Ideias em Jogo – Como foi a edição 7: Do Ceará para o Mundo

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Muito se fala do mercado nacional e das pessoas que já saíram do Brasil para trabalhar no exterior, ou até mesmo iniciarem suas próprias empresas. E nesta edição do Ideias em Jogo, buscamos dois cearenses que estão trabalhando atualmente no Canadá e que hoje tem seus trabalhos sendo realizados em grandes empresas com jogos bem conhecidos.

Muitos que hoje pensam em trabalhar com jogos ou até mesmo já desenvolvem por aqui tem a curiosidade de saber como é realmente o mercado lá fora e qual caminho seguir. Aproveitou-se também para se comentar e discutir entre os presentes sobre a realidade local e foram apresentadas ideias que podem vir a melhorar ainda mais o que tem sido feito e encontrar soluções para trazer mais empresas e desenvolvedores para estar em evidência no cenário cearense.

As palestras foram seguidas de um bom bate papo entre os convidados e os que estiveram presentes no Vila das Artes:

Ideias7_Palestrantes02 Começamos com o Átila Correia, atualmente trabalhando na franquia Rollercoaster Tycoon World da empresa Nvizzio Creations. Ele fez parte do projeto brasileiro The Light of The Darkness, quando na época era apoiador com sua empresa de games cearense Virtue Studio. Onde achamos um fato novo, esta foi a primeira empresa a desenvolver games no estado (Fundada em 2008).
Ele esta há quatro anos em terras canadenses e sua responsabilidade na atual empresa é trabalhar com melhorias na interface do jogo, mas como ele mesmo falou há coisas que não podem ser divulgadas ainda levando em conta que o jogo sai ainda este ano.
A sua experiência anterior e trabalhos pioneiros no nosso estado foram fundamentais para chegar até o exterior. Deixou claro que conhecimento matemático, domínio da língua inglesa e muita dedicação são fundamentais para trilhar o caminho além das fronteiras brasileiras.
Ideias7_Palestrantes01 Depois falamos com Raphael Monticello, seus vários action figures de personagens, como o cabeçudo Toad e seus muitos board games :).
Atualmente é Engenheiro de Software na Eletronic Arts, seu histórico anterior não figura empresas de desenvolvimento de jogos, mas sua vontade de trabalhar com games prevaleceu na sua escolha quando decidiu ir para a EA Sports. Hoje trabalha em otimizações de algoritmos dos serviços do jogo FIFA 16 que contemplará a versão do jogo que esta prestes a sair e as que estão por vir em futuras gerações da Franquia. Em suas palavras para a turma do Ideias em Jogo deu algumas sugestões sobre o mercado no exterior e sobre desenvolvimento de games:
1. Você não vai ficar rico, você vai ganhar o mesmo ou até menos que outras áreas;
2. Vale muito o amor pelo que você faz;
3. A experiência conta muito e para uma entrevista numa grande empresa você tem de estar
preparado;
4. Não se faz um jogo sozinho, o senso de equipe e o aproveitamento dos profissionais envolvidos ajuda muito na elaboração de ideias
5. Promover o jogo é muito importante, você pode até fazer um ótimo jogo, sem saber como colocar este no mercado seu trabalho é em vão, citou inclusive o caso de Angry Birds que teve antes de seu lançamento outros quase cinquenta jogos feitos pela equipe de desenvolvimento para se chegar ao sucesso;
Quer fazer jogo, TERMINE O PRIMEIRO JOGO, prepare-se para estudar muito, busque entender de matemática, inglês, e conheça mais sobre o mercado atual e como colocar os jogos neste. E comece fazendo um jogo pequeno, não se começa a fazer da primeira vez um GTA, veja jogos como Flap Birds e similares e procure aumentar a complexidade dos mesmos a cada projeto.

Para quem pensa em ir para o Canadá, ambos os palestrantes foram bem favoráveis a decisão de trabalhar no exterior. Ao contrário do Brasil, onde temos de ter incentivos e ainda mais disseminação da cultura de games, no Canadá a ideia de que game é cultura já existe, pois estes já fazem parte da economia do país, há inclusive iniciativas governamentais que incentivam isso e apoiam empresas e desenvolvedores que querem morar por lá, com planos de apoio para mudança de localidade, moradia, etc.

Ainda neste oportunidade foi feito um debate onde com a Participação de Izequiel Norões da UCEG, Edward Facundo da organização do Ideias em Jogo e ainda com Raphael Monticello e os demais convidados. Foram tratados assuntos referentes ao cenário do mercado local onde se observaram os seguintes pontos:
– Falta de Maturidade do publico “comprador” com relação ao mercado de jogos, e o impacto da questão cultural neste aspecto o que determina preços e a falta de entendimento sobre os jogos produzidos no Brasil;
– Tipos de Jogos – Dificuldade do Mercado em reconhecer os tipos de jogos existentes, a forma de como criticar os jogos e a cultura do “jogo bom” e “jogo ruim”. É bom ou ruim por que motivo? Falou-se que deixar o jogo ser avaliado por jogadores pode ser perigoso e é muito importante saber para quem esta se colocando o jogo para se avaliar e a valorização dos pares (desenvolvedores) nesse critério;
– Como lidar com as criticas, muitos desenvolvedores precisam amadurecer e saber ouvir e ainda de quem receber, como filtrar, quais são as criticas úteis a para o seu trabalho;
– Falta de Conhecimento cientifico a partir dos grupos de desenvolvimento para pedir opiniões sobre seus jogos e ainda a forma de como estes devem ser colocados para ser avaliados. Não basta perguntar se o jogo é bom, com uma pergunta genérica irão se obter respostas genéricas;
– Jogos Educativos precisam de explicação externa ao jogo? Se o objetivo do jogo é educacional o mesmo deveria ser intuitivo e de maneira acessível deixar o jogador confortável aproveitando o lúdico do jogo para deixar transparente o processo de aprendizado;
– A aplicação de metodologias ágeis de desenvolvimento em Jogos –  Todo jogo é um software e partindo dessa premissa, está sujeito aos processos de desenvolvimento de software tradicional, valendo ressaltar que tratando-se de jogos e a sua composição de equipes de desenvolvimento multidisciplinares, claro que devem haver adaptações. E ainda tratar as interações com o cliente deixando o fator do entretenimento sempre em destaque e atenção.
– O uso de iniciativas segmentadas – Foi observado a falta de interação dos desenvolvedores locais, a ausência da participação dos mesmos em eventos e grupos de desenvolvimento, deixando de se contribuir e fomentar o cenário local que atualmente tem crescido mas ainda é carente dessa atividade que deveria ser uma prática com a iniciativa dos próprios desenvolvedores como já acontece em outros estados e no exterior.  Juntar forças para fomentar o mercado e promover seus trabalhos e empresas, com encontros, grupos participativos, fórums e meios que permitam a troca e compartilhamento de experiências.

Ao final, Rógeres de Sousa apresentou o projeto www.aprenderjogando.com que é uma proposta de plataforma de jogos para apoio do ensino.

Agradecimentos aos nossos convidados, a Edward Facundo e Vitor Germano no apoio e ainda ao Vila das Artes da Prefeitura de Fortaleza que nos acolheram nesta edição.

Autor: Izequiel Norões

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