O Rio Retrogames 2024 aconteceu no último dia 23 de junho na Club Municipal da Tijuca – Rio de Janeiro – RJ, com a participação de colecionadores e muitos expositores o evento é uma celebração ao colecionismo e a cultura de games no brasil.

Nosso correspondente especial Daniel Gomes da Comunidade Mega Drive esteve presente no evento e registrou alguns destaques e também, entrevistou o colecionador Marcelo Sávio que tinha sua coleção como uma da atrações do evento.
O evento contou com a presença de vários destaques como: Videogames Clássicos jogáveis, Máquinas de Fliperama, Exposição de consoles raros, Influenciadores e Cosplayers, Mercado Retrogame.
Mas vale o destaque para alguns elementos que vamos mencionar a seguir.
EXPOSIÇÃO DO COLECIONADOR MARCELO SAVIO
Impossível não notar a coleção do nosso entrevistado, o Colecionador e Pesquisador Marcelo Sávio, com sua exposição com vários itens com destaque para:
Consoles de videogame de primeira geração (“PONGs”) fabricados ou importados e nacionalizados, e comercializados no Brasil nas décadas de 1970/1980:
1 – Magnavox Odyssey
Lançado em Maio de 1972 pela Magnavox nos Estados Unidos e Importado, nacionalizado e comercializado pela PLANIL (Rio de Janeiro), 1975.
O Odyssey foi o primeiro videogame vendido no mundo. Era uma mistura de jogo de tabuleiro e interatividade com a TV e não usava chips (microprocessador ou memória) mas apenas componentes eletrônicos discretos (transistores, diodos, resistores, capacitores etc.).
2- TeleSport TS-1000 – Minicomputador Esportivo
Fabricado pela Royal (São Paulo), 1975 ou 1976
Console de 1ª geração (“Pong”) fabricado no Brasil. Assim como o Magnavox Odyssey, não usava chips mas apenas componentes eletrônicos discretos. Não se sabe muito a respeito desse console e estima-se que seja anterior a 1977, quando todos os consoles do tipo “pong” no Brasil (e no mundo) passaram a usar microprocessadores do tipo “pong-in-a-chip”, fabricados a partir de 1976 por empresas como General Instruments, National Semiconductor, Texas Instruments ou MOS Technology.
3 – Telejogo e Telejogo II
Fabricados pela Philco-Ford (São Paulo) em 1977 (Telejogo) e 1978 (Telejogo II)
O Telejogo foi o primeiro console de videogame fabricado e comercializado em larga escala nacional. O primeiro modelo foi lançado em 1977 e usava o chip MM57100N da National Semiconductor com três jogos embutidos (Futebol, Tênis e Paredão). No ano seguinte a Philco-Ford lançou o Telejogo II, com controles mais macios e separados do console e que usava o chip AY-3-8610 da General Instruments com dez jogos na memória.
4 – TV BOL
Fabricado pela Eletronic do Brasil (Rio de Janeiro), 1977
Console com 4 jogos na memória (Futebol, Tênis, Handebol e Pelota) que usava o chip AY-3-8500 da General Instruments e possuía controles em forma de barras que se moviam para cima e para baixo. A sede da Eletronic ficava na Rua do Rosário, no centro da cidade do Rio da Janeiro.
5 – TV Jogo Eletron
Fabricado pela Malitron (São Paulo), 1978
Console com seis jogos na memória, sendo Futebol, Tênis e duas modalidades de Paredão, além de dois jogos para se usar com uma pistola (Tiro ao Pombo e Tiro ao Prato). Foi vendido como produto pronto ou em forma de Kit para montar em casa, anunciado pela Revista Saber Eletrônica. Teve duas cores (amarelo e bege) e também uma variante no nome do console amerelo, lançado como “Canal 14” (a TV indo além do Canal 13). Usavam os chips AY-3-8500 da General Instruments.
6 – TV Jogo 3 e TV Jogo 4
Fabricados em São Paulo pela Superkit em 1979 (TV Jogo 3) e pela JME em 1983 (TV Jogo 4).
TV Jogo 3 usava o chip MM57100N da National Semiconductor (o mesmo do Telejogo I) com três jogos. O TV Jogo 4 usava o chip AY-3-8500 da General Instruments, usado na maioria dos pongs de 4 jogos lançados naquela época.
