
Muitos fazem parte dele, mas nem sabem do que se trata, o setor da ECONOMIA CRIATIVA cresce muito no mundo e tem trazido atrativos interessantes em países desenvolvidos. O Brasil não fica de fora disso, pois possui um potencial neste setor, mas precisa ser melhor direcionado. E os games estão neste meio, como veremos na coluna.
O atual Ministério da Cultura brasileiro tem buscado atuar incentivando esse setor, inclusive criando segmentos e uma secretaria específica para esta pauta. Contudo, diante da situação do país as contingências sempre começam com coisas consideradas não prioritárias, e a CULTURA no Brasil sempre sofre com isso. Nota-se isso, principalmente pelo fato de muitos envolvidos nem saberem o que é a ECONOMIA CRIATIVA.
O que é a Economia Criativa?
É um conceito criado para nomear as atividades econômicas e modelos de negócios originados a partir do conhecimento, da criatividade e do capital intelectual. A Economia Criativa está no rol de disciplinas que compõem a chamada economia baseada no conhecimento (knowledge based economy). Entretanto, não deve ser confundida com a economia da inovação, que consiste na transformação de conhecimento científico ou tecnológico em produtos, processos, sistemas e serviços que dinamizam o desenvolvimento econômico, criam riqueza e geram melhorias no padrão de vida da população. Também não deve ser confundida com economia da cultura. É um conceito novo, em construção.
Pode-se dizer que: Economia Criativa é o ciclo que engloba a criação, produção e distribuição de produtos e serviços que usam a criatividade, o ativo intelectual e o conhecimento como principais recursos produtivos. São atividades econômicas que partem da combinação de criatividade com técnicas e/ou tecnologias, agregando valor ao ativo intelectual. Ela associa o talento a objetivos econômicos. É, ao mesmo tempo, ativo cultural e produto ou serviço comercializável e incorpora elementos tangíveis e intangíveis dotados de valor simbólico. A criatividade e a inovação, tanto individual quanto coletiva, são reconhecidas como a verdadeira riqueza das nações no século 21 e compõe as atividades que apontam para a Economia Criativa. (Fonte: Livro – Economia Criativa – Prefeitura de São Paulo – 2011)
Grande parte dessas atividades vem do setor de cultura, moda, design, música e artesanato. Outra parte é oriunda do setor de tecnologia e inovação, como o desenvolvimento de softwares, jogos eletrônicos e aparelhos de celular. Também estão incluídas as atividades de televisão, rádio, cinema e fotografia, além da expansão dos diferentes usos da internet (desde as novas formas de comunicação até seu uso mercadológico), por exemplo.
Vale a pena ver em mais detalhes o Relatório Especial da UNESCO (2013) sobre o setor que explora diversos caminhos para o desenvolvimento através da cultura e das indústrias criativas e analisar as formas em que pode ser reforçado e alargado para alcançar os resultados esperados, inclusive social e desenvolvimento econômico.
Outra fonte mais voltada para o Brasil, é o PLANO DA SECRETARIA DE ECONOMIA CRIATIVA (2011 a 2014), onde são explicados vários conceitos e estratégias do governo para este setor. Bem como o portal do SEBRAE tem boas referências sobre o setor no Brasil e com base em vários levantamentos e pesquisas, buscando alavancar os mais diversos setores da Economia Brasileira
Mas o que tem os games com a Economia Criativa?
Segundo o Plano da Economia Criativa do Ministério da Cultura no âmbito nacional temos dentre os principais setores:

Dentre estes, temos o setor de Audiovisual e Mídias interativas que contemplam os Videogames. Contudo, toda esta explicação para indicar que hoje temos a janela junto ao Governo Brasileiro para classificar JOGOS ELETRÔNICOS como elemento cultural, e principalmente conseguir apoio para os que buscam desenvolver jogos na terra brazilis 🙂
Sim! Há editais de fomento lançados para isso e com isso recursos para os que querem empreender e ter apoio para seus projetos. Como recentemente aconteceu em Curitiba:
“Em sintonia com os produtores culturais e artistas locais, a Fundação Cultural de Curitiba apresentou uma série de novidades no edital do Mecenato Subsidiado 2015 e acatou diversas ideias enviadas pela população por meio da consulta pública. Entre as sugestões incorporadas ao texto do edital está a inclusão de projetos artísticos para games na linguagem de artes visuais, enquadrado como arte digital”. (Fonte: Fundação Cultural de Curitiba, 1015).
Vejam também essa matéria onde apontam 5 maneiras de se conseguir recursos do governo (Fonte: Cinco maneiras práticas de contar com o governo federal – Draft, 2014) e esta matéria sobre oportunidades de como se sobressair com a Economia Criativa mesmo diante da crise atual (Fonte: Economia criativa busca se sobressair em meio a crise no Brasil – Marketing de Games, 2015).
Possibilidades existem, cabe agora ficar de olho e aproveitar para colocar as Ideias em Jogo. Até próxima semana!
Autor: Izequiel Norões

Professor, Analista de Sistemas, Presidente da UCEG e pai do Icaro.
“Os jogos podem mudar o mundo”