Que tal vencer vilões do folclores brasileiro conduzindo a narrativa por meio de uma desafiadora aventura com uma capivara mágica?
Essa é a proposta de Capytales: A Folk Adventure, do estúdio brasiliense SoulAres, que entrou em comercialização no final de dezembro de 2023.
O Quebrando o Controle bateou um papo com a equipe de desenvolvimento do indie game e descobriu a sagacidade desse time ao transformar a pacata e singela capivara em uma aventureira conquistadora nos mitos e ritos brasileiros.
Para Erivas Soares, um dos responsáveis pelo projeto foi natural considerarem a criação do game com uma protagonista capivara, ao avaliar que o “animal está em alta no mundo inteiro hoje em dia, talvez por ser um animal tão dócil, tão fotogênico”.
“A internet adora capivaras. Considerando a identificação que o povo brasileiro tem com o animalzinho, ela combinaria perfeitamente bem com a nossa ideia de fazer um jogo extremamente brasileiro”, definiu.
“Ela, ainda assim, é um misto do conceito de ‘Garota-Mágica’ das produções pop asiáticas, mas a gente se apropriou das influências para construir uma personagem versátil e carismática para integrar o nosso universo do jogo, cheio de elementos do folclore nacional”, afirmou.
Como afirmou Erivas Soares, o estúdio conta com duas pessoas fixas que atuam de forma permanente, sendo o próprio Erivas e a Nany Soares. “Nós dois ingressamos na área de Jogos Digitais em 2017 e somos os dois egressos de outros campos de trabalho: Ela Advogada, e eu Geógrafo”, comentou o designer, em conversa com o Quebrando o Controle.
Após alguns anos atuando na indústria como prestadores de serviço na área de Ilustração e Pixel Art, a dupla optou por formalizar o estúdio e com o lançamento de projetos de pequeno porte.
“Até o momento o Capytales é o nosso maior projeto lançado (De muitos outros que vão dar as caras ao longo desses próximos anos)! Cabe dizer que, além do nosso trabalho no desenvolvimento, a gente ainda contou com o trabalho direto da nossa ilustradora LeVi Art, e com a nossa dubladora Roxxy Sant’anna! As duas são colaboradoras ocasionais do estúdio, e são talentosíssimas nas suas áreas de atuação!”, enalteceu o profissional ao elencar a equipe do jogo.
Capytales foi um longo projeto que, do primeiro protótipo até o lançamento, contou com um tempo de produção de aproximadamente três anos, segundo o criador.
“Ainda visitávamos o projeto esporadicamente para fazer alguns testes, mas como ele estava participando de um processo de fomento cultural para obter financiamento, só tivemos a verba para custear o projeto em 2022”, rememorou.
A criação foi contemplado pela FAC, o Fundo de Apoio à Cultura, da Secretaria de Cultura do Distrito Federal e, a partir daí, o time começou a trabalhar mais intensivamente no título.
“Conseguimos não apenas atrair talentos para contribuir com o desenvolvimento, quanto fomos capazes de oferecer um pagamento justo pelo trabalho executado”, comentou Erivas, ressaltando que, o trabalho com essas parcerias governamentais apresenta maior rigidez com os processos e demandas.
“Até porque, estamos trabalhando com dinheiro público e essas fontes de fomento são verdadeiros catalisadores, que ajudam não só estúdios de jogos, como também músicos, cineastas e escritores, a materializar suas ideias, enquanto propagam ações culturais dentro das cidades”, enfatizou.
Administrar uma equipe maior para a realização do projeto trouxe, segundo o autor, “um pouquinho de turbulência no começo”.
“Foi bastante esforço de todo mundo da equipe, para a gente conseguir montar um fluxo de trabalho que fosse mais adequado para todo mundo. Felizmente, deu tudo certo, e conseguimos estabilizar esse voo sem grandes percalços”, analisou, repassando as etapas de produção.
Um dos diferenciais do jogo é, sem dúvida, o fato de as figuras folclóricas do país contarem com grande disseminação, por conta dos causos e histórias ainda hoje contadas pelo povo em toda parte.
“O jogo conta com quatro chefões distribuídos nas suas 24 fases, todos eles conhecidos por boa parte das pessoas. A Mula sem cabeça, a Cuca, e o Boitatá são super populares. Dá para dizer que todo mundo já teve algum contato com essas histórias ao longo da vida. Acho que o Corpo-Seco, nosso chefão final, talvez seja um dos personagens folclóricos menos conhecidos”, observou.