7 – TV Jogo 10
Fabricado por Malitron (São Paulo), 1977
Console “avançado” para a época porque já usava o então recém-lançado chip AY-3-8610 da General Instruments, que vinha com dez jogos, incluindo jogos de tiro, e movimento horizontal das palhetas. Esse console esteve disponível em dois formatos: como produto pronto (caixa vermelha) e em forma de kit para montar em casa ou em cursos de eletrônica (caixa branca). Eram vendidos pela própria Malitron ou por representantes autorizados.
8 – Videorama VD-850, Videoalvo VD-850A e Kibon Game
Fabricado pela Politron/Hobbytron (Porto Alegre), em 1978 e 1979
Únicos consoles fabricados fora do eixo Rio-São Paulo. A empresa mudou de nome de Politron para Hobbytron e o console mudou de nome de Videorama para VideoAlvo, provavelmente por motivos legais de propriedade sobre uso de marcas. Teve um modelo especial amarelo (“Kibon Game”) criado para uma campanha publicitária da fabricante de sorvetes Kibon que, nos verões do final dos anos 70s e início dos anos 80s, costumava distribuir brindes em palitos de picolés premiados. Usavam os chips AY-3-8500 da General Instruments.
9 – TVG 101-4 e 102-4
Importados e nacionalizados pela Evadin (São Paulo) em 1978 e 1979
A EVADIN, empresa brasileira de fabricação de produtos eletrônicos, importou e nacionalizou os consoles TVG 101-4 e TVG 102-4 da CONIC (Hong-Kong) que usavam o chip AY-3-8500 da General Instruments. Eram consoles bonitos e bem montados que usavam seis pilhas grandes ou “eliminador de baterias” de 9v, como eram chamadas as fontes.
10 – TV Jogo Formula-1 e Telejogo Super MotoCross
Revista Saber Eletrônica e Superkit (São Paulo) , 1980
Anunciados nas Revistas Saber Eletrônica, em forma de produto pronto (Superkit Telejogo Super MotoCross) ou kit para montagem (TV Jogo Formula 1). Usavam variações do chip da família AY3 da General Instruments, com circuitos específicos que geravam imagens de pistas de corrida e obstáculos.
11 – TV Game I e TV Game II
Revista Nova Eletrônica (São Paulo), em 1978 (TV Game I) e 1980 (TV Game II)
Anunciados na Revista Nova Eletrônica, em forma de kits ou de produtos prontos. Usava os chips AY-3-8500 da General Instruments
12 – Telegame 4002
Fabricado por Teletronix (São Paulo), 1978
Usava o chip AY-3-8500 da General Instruments com quatro jogos (Futebol, Tênis, Squash e Pelota) e possuía contoles separados do console e com movimento vertical.
13 – Genesis TV Game
Importado e nacionalizado pela Geneses Eletrônica (São Paulo) em 1978 e 1979
A Geneses importou e nacionalizou o console TV Games LU-009 lançado pela Echo Electronics Corporation (Taiwan) em 1977. Esse console, que usava o chip AY-3-8500, também foi lançado pela Blaupunkt na Argentina com o nome de Telejuego.
Consoles de videogame raros que nunca vieram para o Brasil
1 – Overkal (1974)
Primeiro clone de console de videogame do mundo, lançado pela Inter Electrónica (Espanha). Era um clone do Magnavox Odyssey americano, que foi o primeiro console, mas diferente desse – que usava plaquinhas – usava interruptores para selecionar a ativação dos circuitos dos jogos. Os controles eram idênticos aos do Odyssey, porém eram embutidos no console. Todos os textos da caixa, manuais e acessórios estavam escritos em espanhol.
2 – SABA Videoplay (1977)
Versão alemã fabricada pela SABA do Channel-F, o primeiro console de 2ª geração do mundo, lançado pela Fairchild Semiconductor (EUA) em 1976. Usava o chip Fairchild F8, mais avançado que o dos videogames lançados na geração anterior (Pongs). O projeto original foi desenvolvido, principalmente, por Gerald Lawson (1940-2011), um dos primeiros engenheiros eletrônicos negros dos EUA. Além do SABA Videoplay, o Channel-F chegou a ser licenciado e vendido com outros nomes na Alemanha e também em outros países da Europa (Bélgica, Itália, Reino Unido e Suécia).
