Vivemos em uma era em que o “feed” funciona como um espelho distorcido. Entre filtros, poses ensaiadas e conquistas exibidas, é fácil cair na armadilha da comparação. Mas a autoestima não precisa ser medida por curtidas ou seguidores. Cada pessoa é única e lida de forma diferente com as pressões do mundo digital, por isso não existe fórmula pronta nem conselho infalível. O que podemos é adotar práticas que ajudam a fortalecer a maneira como nos enxergamos.
No universo dos games, esse tema aparece de forma simbólica em Celeste. Madeline, a protagonista, enfrenta sua jornada tentando escalar uma montanha. Mas o maior desafio não é o frio nem os obstáculos físicos, e sim lidar com a sua “outra versão”, que representa inseguranças, críticas internas e medos. A mensagem é clara: a batalha mais difícil é contra nós mesmos, não contra os outros. O mesmo vale para a autoestima na vida real.
Lembro que, quando joguei Celeste, eu de vez em quando parava e ficava apenas olhando para a tela e pensando no que Madeline tinha acabado de falar ou fazer e o quanto aquilo se aproximava do que meus pacientes me trazem dentro do consultório… por isso decidi trazer este tema para essa semana.
Aqui vão algumas dicas que podem te ajudar a lidar com essas situações:
Evite comparações
Assim como em um RPG, cada personagem tem suas próprias habilidades, pontos fortes e fraquezas. Comparar sua jornada com a do outro só gera frustração. Nas redes sociais, a maioria posta apenas o lado bom da vida. Por trás das câmeras, todos enfrentam batalhas diárias.
Reduza o tempo nas redes sociais
Existem aplicativos que monitoram o tempo de uso e ajudam a limitar a exposição. Deixar de seguir perfis irreais ou que despertam sentimentos negativos é como limpar o inventário de um jogo, retirando o que só pesa na mochila. Prefira seguir pessoas com realidades próximas à sua. Isso ajuda a valorizar quem você é de verdade.
Convívio com quem importa
Assim como em um modo cooperativo, ter amigos e familiares por perto faz toda diferença. O contato presencial fortalece laços e melhora a saúde emocional.
Atividades físicas e prazeres pessoais
Mexer o corpo é como dar um “buff” na mente. Caminhar, dançar, pedalar ou até se perder em uma boa série ou desenho pode renovar suas energias. O importante é manter algo que dê prazer e sensação de realização.
Celebre as pequenas conquistas
Fechar um livro, receber um elogio, cumprir uma tarefa que parecia impossível. Pequenas vitórias são como troféus que marcam o progresso da jornada. Validar cada uma delas ajuda a construir uma autoimagem mais forte e saudável.
Gentileza consigo mesmo
Mais importante do que buscar validação externa é aprender a ser aliado de si próprio. Criar metas possíveis, cuidar de hábitos simples e reconhecer cada passo dado é o caminho para equilibrar corpo e mente.
Assim como Madeline em Celeste, cada pessoa tem sua própria montanha a escalar. Às vezes, a versão mais dura de nós mesmos aparece para sabotar a caminhada, mas é possível continuar subindo e vencer. Se você sente que precisa de apoio nessa jornada, não hesite em procurar atendimento com um psicólogo ou psiquiatra. O jogo da vida fica mais leve quando não enfrentamos tudo sozinhos.

José Maria Santiago, médico psiquiatra e professor de medicina, é um explorador da mente humana e um aficionado por cultura pop. Entre aulas e consultas, também encontra tempo para debater filmes, séries e games no seu podcast, o Encontroverso, onde o cérebro e o entretenimento se encontram. Especialista em fazer a ciência caber numa conversa de café e em emitir opiniões baseadas em certezas que não tem, acredita que o equilíbrio está entre a compreensão profunda da psique e uma maratona de filmes ruins bem escolhida!