“Nós fizemos um trabalho na direção de arte onde o conjunto de fases que precede cada chefão seja amarrado com ele em termos de paleta de cores, por exemplo”, informou, ao destacar importantes aspectos de design visual da produção.
“Tivemos bastante esforço nas fases de testagem para garantir que o projeto tivesse uma curva de dificuldade progressiva, e que o jogador tivesse tempo e liberdade para aprender as mecânicas.
Também tratamos de manter o jogo com uma estética uniforme, fofa, um tom bem humorado, e mais do que qualquer outra coisa: fiel à nossa visão”, fez questão de ressaltar o game designer em sua fala.
“Tentamos construir um jogo que poderia ter sido feito aqui no Brasil, com nossos elementos, nossa identidade, se o país tivesse uma indústria forte nesse segmento na década de 90. Claro que demos uma modernizada boa para que o jogo ainda assim fosse atual, mas ele foi concebido como a nossa ‘Aventura que podia ter sido'”.
Por se tratar de um projeto que contou com fomento cultural de Editais Públicos, o game da SoulAres “já nasce como um projeto com um balanço mais vantajoso”, afirmou Erivas.
“Ainda assim, seguimos no trabalho de apresentar e divulgar o projeto agora, ao longo desse ano que está começando agora. Ele contou com um ciclo de propaganda impulsionada no momento do lançamento, que garantiu uma boa visibilidade do jogo dentro da Steam, e tivemos uma boa conversão de visualizações em Wishlists”, identifica o desenvolvedor em uma análise sobre as questões de divulgação e marketing para o projeto.
Erivas também comunicou que o grupo está planejando levar o jogo a eventos presenciais e estão entrando em contato com criadores de conteúdo, youtubers e streamers, além de darem andamento à produção de um Press Kit para apresentar o game para a mídia especializada.
O profissional aproveita o bate-papo para “mandar um abraço para a comunidade Gamer”. “Tanto os desenvolvedores, quanto os jogadores e todo esse nicho que se desenvolve ao redor, sejam streamers, jornalistas, produtores de conteúdo. Desde sempre, fazer parte desse mundo sendo brasileiro significava participar da indústria no modo hard”, declarou.
“Desde as crianças dividindo Ficha no fliperama lá nos anos 90, quanto a galera que deu a cara a tapa e começou a desenvolver jogos aqui no país quando ‘tudo aqui era mato’, sempre foi um desafio”, argumenta Erivas.
“Mas, se tem uma coisa que a gente aprendeu jogando foi a superar desafios, não é mesmo? Aproveitar que estamos no começo do ano, e desejar muitas conquistas para todos nós”, finalizou.
“Acompanhe Capytu em sua jornada contra o terrível Corpo-Seco”, informa a divulgação do game na página do Steam. “Desafie poderosos membros do Folclore Brasileiro para proteger a natureza usando o poder dos espíritos Capivara, resolvendo quebra-cabeças, desafios de plataforma, e recolhendo todos os colecionáveis escondidos pelas fases. Acompanhe Capytu, a Garota-Mágica Capivara em sua aventura a fim de deter esse vilão [em] 24 níveis completos”.
Capytales: A Folk Adventure, que conta com o apoio da Dyxel Gaming, especializada em curadoria de jogos independentes, já se encontra disponível nas plataformas digitais Steam, onde pode ser adquirido por R$ 10,49, e Itch.io (Temos uma demo gratuita, para quem quiser experimentar”, confidenciou Erivas, convidativo).
“Quem quiser acompanhar nossos projetos, pode nos encontrar no Facebook“.
É possível assistir, também, a uma palestra online sobre o lançamento de Capytales: A Folk Adventure, realizada durante o GameDev – ToolKit de novembro de 2023 e disponível no canal do projeto, no YouTube.
Imagem: Steam

Idealizador do projeto Indie Brasilis, ex-editor e atual colaborador do Quebrando o Controle, o jornalista se diz um Geek assumido e fanático por RPG e Dungeons & Dragons. O profissional atua desde 2007 no jornalismo de games, com passagens pelos veículos Portal GeeK, Game Cultura, GameStorming, Rádio Geek e Drops de Jogos, entre outros.