O Quebrando o Controle tem mantido contato com profissionais e iniciantes no desenvolvimento de games com o objetivo de traçar um panorama da atualidade dos jogos digitais no Brasil.
Recentemente, descobrimos The Oldest Edda, indie em fase de aprovação pelo Steam, que mergulha na Mitologia nórdica como um processo lúdico que pode encantar os interessados pelo caráter histórico, sem tentar ser um projeto educacional sobre a história dos antigos povos germânicos e escandinavos.
Em um rápido bate-papo, o desenvolvedor indie Guilherme Leite falou de sua experiência como docente em História e da produção do game, com seus percalços e conquistas. Confira.
Quebrando o Controle – Olá, Guilherme. Fale pra gente sobre o estúdio Blind Harpy Gamedev, como surgiu a ideia de produzir um game sobre cultura nórdica e detalhes da produção do The Oldest Edda.
Guilherme Leite – Eu sou formado em história e trabalho como professor na cidade em que resido. No inicio do projeto, trabalhava dando aula para o ensino médio, agora estou trabalhando como professor no ensino fundamental. Sempre me encantaram os estudos sobre mitologia no geral, sabendo que todos os mitos nórdicos vêm de coletâneas de poemas chamadas de Eddas, duas fontes em especifico, a edda jovem e a edda em verso, me senti na liberdade de criar eu mesmo uma edda não contada, de aventuras esquecidas e personagens talvez até conhecidos.
QoC – Quanto tempo levou a produção do jogo e como tem sido esse processo?
GL – [O estúdio] Blind Harpy Gamedev sou apenas eu mesmo, eu estou criando este jogo a aproximadamente 2 anos e 8 meses, e é o primeiro Game que estou finalizando, tenho outros projetos iniciados que vou continuar a tocar e finalizar, mas este é o primeiro game no Steam. Como desenvolvedor solo, acabo fazendo tudo desde a programação, as artes, os sons, com exceção das músicas que fui encontrando em bibliotecas Creative Commons.
QoC – Quais os desafios enfrentados pelo time de desenvolvedores ao longo desse período? O que foi mais complicado de fazer e que situações inesperadas a equipe encontrou pelo caminho?
GL – Como trabalho como professor, acabo por não conseguir doar o tempo necessário a atividade de gamedev, mas tento me manter focado em meus projetos de desenvolvedor de jogos. Foram 2 anos e 8 meses de aprendizado e alegrias, estou criando o jogo na Unity e me sinto preparado para os próximos jogos que irei desenvolver.
Encontrei algumas dificuldades sendo Dev solo, e isso é bastante comum pra quem vai fazer sozinho. Se você por qualquer motivo que seja parar pra descansar, dar um tempo, ou se ausentar, seu projeto estará lá no mesmo lugar que você deixou. Ninguém vai carregar essa cruz pra gente, só o Dev solo mesmo. Final de ano é muita correria na escola, dei alguns intervalos de meses, isso prejudica o trabalho como desenvolvedor. Precisa ser constante, nem que seja 1h por dia.
QoC – Quais foram as sacadas mais legais ou criativas de design idealizadas durante a realização do projeto e que fizeram a diferença para tornar o game um produto final interessante, divertido e acabado?
GL – O jogo tem alguns pontos bem legais, apesar de ser um jogo de plataforma 2d, possui muitas mecânicas diferentes, uma historia legalzinha, um mini game de boxe pauleira e um livro contando a historia do personagem e sua jornada, um livro digital onde cada pagina esta perdida em uma fase. A Edda velha!
QoC – Foi pensada uma estratégia para transformar o game em uma criação rentável? Como vocês estão fazendo o trabalho de divulgação do jogo para os potenciais interessados?
GL – Não pensei em nada. Recebi alguns conselhos mas, pela falta de tempo, não consegui concretizá-los, então vamos lá, queria que jogassem o jogo, não pelo dinheiro, mas pela história do Runar. Como eu fiz tudo e é algo que gosto de fazer, não me dará prejuízo, tenho é orgulho de terminar. (risos)
QoC – Outras pessoas compõem a equipe do estúdio Blind Harpy Gamedev?
GL – Os créditos do jogo ficaram até engraçados, só tem Guilherme Leite aparecendo em tudo, hahahaha. [Mas,] minha namorada me ajudou com a revisão dos textos, e meus alunos ajudaram como beta testers.
QoC – O lançamento para 13 de janeiro está confirmado?
GL – Depende da avaliação do Steam, eu acredito, mas o jogo está redondinho, acredito que tudo estará certo para dia 13 deste mês.
Para acompanhar o lançamento de The Oldest Edda, basta acessar a página do projeto na loja virtual Steam.
Imagem: reprodução

Idealizador do projeto Indie Brasilis, ex-editor e atual colaborador do Quebrando o Controle, o jornalista se diz um Geek assumido e fanático por RPG e Dungeons & Dragons. O profissional atua desde 2007 no jornalismo de games, com passagens pelos veículos Portal GeeK, Game Cultura, GameStorming, Rádio Geek e Drops de Jogos, entre outros.