Indie Games Brasilis: Preservar a memória dos games nacionais é imperativo

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Começamos hoje mais uma coluna semanal do QoC, dessa vez voltada exclusivamente ao desenvolvimento de games nacionais, denominada Indie Games Brasilis.

A intenção da série de artigos é mapear os novos projetos que vem surgindo no país em quantidade cada vez mais expressiva nos últimos anos e dar destaque aos profissionais do setor, que disputam a atenção do público e o mercado global de games, com frequente desvantagem em relação aos Game Devs de outros países, mais bem estruturados, com economias estabilizadas e outras oportunidades.

Exaltar nossa rica produção de games é uma necessidade urgente que tem se mostrado cada vez mais importante, pois, como tenho enfatizado há anos, não existe registro documental dos games produzidos no Brasil.

O interessado deverá encontrar em uma pesquisa inicial alguns artigos acadêmicos que comentam a existência de parte desta produção, eventuais publicações em sites especializados nesta expressão da cultura contemporânea, possíveis notícias em veículos impressos que abrem espaço em suas redações para apresentar os lançamentos de jogos brasileiros de destaque em eventos e citações pontuais em livros sobre game design, a partir de opiniões ou entrevistas com determinados desenvolvedores.

E só.

É pouco para um segmento com presença no mercado há mais de 40 anos e que vem se especializando continuamente, com realizações que se tornam referências para a indústria dentro e fora do país.

Como jornalista de games há quase duas décadas, vejo como necessária essa mobilização, não apenas em razão desse crescimento exponencial de nossa indústria mas, não menos importante, pela evidência de que os criadores mais experientes no mercado – isto, é gente em idade avançada – não estarão aqui para sempre, a exemplo da recente e inestimável perda de Divino Leitão, game designer do tempo ‘das antigas’, criador do inigualável Cavernas de Marte, que merece destaque na produção nacional.

Lá fora, não faltam iniciativas do gênero. Escrevi, em maio de 2007, que o curador de História da Ciência e Coleções Tecnológicas da Universidade de Stanford, Henry Lowood, e quatro outros visionários haviam iniciado, no longínquo ano de 1998, um movimento de preservação de jogos antigos.

A iniciativa do docente, denominada ‘Cânone do Jogo’, incluía a criação de uma lista de games fundamentais, similar ao National Film Preservation Board, que zela pela história do cinema norte-americano. O projeto contava com figuras ilustres, como o renomado game designer Warren Spector e o acadêmico Matteo Bittanti, pesquisador em Game Studies, que chamamos por aqui de Game Cultura.

Com base na triste constatação dessa ausência de informações sobre os jogos nacionais, consegui convencer o parceiro Renato Degiovani, game designer pioneiro no Brasil, criador de Aventuras na Selva – mais tarde recriado como Amazônia – e também colunista deste QoC, a escrevermos o livro Indie Brasilis, para registrar nossa história.

Apoiado desde sempre por este portal de notícias, trago semanalmente ao novo espaço detalhes que certamente complementarão a iniciativa, com novos dados e informações sobre os desenvolvedores do Brasil e suas inspiradas produções. Adicionalmente, a coluna amplia a visibilidade para as criações nacionais que estão chegando ao público e, como visto, contam com muito pouca mídia para sua disseminação.

Mas temos uma longa trajetória dos produtores de jogos no país, e muito a ser contato para as novas gerações de jogadores. Como escrevemos na página da campanha de financiamento coletivo do livro, que em breve será lançada, a história do Game Design do Brasil precisa ser registrada, e todos podem contribuir para preservarmos esses momentos.

Na próxima semana, voltaremos com mais novidades sobre este relevante tópico. Até lá!

Imagem: fotomontagem com arte de Allison M. Hudgins e prints dos games BR Amazônia e Castelo Negro

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