“O meu primeiro trabalho com games (remunerado e publicado) foi um pixelart do ‘Sonic: the Hedgehog'”, comemora o ilustrador Raul Tabajara.
Para quem não sabe, Renato Degiovani, reconhecidamente, o primeiro game designer do Brasil, iniciou sua produção de jogos digitais no início dos anos 1980, aprendendo a programar e, posteriormente, desenvolvendo suas primeiras experiências, a exemplo de Aventuras na Selva, que acaba de ser reproduzido para a exposição Fullgás.
Fruto de suas primeiras experimentações digitais, o decano viu a necessidade de produzir um dos primeiros editores de imagens para computadores, o programa Graphos. Até onde se sabe, vale ressaltar, Graphos foi o primeiro software brasileiro para criação de artes digitais, evoluindo para as versões 2 e 3, com aperfeiçoamentos.
Entre os muitos feitos com o programa, que chegou a ser comercializado pelo desenvolvedor, Graphos foi uma ferramenta importantíssima na criação da arte de Sonic, o ouriço azul da Sega, para o console Mega Drive produzido e comercializado no país, como contou o também desenvolvedor de jogos Raul Tabajara, em uma antiga postagem no Facebook.
“Meu pai acreditou que seria benéfico para os filhos que eles tivessem contato com computadores”, comentou Raul, em uma postagem no Facebook, onde descreve a história.
“Fazer programas era divertido. Jogar os joguinhos era demais! Mas havia um programa que eu adorava! Ele se chamava ‘Graphos3’. Eu era uma criança que gostava de desenhar, e o ‘Graphos3’ era um ‘sistema editor de vídeo’, que permitia que eu desenhasse no computador e visse minha obra na tela de TV”.
Na sequência, o jovem comentou a participação de Degiovani em sua formação como artista: “O criador dessa maravilha era um brasileiro! Se chamava Renato Degiovani, e o mais interessante da história desse programa é que o Renato queria criar um jogo, mas nessa época não existia ‘Photoshop’. Ele desenvolveu o seu próprio editor de imagens para poder, depois, criar o seu jogo. E vendo que seu jogo havia gerado esse ‘APP spinOff’, decidiu publicá-lo”.
Como explicou mais à frente, ao transformar a arte em computador em seu hobby preferido, Raul caminhou para o futuro desenvolvimento da arte de Sonic. “O MSX tinha 16 cores, mas eu só podia desenhar usando 2 cores a cada 5 pixeis, porque a ‘placa de vídeo’ dele não permitia mais que isso. Então a minha diversão era fazer um desenho bonito DRIBLANDO as imperfeições que surgiam”, escreveu, informando que empenhou-se na arte entre os anos 1987 a 1995.
“A TecToy estava procurando gente para fazer jogos autorais para o novo Mega-Drive”, destacou em seu texto online. “Depois de fazermos algumas entregas do nosso protótipo ‘miniatura velozes’, o então diretor da área de jogos Julio Vieitez me chamou de canto e disse: […] ‘Eu tenho um desafio pra você, uma coisa que o pessoal interno não tá conseguindo fazer e eu queria ver se você consegue, quero te contratar por fora. VOCÊ QUER DESENHAR O SONIC?’”
A arte elaborada pelo artista, reproduzida acima, fez parte do menu do console MegaDrive 3. “O meu primeiro trabalho com games (trabalho remunerado e publicado) foi um pixelart do ‘Sonic: the Hedgehog’ que fiz para o console Mega-Drive em 2002”, gabou-se o ilustrador. “Mal eu sabia que essa pequena animação em pixelart iria para consoles em quase todo o mundo. O meu primeiro trabalho com games foi desenhar o Sonic para um projeto que acabou virando mundial!”.
Raul Tabajara continua desenvolvendo games a exemplo do já clássico Masmorra da Tortura, projeto realizado em parceria com a também ilustradora Monique Moon, e projetos como Kaiju e Zumbi Olé, entre outros.
O programa voltou a ser oferecido ao público com a publicação da Revista Micro Sistemas nº 1a – Especial 40 anos, pela Bitnamic Software, em 2021, mas o material está fora de catálogo.
Informações sobre o bom e velho software criado por Degiovani podem ser conferidas nesse artigo do próprio criador, em seu site de jogos Tilt.net.
O texto do post original de Raul Tabajara não está mais disponível no Facebook, mas o desenvolvedor fala com frequência sobre o tema em suas muitas palestras de game design.
Imagem: fotomontagem

Idealizador do projeto Indie Brasilis, ex-editor e atual colaborador do Quebrando o Controle, o jornalista se diz um Geek assumido e fanático por RPG e Dungeons & Dragons. O profissional atua desde 2007 no jornalismo de games, com passagens pelos veículos Portal GeeK, Game Cultura, GameStorming, Rádio Geek e Drops de Jogos, entre outros.