The Last Guardian finalmente está entre nós. Depois de longos sete anos de desenvolvimento, o terceiro jogo de Fumito Ueda foi lançado para o PlayStation 4 e produzido pela TemIco (divisão que agora é conhecida pelo nome de genDESIGN).
Originalmente anunciado em 2009 (e em produção desde 2007) e com planejamento para ser lançado em 2011 para o PlayStation 3, The Last Guardian sofreu diversos atrasos e isso de certa forma pode ser notado no resultado final da obra. O diretor do jogo, Fumito Ueda, uma vez disse que o game demandava muito do hardware do PlayStation 3 e isso pode ser visto na forma com que Trico foi feito, no balançar de suas várias penas e na forma como reage.
A estrutura de The Last Guardian é bem similar a de Ico (lançado em 2011), onde o jogador controla um garotinho que acorda em uma caverna com uma criatura chamada Trico, que está aprisionada. Juntos ambos começam a desenvolver seus laços e, para isso, precisam passar por diversos obstáculos que envolvem a resolução de puzzles como puxar alavancas, acessar locais que naturalmente garoto não alcançaria sozinho, mas que com a ajuda de Trico ele consegue, interagir com itens que atrapalha a progressão e até mesmo enfrentar algumas batalhas contra certos inimigos. A semelhança entre Ico é que aqui temos Trico como parceiro e não a garota Yorda.
O grande brilho de The Last Guardian está mesmo em Trico e seu incrível número de detalhes e expressões. Muitas das coisas do animal, que tem inspiração em diversos outros animais do mundo real, podem ser notadas apenas por suas expressões corporais, seja na forma como ele reage com o jogador e com o cenário, até mesmo quando está com raiva e as penas de seu corpo ficam irritadas. São vários pequenos detalhes que fazem de Trico parecer cada vez mais vivo, mas alguns deles podem ser também completamente irritantes ou não.
Trico não corresponde aos nossos comandos de imediato – mesmo que você saiba exatamente o que fazer durante um puzzle – devido ao fato dele simplesmente ignorar o jogador. Existem vários comandos dos quais se podemos realizar com o garoto, sejam eles pedir para que a criatura vá para um determinado lugar, saltar, pisar em objetos, entre outras coisas. Por muitas vezes dei diversos comandos ao animal que simplesmente não obedecia, se tornando um tanto quanto frustrante, e até mesmo entediante, justamente por não conseguir avançar por causa disso, mas se não fosse isso, talvez o senso de que aquela era realmente uma criatura viva não fosse tão marcante. É justamente o fato de não ser uma constante que faz de Trico não parecer apenas algum personagem scriptado.
Tirando isso, The Last Guardian tem outros diversos problemas técnicos enormes e um deles está principalmente na sua câmera, que é horrível. Algumas vezes simplesmente parece demorar a se mover, em outras fica completamente sem saber onde focar, todavia, o maior problema é ela não saber lidar com espaços fechados e por muitas vezes ficava escura, tentando se corrigir devido a proximidade dos personagens à ela.
Se isso for somado a taxa de quadros que não é estável, ao movimento desengonçado do garoto (que em si é aceitável, mas com a câmera faz ficar algo ruim) e com o péssimo enquadramento dela, faz com que talvez seja uma câmera ainda pior do que a que temos em seus jogos anteriores.
Graficamente o que mais impressiona é realmente Trico. Em alguns momentos a luz em alguns cenários é algo realmente bonito, principalmente nos quais você está fora das ruínas do jogo, mas de fato o animal é a maior beleza do jogo. A forma como você vê cada uma de suas penas se mover ao vento, suas reações e movimentos fazem essa ser a grande beleza de The Last Guardian.
Uma decisão de design que é, no mínimo esquisita, são os comandos dos quais você pode usar que ficam aparecendo sempre na tela. Seria normal ver isso apenas no início do game para saber como controlar o personagem e dar as ações para Trico, no entanto, eles sempre ficam aparecendo na tela, dando a impressão de que o jogo é um eterno tutorial, muitas vezes fazendo o jogador dizer que já sabe como executar a ação, e que não precisa mais de instruções explicando de como ele deve executar determinada atividade.
Por fim, The Last Guardian é um jogo bem divisivo onde muitas pessoas vão o amar, e outras simplesmente deverão ficar frustradas. Tirando todos os seus problemas técnicos, temos aqui um jogo que cria uma maravilhosa conexão entre o jogador e Trico, fazendo seus laços crescerem cada vez mais ao ponto de no final do game você realmente se importar com o animal como se fosse uma criatura viva.
É possível ainda ver o desgaste e os problemas que o longo tempo de desenvolvimento trouxe ao jogo e, mesmo The Last Guardian não sendo um jogo perfeito, é uma aventura que certamente vai ficar marcada na mente de muitos jogadores.
Plataforma disponível: Playstation 4
Está análise do jogo foi possível graças a uma cópia providenciada pela loja Jr. Games.



