Por Um Punhado De Bits: Mas Que Fofura

Renato Degiovani Últimas notícias
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Querendo ou não, consciente ou não, a esmagadora maioria dos jogos tem pelo menos um personagem relevante ou principal. Pode nem ser tão óbvio assim numa primeira olhada, mas que tem, isso tem.

Na pré-história dos games, esses elementos podiam nem mesmo ter uma personalidade de destaque ou principalmente cativante. Não eram bichinhos fofinhos e adoráveis, que os jogadores gostam de tratar como seus queridinhos. Mas então apareceu o Pac-Man e praticamente tudo mudou. Inspirado numa pizza fatiada e na ganância por comida, o personagem virou febre logo no começo dos anos 80 e abriu um novo filão para a indústria: os games com personagens fofinhos.

Muitos vieram na sequência e uns poucos se tornaram grandes IPs, como o Mario, Sonic, Donkey Kong e o próprio Pac-Man. Das fornadas seguintes podemos destacar Sackboy, Pikachu, Kirby e Poring. O nível de fofurismo desses personagens é tão intenso que eles acabam formando fãs clubes, principalmente entre os jogadores mais jovens (sempre lembrando que jovem também é consumidor). O lance das IPs (Intellectual Property) é justamente essa extrapolação que ocorre com esses personagens, a ponto de virarem alvo de proteções por leis específicas, mundo afora.

É assim tipo a Turma da Mônica que dos quadrinhos saltou para um universo gigantesco de produções. E se você fez ou vai fazer um jogo cujo personagem é fofinho e a veia comercial já está saltando só de pensar em camisetas, canecas, quadrinhos, bonecos funcos, etc, é bom começar a estudar o assunto.

Aqui no Brasil não estamos tão atrasados assim pois temos uma lei, Nº 9.609 de 19 de Fevereiro de 1998 que dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programa de computador e a sua comercialização no País. Aposto que não sabia disso e se não, pesquise para se informar. Em tempo de marco dos games, vale a pena conhecer a lei que tirou o software do limbo das produções e deu a ele uma razão de existir, até porque, para efeitos legais um jogo digital é na sua essência um programa de computador.

Mas apenas conhecer o assunto não basta. É preciso combinar com os russos a ponto do seu personagem virar, por unanimidade, um ente das terras da fofura. E olha que se der uma passadinha na Steam, neste momento, vai deparar com uma gigantesca quantidade de tentativas nesse sentido. Porquinhos, gatinhos, cãezinhos então (pra ficar só nesses exemplos), nem se fala. Deviam ter uma categoria só desses animais. Só de brasileiros deve ter um monte e o desafio aqui é listá-los (alguns vieram em forma de promessas de sucesso estrondoso, quando do lançamento).

O dilema tostines aqui é: o jogo faz sucesso porque o personagem é fofo ou o personagem é fofo porque o jogo faz sucesso? Assim como o caso dos biscoitos, provavelmente nunca saberemos. Mas pra não passar em brancas nuvens, eu diria que ser fofo não garante muita coisa (além da fofurisse). O barato é o conjunto da obra, ou seja, o contexto no qual o personagem foi inserido. Para isso, um bom enredo e uma distinção bem elaborada é o primeiro passo. Em se tratando de games fofos, nada é por acaso, senão acaba caindo na funesta categoria do mais do mesmo.

Em tempo, você sabia que os 4 fantasmas do pac-man chamam blinky, pinky, inky e clyde e que apesar da natureza aparentemente aleatória, seus movimentos foram bem estruturados? Segundo o criador Toru Iwatani, ele projetou cada inimigo com sua própria personalidade, a fim de impedir que o jogo se tornasse muito difícil ou chato de jogar. Conhecendo a tendência de cada fantasma, fica mais fácil prever para onde eles irão.

Não é uma fofura?

Então, se quiser criticar, elogiar, xingar, falar palavras de incentivo, mandar pix pra ajudar na aposentadoria, etc, o canal mais eficiente é o velho e surrado e-mail: renato@tilt.net. Sinta-se livre pra descer o sarrafo porque nesta altura do campeonato, meu amigo, eu já sofri todas as críticas positivas e negativas que um gamedev pode sofrer.

Imagem: Promovex

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