3- Studio II (1977)
Console de 2ª geração fabricado pela RCA (EUA) e usava o processador RCA 1802. Foi o segundo console a usar cartuchos com jogos programados e no total só foram lançados apenas dez jogos em cartuchos – além dos cinco que tinha na memória . Usava um sistema de energia ativado pela chave TV-GAME que ficava atrás da TV, ou seja, não possuía sem chave liga-desliga no console. A fonte era ligada nessa chave, e o console era alimentado pelo mesmo cabo de vídeo. Só funcionava em preto e branco e som era em canal mono. Foi descontinuado pouco depois de um ano de ser lançado.
4 – M-1000 (1978)
Console de 2ª geração lançado APF Electronics (EUA) baseado no processador Motorola MC6800, e que vinha com o jogo Rocket Patrol na memória. O APF-M1000 (também chamado de MP-1000) foi o sucessor da linha APF TV Fun de consoles de primeira geração e podia ser transformado em um microcomputador quando acoplado à APF Imagination Machine . O projeto foi desenvolvido principalmente por Edward Lee Smith, um dos primeiros engenheiros eletrônicos negros dos EUA junto com Gerald Lawson (da Fairchild).
5 – Turnir (1978)
Console de 1ª geração fabricado pelo Ministério da Indústria Eletrônica (URSS) entre 1978 e 1982. Foi o primeiro console de videogame soviético. O seu nome em russo (Турнир) significa “Torneio”. Possuía quatro jogos: Tênis (теннис), Hóquei (хоккей), Squash (сквош) e treinamento (тренировка) e foi o único console de videogame soviético que usou o chip AY-3-8500 original da General Instruments. Outros consoles que vieram depois usaram clones soviéticos do chip americano.
6 – Astrocade (1978)
Console de 2ª geração criado pela fabricante de pinballs Bally (EUA). Esse console, que usava o microprocessador Zilog Z80, teve 28 jogos lançados, além de um cartucho de programação em Linguagem BASIC. Foi o console que mais mudou de nome na história: inicialmente foi chamado de “Home Library Computer”, depois mudou de nome para “Professional Arcade”, posteriormenta a Bally vendeu sua divisão de desenvolvimento e produção de consoles de jogos a um grupo empresarial, que em 1981 relançou o console como “Bally Computer System”, e mudou novamente no ano seguinte para “Astrocade” e assim permaneceu até ser descontinuado em meados de 1985.
7 – Electronic Video Computer 4000 (1978) e Grundig Super Play Computer 4000 (1979)
Console de 2ª geração fabricado pela Interton (Alemanha), empresa fabricante de aparelhos auditivos que já havia lançado consoles de 1ª geração anteriormente. Foi comercializado em outros países europeus e utilizava o microprocessador Signetics 2650 da Philips. Teve quarenta cartuchos lançados, com alguns jogos parecidos com os do Atari 2600, como Combat. Teve um clone lançado pela Grundig, fabricante alemã de aparelhos eletrônicos, com o nome de Super Play Computer 4000
8– Cassete Vision (1981)
Console de 2ª geração fabricado pela Epoch (Japão) que foi um grande sucesso de vendas, sendo o console japonês mais bem-sucedido até a chegada do Nintendo Famicom. Foram lançados 12 jogos em cartuchos para esse console, que possuía os controles em forma de botões embutidos no próprio console, lembrando os pongs da geração anterior. Importante ressaltar que o termo “cassete” não tem a ver com fitas K7 e sim com um sinônimo japonês para “cartucho” (com programa armazenado em memória ROM). A família de consoles Cassette Vision da Epoch cresceu através de outros modelos como o Cassette Vision Jr, Super Cassette Vision e Super Lady Cassette Vision.
9 – Creativision (1982)
Console de 2ª geração lançado pela VTech (Hong Kong) e vendido em alguns países da Ásia, Europa e Oceania. Na Austrália teve o nome de Wizzard, onde era distribuído pela Dick Smith (exemplar em exposição). Teve outros nomes em outros países como Funvision, Hanimex Rameses e Educat 2002. Usava o microprocessador 6502 (o mesmo dos micros Apple II e Commodore 64) e seus controles quando colocados sobre o console, viram um teclado padrão QWERTY. A ideia era ser um equipamento híbrido, um “console-quase-computador de baixo custo” com programação em linguagem BASIC.
