interno que senti entre o instinto 1 de localização procurando uma saída e o instinto 2 de lógica  “isso não faz sentido”. Hilário!

Não vou adicionar muitas imagens a este artigo pois cada uma delas pode ser um spoiler das soluções dos labirintos, visto que são não-lineares e talvez aleatórios. É jogar, passar raiva e se divertir lutando contra si mesmo! 😀

Fase 3  – Possivelmente a mais estranha de todas…

 

Os ambientes vão dando aquele aspecto sinistro, muda a música de repente, uma sala tem um objeto gigante num canto apontado para o jogador, uma bolota chamada Fred tem um sorriso misterioso angustiante, tudo nesse jogo é planejado para fritar suas emoções.

As fases se dividem em cinco, incluindo a última recentemente publicada:

1) DREAMPOOLS uma espécie de clube imenso com piscinas cobertas e toboáguas, interligado por rampas, escadas e corredores, sem uma direção definida. O espaço mescla ambientes abertos, cantos escuros e áreas com elementos infantis, tudo construído com azulejos brancos e iluminação suave. Parece que estamos num clube abandonado à espera de surgir um assassino com uma faca para nos perseguir.

2) ETERNAL SUBURBIA ou um bairro congelado no tempo, composto por casas idênticas, colinas suaves e torres isoladas. O mapa apresenta um ciclo completo de dia e noite que altera a iluminação e a percepção do espaço. Todas as fachadas das casas parecem iguais mas cada interior é diferente… Em algumas áreas, é possível encontrar alto-falantes tocando música jazz ao fundo. O layout não segue uma lógica clara e muitos caminhos levam de volta a lugares já visitados.

3) PLAYROOMS que são uma sequência de espaços inspirados em áreas de recreação infantil só que recriados com uma estética bem artificial… Salas acolchoadas, estruturas de castelos de plástico, corredores repletos de bolas, túneis com redes, blocos gigantes e etc. Com cada área seguindo uma lógica de diversão infantil, mas desprovida de funcionalidade ou presença humana. Não há instruções, sons ou indicações claras — a progressão depende inteiramente do jogador. Sinceramente a fase mais angustiante do jogo!

4) LIMINAL HOTEL é um hotel bem estranho, um espaço de vários andares onde o tempo e o estilo se desfazem à medida que você desce cada andar, sendo que cada um deles alterna entre moderno e antigo, interligados por corredores sinuosos e elevadores enganosos. O ambiente brinca com o conforto e o desconforto num lugar que não faz sentido e nem parece um lar.

5) DEAD MALL é o capítulo final dessa obra e coloca o jogador num shopping abandonado, sem humanos, completamente distorcido e que se ficar muito tempo andando por ali é capaz de perder mesmo a sanidade. Dreamcore realmente não é para pessoas ansiosas, angustiadas, tensas, cardíacas… mesmo não tendo nenhum susto a luta interna do cérebro em resolver os puzzles nos consome! 😀

 


Nota 8,0 de 10. É um jogo bem diferente do habitual, bem indie, com preço em conta e muito justo pelo que oferece em termos de horas de luta contra seus instintos. Aos fãs desse tipo de jogo é um prato cheio. Só não leva 10 pois, diferente de alguns outros títulos, faltou a experiência do multiplayer e toda aquela tensão de estar jogando com um ou vários amigos e eles desaparecerem entre os corredores de labirintos que não fazem o menor sentido. E também achei que faltou aquele toque final com alguma coisa sinistra nos obrigando a fugir, um assassino, um voodoo, uma bruxa do 71 querendo casar, alguma coisa assim.

Dreamcore, disponível para STEAM, Playstation e Xbox.

Site oficial AQUI.

Versão analisada no Xbox Series X.

Chave fornecida pela Plan of Attack.

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