O colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, escreveu na última semana um artigo sobre uma suposta mobilização do setor brasileiro de games, unindo os jogos digitais e os fantasy sports erroneamente em uma mesma categoria de entretenimento, induzindo o leitor a crer que se tratam de produções similares.
Como afirmou a senadora Leila Barros, durante a sessão de 15 de agosto de 2023, “os fantasy games se assemelham mais a uma loteria de aposta de cota fixa, conhecida como sports betting”, do que com os games, segmento que foi reconhecido como modalidade cultural duas décadas atrás pelo então Ministro da Cultura Gilberto Gil e ganhou reforço, mais recentemente, com a aprovação do Marco Legal dos Jogos Eletrônicos.
Para o colunista, os fantasy sports “simulam jogos reais”, afirmando que “popularizado por plataformas como o Cartola e o Rei do Pitaco […] o segmento argumenta que tais jogos se diferem de sites de apostas e jogos de azar, [sendo estes últimos apenas] considerados prejudiciais à saúde”.
Como identificou o Senado Federal em setembro do ano passado, em meio às discussões sobre o Marco Legal, “os fantasy games [são considerados] disputas em ambiente virtual a partir do desempenho de atletas reais. Os participantes dessa modalidade ‘escalam’ equipes imaginárias, formadas por personagens que simulam o desempenho estatístico dos atletas reais de um esporte profissional, como futebol, vôlei ou basquete”.
O que une os fantasy sports aos jogos de azar é justamente o fato de o resultado de performance no jogo [e os potenciais ganhos em dinheiro] depender não apenas da habilidade dos apostadores, mas do “desempenho estatístico dos atletas reais”, elemento que pode ser alterado por inúmeros fatores, intencionais ou não.
Ao ignorar essa equação, Jardim parece querer afirmar que os fantasy estão isentos da condição de prejudicar os jogadores, que podem efetivamente perder dinheiro com a modalidade e terem sua saúde igualmente abalada.
Em nota, a ABRAGAMES explicou que “diferentemente do divulgado na coluna de Lauro Jardim na edição de 11/07/24 do jornal O Globo Online, os fantasy sports não fazem parte do setor de games do Brasil”, identificando esse entendimento do articulista como “errôneo”.
“É crucial que o público, a imprensa e os atores políticos estejam cientes de que jogos de apostas, azar e fantasy sports são categorias distintas dos videogames, não se misturando em nenhuma instância”.
A íntegra do documento pode ser acessada diretamente no site da associação.
Imagem: fotomontagem a partir de imagem de Apptunix

Idealizador do projeto Indie Brasilis, ex-editor e atual colaborador do Quebrando o Controle, o jornalista se diz um Geek assumido e fanático por RPG e Dungeons & Dragons. O profissional atua desde 2007 no jornalismo de games, com passagens pelos veículos Portal GeeK, Game Cultura, GameStorming, Rádio Geek e Drops de Jogos, entre outros.