10- Vectrex (1982)
Console de 2ª geração, lançado General Consumer Electronics (EUA) que, posteriormente, foi adquirido pela Milton Bradley Company. Usava o processador Motorola MC68A09 e era o único videogame que apresentava gráficos vetoriais em seu monitor pré-integrado ao console, ao qual era possível conectar até dois controles.
11 – Arcadia 2001 (1982)
Console de 2ª geração fabricado pela Emerson Radio Corporation (EUA). Usava o processador Signetics 2650 da Philips e possuía controles com teclado (12 teclas) e botões de disparo nas laterais. Possuía também conectores para fones de ouvido nas laterais da parte traseira. Foi descontinuado em cerca de um ano e meio, com menos de 50 jogos lançados, e com três estilos de cartuchos. Existiram mais de 30 clones desse console em vários países europeus e asiáticos.
12 – Game Wave (2005)
Console de 7ª geração fabricado em 2005 pela ZAPiT (Canadá). Era um DVD Player e um videogame com quatro controles sem fio que mais pareciam controles remotos de TV. Seu público-alvo era a família tradicional religiosa cristã, para o qual tinha jogos educativos com temas bíblicos. Foi descontinuado em 2009.
Outros itens bem curiosos foram apresentados como “Streaming de jogos na época do Atari 2600” – Gameline (EUA) e Telegame (Brasil)“.
O serviço GameLine foi lançado pela CVC nos Estados Unidos em meados de 1983 e acabou por causa da crise do mercado dos videogames, que provocou uma baixa no preço médio dos cartuchos de US$30-50 para US$3-5 e desestimulando as pessoas a assinarem o serviço de download com aluguel de jogos.
O serviço Telegame foi lançado pela Embracom no Brasil no final de 1985. Os custos da assinatura do serviço somados aos custos das ligações telefônicas e às dificuldades de aquisição de linhas nas residências não resistiram à proliferação das locadoras de cartuchos.
Vejam mais itens e os mais curiosos na entrevista exclusiva em nosso canal:
Jogos feitos por fãs marcaram presença no evento
EXPERIÊNCIA ODYSSEY
A comunidade Odyssey Brasil marcou presença no stand Experiência Odyssey e jogos feitos por desenvolvedores brasileiros que foram apresentados e puderam ser jogados por quem compareceu ao evento.
Os “Odysseiros” Ricardo Silva, seu filho Gabriel S.F. e Márcio Rodrigues estiveram presentes, destacando-se o stand que demonstrou o Odyssey Vault, criado por Victor Trucco, o qual possibilita o acesso via internet a jogos clássicos e novas criações para o console. Notável foi o “Operação Hero!”, bem como as nove obras literárias de Gabriel S.F. do Universo Expandido, que fornecem contexto e preparam o jogador para as aventuras imersivas em diversos jogos do Odyssey.
LUNATIC FIGHTERS PARA MEGA DRIVE
A desenvolvedora DAVILA GAMES estava presente no evento com o seu game Lunatic Fighters com seu primeiro game lançado em campanha no catarse, o desenvolvedor independente mineiro Yuri d’Ávila está a frente do projeto onde realiza o desenvolvimento de todo o game.
Na eventualidade do evento aproveitaram para lançar seu próximo game True Galacti Mission que em breve será lançado em campanha coletiva.
Informações sobre a realização do evento
O evento foi organizado por Marcos Felipe e Saulo Santiago, criadores do grupo CloNES e da desenvolvedora e distribuidora de games Falcon Soft e também co-autores do Livro Definitivo: Clones, da Warpzone. Eles já organizam eventos de retrogaming desde 2002 e já participaram da organização de diversos eventos no Rio de Janeiro e São Paulo como o Canal 3 e o Games RJ.
Mais informações no site: Rio Retrogames – O Evento retrô do Rio de Janeiro

Professor, Analista de Sistemas, Presidente da UCEG e pai do Icaro.
“Os jogos podem mudar o mundo”













