Os games brasileiros vêm conquistando de forma consistente e continuada o interesse do mercado nacional e global, do grande público em busca de novidades dos designers de jogos do país e também da mídia não especializada, ‘furando a bolha’ do nicho, como se diz no jargão popular.
Durante a gamescom latam 2025, feira da indústria de jogos digitais, que aconteceu entre os dias 30 de abril e 4 de maio desse ano, a Folha de S.Paulo, tradicional jornal paulista, acompanhou as exibições e lançamentos do evento, convertendo essa visitação em um artigo que demonstra a maturidade da mídia de entretenimento digital brasileira, que chamou a atenção deste e de outros veículos.
Com o título “Conheça seis games brasileiros que se destacaram na gamescom latam 2025”, o jornalista Tiago Ribas dedicou espaço a meia dizia de produções de estúdios de desenvolvimento sediados no Brasil que fizeram bonito na apresentação de seus projetos na feira de jogos.
“A gamescom latam, realizada na última semana, reuniu alguns dos melhores jogos brasileiros da atualidade. De jogos de terror ultrarrealistas a títulos de aventura em pixel-art, a feira mostrou toda a criatividade e diversidade da indústria brasileira de jogos”, enalteceu o articulista do jornal.
Em seguida, o repórter destacou os games A.I.L.A., terror desenvolvido pelo Pulsatrix Studios, Changer Seven, da Gixer Entertainment, E-Lich: Corporate Souls, do estúdio JohnnyR Designs, Mullet MadJack, do estúdio gaúcho Hammer95, No Heroes Here 2, da desenvolvedora Mad Mimic, e Pipistrello and the Cursed Yoyo, novo título do estúdio Pocket Trap.
Boa parte dos estúdios já tem uma jornada de anos no design de jogos digitais, acumulando sucessos e muitas batalhas nesse inconstante mercado, e vêm adquirindo know-how e expertise que lhes permite disputar a atenção das publicadoras internacionais e do público em geral com produções caprichadas, que mostram a criatividade e a qualidade da produção nacional.
Não é a primeira vez que a grande mídia se volta à criação dos jogos brasileiros, a exemplo de Huni Kuin, game produzido por uma comunidade indígena em parceria com o antropólogo Guilherme Meneses, Zona Eleitoral – Prefeitura, lançado por um grupo de criadores de Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo, em setembro de 2024, e noticiado pelo portal G1, e Arida, criado pelo estúdio soteropolitano Aoca Game Lab, veiculado em artigo da Folha Ilustrada.
Como temos alardeado há anos, Renato Degiovani e eu, a cultura brasileira apresenta uma riqueza e uma profundidade conceitual e artística praticamente inigualáveis frente às expressões de outros países e saber aproveitar tais qualidades mostra-se uma oportunidade sem igual para criar diferenciais no panorama por vezes repetitivo do game design global.
Como afirma Degiovani nos agradecimentos do livro Indie Brasilis – obra em finalização de edição e cuja campanha de financiamento coletivo deve ter início já no próximo mês – “reza a lenda que não há cultura mais global que a cultura local”.
Os veículos de comunicação convencionais estão de parabéns pela aguçada percepção em relação e esta revolução silenciosa promovida pelo segmento desenvolvimentista de jogos digitais do Brasil.
Que venham mais textos e análises dessa poderosa indústria nacional.
Interessados no artigo original da Folha, podem acessar o conteúdo (exclusivo para assinantes, ressalte-se) no site do jornal.
Imagem: arte de Kao Tokio

Idealizador do projeto Indie Brasilis, ex-editor e atual colaborador do Quebrando o Controle, o jornalista se diz um Geek assumido e fanático por RPG e Dungeons & Dragons. O profissional atua desde 2007 no jornalismo de games, com passagens pelos veículos Portal GeeK, Game Cultura, GameStorming, Rádio Geek e Drops de Jogos, entre outros.