“Acreditem nos indies, deem chance ao novo”, afirma Warren Spector em entrevista

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Elio Filho, correspondente do Quebrando o Controle em Portugal, entrevistou recentemente para o site Sidequest, o designer de jogos Warren Spector, profissional presente no mercado há mais de quatro décadas e reconhecido por criações como System Shock, Deus Ex e Epic Mickey.

SideQuest – Quarenta anos não são brinquedo, mais de 46 títulos de sucesso entre outros tantos projetos, como o senhor vê essas mudanças, as diferenças no desenvolvimento dos videojogos e o avanço das tecnologias?

Warren Spector – Sim, tem sido uma jornada interessante, muita coisa que fizemos no passado hoje podem ser reescritas usando novas tecnologias, como já aconteceu inúmeras vezes antes. Wing Commander mesmo foi um dos games que pela primeira vez usamos naves espaciais modeladas em 3D e pensámos “UAU”. Processamento 3D em tempo real era impressionante. Se pensarmos bem somos a única mídia na história da humanidade que transforma o usuário num criador de conteúdo, surpreendentemente, através do jogo. Pense nisso!

SQ – O senhor sempre liderou ou fez parte de equipes que desenvolveram jogos muito especiais… qual o seu segredo?

WS – De fato criamos muitas franquias com longa vida, ainda hoje falam sobre os games Deus Ex, Ultima Underworld ou System Shock. Muito me surpreende que 22 anos depois de lançarmos Deus Ex as pessoas ainda falam sobre ele e continuem a gostar de jogar. Os jogos Epic Mickey por exemplo, com resultados positivos e negativos perante os jogadores, penso apenas que eles não entenderam o jogo. Anos depois ainda recebo cartas de fãs (na verdade e-mails de fãs) dizendo que jogaram novamente várias vezes.

O segredo é que desenvolver jogos não é um trabalho para mim. Não é somente uma forma de pagar minhas contas: é uma carreira. Sempre achei jogos importantes! Lembro-me de que, enquanto estive na Origin, costumava olhar em volta e ver o que as equipes trabalhando em Underworld e System Shock estavam a fazer e me sentia a pessoa menos inteligente da sala, eu pensava “acho que vamos mudar o mundo”. Não fizemos isso diretamente, os videogames é que mudaram o mundo. E ainda há muito mais para mudar, para se explorar.

SQ – Que recado gostaria de enviar aos seus fãs?

WS – O mesmo recado que envio a todos os demais: que os jogadores sejam mais exigentes com os desenvolvedores e editores, por favor não comprem o décimo quarto jogo daquela mesma série! Acreditem nos indies, deem uma chance ao novo.

A entrevista completa, realizada pelo correspondente Elio Filho, pode ser lida diretamente no SideQuest.

Imagem: SideQuest

Elio Filho aprendeu em 1983 com o Atari 2600 o que era um videogame. Profissional do tempo da internet discada, das cartas em máquina de escrever e de conversar pessoalmente. Do Telejogo Philco-Ford ao telemóvel mais recente, gosta de experimentar games indies e de ajudar a se tornarem títulos AAA. Pai, Motard e Gamer.
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